Com calor, funcionário público vai trabalhar de saia: ‘pelo bem-estar’

Diante da proibição implementada pelo Estado de que os funcionários públicos não podem exercer suas funções de bermuda, o ilustrador usou de uma “brecha na lei”, digamos assim, e usou o traje feminino, permitido, teoricamente, para as mulheres, para ir ao trabalho

André Amaral cansou da proibição da bermuda por parte do governo do Estado e resolveu usar "brecha na lei". Foto:Divulgação
André Amaral cansou da proibição da bermuda por parte do governo do Estado e resolveu usar “brecha na lei”. Foto:Divulgação

Na última segunda-feira, o Rio de Janeiro registrou sua maior temperatura no ano (40,6 graus). De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o mês de janeiro na capital fluminense foi o mais seco em 13 anos, com apenas 34% da chuva esperada. Aliás, não chove significativamente na cidade há pelo menos 19 dias. Diante de todos estes fatos, o ilustrador André Amaral resolveu tomar um atitude, se não radical, no mínimo curiosa.

Funcionário público do governo do Estado do Rio, ele e seus colegas de trabalho convivem “há dois verões, meu amigo”, com o ar condicionado sem funcionar. “A coisa não resolve”, reclamou com a reportagem do Terra, com a testa suando, com a camisa clara e a…saia xadrez. Isso mesmo. Nesta terça-feira, Amaral resolveu ir trabalhar de saia.

Diante da proibição implementada pelo Estado de que os funcionários públicos não podem exercer suas funções de bermuda, o ilustrador usou de uma “brecha na lei”, digamos assim, e usou o traje feminino, permitido, teoricamente, para as mulheres, para ir ao trabalho. “Esse é corajoso”, brincou, de longe,  Eduardo Souza, o porteiro do prédio no centro do Rio, que se deparou hoje cedo com a inusitada cena.

“Eu pensei que ele estava de calcinha na hora. Fiquei desesperado”, contou ainda. Num primeiro momento, Souza não liberou a entrada de Souza. “Não sabia o que fazer”, relatou. Somente com o militar responsável pelo departamento de segurança dando o “ok”, foi que o funcionário público foi liberado para subir. “Já pensou, se a gente barra ele? Poderiam falar já em homofobia”, disse ainda o porteiro. “Mas eu não sou gay, hein”, retrucou, na hora, Amaral.

Aliás, quem deu a saia estilo escocesa (kilt) foi a própria esposa do ilustrador. “A gente fica sofrendo calado. Meu caráter não muda com uma saia, muito menos o meu rendimento”, justificou André Amaral. “Vou vir todo dia agora, me amarrei”.

Ele alegou ainda que vir de saia para o trabalho “não é uma forma de protesto, é algo pelo meu bem estar mesmo. Não vou ficar comprando ventilador e pagando do meu bolso”. “Hoje mesmo, quando voltei do almoço, uma colega minha passou mal por causa do calor. Foi algo como uma desobediência civil”, completou.

A foto de Amaral de saia trabalhando se espalhou pelas redes sociais e motivou esta reportagem. Até a publicação, eram mais de 2 mil compartilhamentos e quatro mil curtidas. “Até o verão acabar, agora é só saia”, reforçou. Algumas empresas, como o próprio Terra, permitem que seus funcionários usem bermudas nos dias de calor – é preciso, no entanto, bom senso. No Terra, por exemplo, são vetadas bermudas no estilo surfista.

A própria OAB-RJ permite desde o início do ano que seus advogados trabalhem sem paletó e gravata. A Prefeitura do Rio de Janeiro, em decreto do prefeito Eduardo Paes no início do ano, também autorizou que os servidores públicos, motoristas de ônibus e vans credenciadas, além dos cobradores, também dispensem as calças e optem pelo traje mais refrescante. Falta agora o governo do Estado também se sensibilizar com a causa nobre, diga-se.

Fonte:Terra

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