Com estoques, concessionárias ainda poderão manter preços

Expectativa é de que reajustes sejam repassados a partir de fevereiro

Como a redução do peso do IPI sobre o preço normal foi se dando aos poucos, o impacto para os modelos de carros mil não seve ser significativo. Foto: Divulgação
Como a redução do peso do IPI sobre o preço normal foi se dando aos poucos, o impacto para os modelos de carros mil não seve ser significativo. Foto: Divulgação

As concessionárias de automóveis, que apostaram num reforço de seus estoques para o fim do ano, devem manter em janeiro os mesmos preços sem o aumento de IPI e sem repassar os reajustes já autorizados das montadoras que variaram de 1,5% a 2% em algumas marcas. Só isso representaria um aumento de quase 4% sobre a tabela dos modelos zero quilômetro.

Mês em que tradicionalmente as vendas de carros novos desabam em relação a dezembro, janeiro, por isso mesmo, deve surpreender com uma venda acima do esperado, diz Francisco Woldrand, gerente de uma importante rede de concessionárias, com 30 anos de experiência no mercado.

Segundo ele, dezembro foi um mês atípico para o mercado de Natal, registrando um crescimento próximo aos 50%. Em janeiro, Wolbrand aposta que o mercado continuará aquecido – numa proporção menor, é certo – mas que sinaliza para boas vendas.

Com as férias coletivas dadas pelas montadoras no fim de ano, ele confirmou que algumas marcas e cores podem ter desaparecido do pátio das concessionárias em dezembro. “Mas ainda há muito carro zero à disposição, o que sempre anima os consumidores a trocarem seus veículos que já atingiram três anos de uso”, acrescenta.

Wolbrand lembra que como 50% dos carros são financiados em 48 meses, uma parcela crescente de compradores já incorporou a cultura – normal nos mercados de reposição, como Europa e EUA – de trocar seus veículos com três anos de uso, que é o prazo dado pela garantia de muitas montadoras.

“No nosso caso, vivemos ainda um mercado de “expansão”, onde o carro é encarado como um bem que pode ser dado em troca de um apartamento, por exemplo, e há sobre ele um apego de proprietário – mas isso vem mudando aos poucos”, diz o especialista.

Ele lembra que o fato mais marcante para as concessionárias em 2013 em relação a 2012 foi a diminuição da margem bruta de rentabilidade das concessionárias brasileiras sobre cada veículo vendido, que atualmente é de 8%. A margem bruta é aquela sobre a qual ainda não se tirou as despesas da concessionária com os impostos federais que, no caso dos carros, estão entre os maiores do mundo.

Wolbrand explica que, por causa disso, há muitas empresas no país operando no vermelho, o que requer um gerenciamento muito eficiente para manter o negócio em expansão. “E um mês de boas vendas e de cumprimento de metas é sempre ansiosamente aguardado pelos vendedores”, salienta.

Com a retirada do IPI sobre os carros foi se dando gradualmente a partir do segundo semestre de 2013, como forma de evitar um impacto muito grande sobre as montadoras, que respondem por milhares de empregos. Wolbrand explica que não se esperava mesmo por um reflexo negativo com o fim do benefício.

“O que muitas empresas não esperavam era que dezembro fosse excepcional que foi em termos de venda e a concessionária que apostou nisso, comprando mais carros para o estoque, certamente manterá a mesma tabela a atrairá mais consumidores”, analisa.

Sobre 2014

Ano de Copa do Mundo e eleições – Wolbrand diz que tradicionalmente esses eventos nunca atrapalharam a venda de carros novos do Brasil. “Como a redução do peso do IPI sobre o preço normal foi se dando aos poucos, o impacto para os modelos de carros mil não seve ser significativo a ponto de mudar uma decisão de compra”, prevê.

 

IPI deixa saudade

Segundo informou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em dezembro, o preço dos carros populares deverá subir de 4% a 8% para a inclusão de airbag e ABS, o equivalente a uma alta de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil por automóvel. A alta do IPI vai levar a um aumento da arrecadação de R$ 956 milhões entre janeiro e junho de 2014, segundo cálculos do Ministério da Fazenda.

Para os carros populares (1.0), a alíquota, que estava em 2% até o fim de 2013, passa a ser de 3% a partir do início deste ano. Ela fica assim até 30 de junho de 2014, quando o governo então vai avaliar se haverá novo aumento, para 7% – alíquota que vigorava antes de o governo determinar a redução do IPI, no início de 2012.

Para carros com motor entre 1.0 e 2.0 flex, a alíquota de IPI, que foi de 7% até o fim do ano passado, subiu para 9% nesta quarta. E pode retornar ao patamar de 11% em julho, dependendo da análise do governo.

Já para os veículos com mesmo motor, mas movidos apenas a gasolina, a alíquota subiu de 8% para 10% nesta quarta-feira e pode avançar para 13% em julho. Veículos utilitários tiveram alta do IPI dos 2%, que vigoravam até o fim de 2013, para 3% em 1º de janeiro. A partir de julho, o imposto pode subir para 8%. Para os utilitários usados para transporte de carga, a variação será a mesma agora. Em julho, porém, se houver alta, ela será para 4%.

O governo alterou  o IPI em maio de 2012, quando as montadoras estavam com estoques acima da média. O objetivo foi estimular vendas e evitar demissões. Inicialmente, o imposto foi zerado para carros 1.0 e as alíquotas dos demais foram reduzidas. O desconto no IPI fez a indústria automobilística bater recordes nos meses seguintes.
Em janeiro de 2013, o IPI começou a ser recomposto, com um aumento em todas as categorias, assim a alíquota para carros 1.0 saiu de zero para 2%, por exemplo. As alíquotas de janeiro foram mantidas até o fim do ano passado.

A produção de veículos em 2013 bateu, já em novembro, o recorde histórico, com 3,5 milhões de unidades produzidas, superando a então marca inédita de 2011. Os números fechados de vendas serão divulgados nos próximos dias.

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