Colecionadores de antiguidades expõem objetos em Natal
Filatelistas e numismatas (estudiosos de moedas e medalhas) natalenses terão a chance de trocar informações e objetos com expositores nacionais e estrangeiros até o próximo domingo (17), durante o 3º Encontro de Multicolecionadores do Norte e Nordeste. Organizado no salão de eventos do hotel Parque da Costeira, a reunião também traz negociantes de países vizinhos, como Argentina e Uruguai. Ao todo, 60 colecionadores exibem itens antigos, que vão de moedas do Brasil Império, até vinis com marchinhas da Copas do Mundo de 1958.
Cédulas, moedas, selos e vinis predominam. Colecionador desde a infância, Antonio Costa promove o Encontro por gostar de história e ver o quanto o mercado local pode crescer. “Aqui tem muito material do Brasil Colônia, da República, do Império. Como Natal ainda é muito fraca para colecionadores, o evento tem o objetivo de reunir pessoas com o mesmo propósito e estimular os curiosos. Quem vier aqui, por exemplo, poderá ver moedas de réis de 1654, cédulas de 1843″.
São objetos que chegam a valer o preço de um carro 0 km, expostos em encontros que seguem um calendário. “A numismática é tão apaixonante que uma pessoa paga R$ 3,2 mil por uma nota de R$ 100, só porque ela está assinada pelo ex-ministro Rubens Ricupero [Ministro da Fazenda durante a adoção do Plano Real e ex-embaixador brasileiro nos Estados Unidos]“. No estudo científico de cédulas e moedas, disciplinas como história, geografia, cronologia, economia, iconografia, noções de metalurgia e a evolução das artes ganham relevo.
É da interdisciplinaridade, e da conseqüente aquisição de conhecimento, que Adelânio Ruppenthal extrai o interesse pela arte de colecionar objetos. Natural de Porto Alegre/RS, ele viajou mais de três mil quilômetros para mostrar parte de sua coleção e fechar bons negócios. “Natal está começando, mas tem potencial. Viajo todo mês para um estado e vejo o quanto as pessoas gostam de coisa antiga. Não só colecionadores, mas gente que gosta de decorar a casa com algo que remete a parte da história do país”.
O ‘xodó’ de Aderlânio é uma sequência de 640 réis em moedas de cobre. “No meu caso, além da possibilidade de ganhar um bom dinheiro, tem o fato de poder viajar e conhecer pessoas. Foi através da numismática que conheci o Brasil todo. E quem pratica ganha a partir do momento em que adquire um catálogo com foto e preço dos itens, pois cédulas e moedas contam a história de seu lugar de origem”. Sua maior negociação foi uma barra de ouro de Vila Rica, cujo ano de manufatura (1834) estimulou um colecionador paulista a desembolsar R$ 150 mil.
Nascido na época em que muitos objetos expostos no 3º Encontro de Multicolecionadores Norte e Nordeste eram usados no cotidiano, ‘Seu’ Caubi Teixeira Pessoa cruzou de carro a Serra de Ibiapaba (CE), onde mora na cidade de Tianguá, para subir em um avião com destino à Natal. Ex-vereador em três ocasiões, presidente da Câmara em outras duas, ele usou a numismática para superar traumas decorrentes de uma série de moléstias pessoas (câncer linfático, cirurgias de ponta de safena e um tumor no intestino, em 2000).
Acompanhado pela filha, Junia Ferreira Pessoa, ele fala dos quase 12 anos de um hobby que virou negócio. “Eu estou amando isso. Fiz amigos no Brasil inteiro”, fala o também produtor rural e farmacêutico que alega ter mais de 50 descendentes, entre filhos, netos e bisnetos. “Passo horas, dias, meses preparando esses álbuns aqui. Para mim, isso não tem preço”. Proibido de viajar sozinho após “o reparo no coração”, ele pede R$ 3 mil em uma cartela com seis moedas de réis, do tempo do Império. “Não tenho medo de assalto, de nada, porque isso só tem valor aqui na exposição. O que um bandido ia fazer com essa ruma de moeda velha?”.
O 3º Encontro de Multicolecionadores do Norte e Nordeste estará no hotel Parque da Costeira até domingo (17), das 8h às 17h. Com grandes acervos, o evento oferece parte da história nacional e internacional através de itens monetários, utensílios domésticos e produtos culturais. “É um ramo sólido. Temos clubes em cada estado e o Rio Grande do Norte caminha para ter o seu. Tem expositor aqui que vai trazer moedas cunhadas no tempo de Cristo. Isso não tem preço. Quem vier olhar as coleções, sairá satisfeito”, conclui Antonio Costa.
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