Com munição limitada, policiais do RN fogem dos bandidos

Mais uma reportagem no SBT, em rede nacional, mostra o descalabro na Segurança Pública da gestão Rosalba Ciarlini

Em entrevista ao SBT Brasil, policiais relataram as dificuldades de enfrentar o forte armamento dos bandidos do Estado. Foto: Divulgação
Em entrevista ao SBT Brasil, policiais relataram as dificuldades de enfrentar o forte armamento dos bandidos do Estado. Foto: Divulgação

O SBT Brasil denunciou na noite de ontem, a situação em que os policiais civis do Rio Grande do Norte trabalham. Sucateamento de armamentos, a falta de munição e de coletes à prova de balas, foram alguns dos casos registrados pela emissora. Enquanto delegados da Polícia Civil do estado são flagrados utilizando viaturas para fins particulares, a falta de estrutura das delegacias e as condições de trabalho da polícia foram colocadas em questionamento, em rede nacional.

A reportagem registra relatos de agentes que tiveram que recuar em meio a um tiroteio por falta de munição. “Enquanto ele efetuava dois disparos eu só podia efetuar um, porque eu estava com pouca munição, estava contando os meus disparos, sabendo que a munição iria acabar, e que se o dele não acabasse eu teria que correr”, afirmou um agente que não quis se identificar.

Além da falta de munição, os policiais convivem com armas sucateadas. No 4º distrito policial, a única é da época da Segunda Guerra Mundial. Já na Delegacia de Pipa, a única arma é um rifle contendo 10 balas. Situação que põe em risco a vida dos agentes, uma vez que não existe treinamento para o manuseio desses tipos de armamentos e que servem para “fazer presença” segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do RN (Sinpol), Djair Oliveira.

O equipamento ideal de acordo com Djair Oliveira seria a arma de calibre ponto 40, que tem maior poder de precisão e função de derrubar o indivíduo, mas a maioria dos agentes ainda usam a calibre 38 mm, que tem poder de perfuração maior  podendo até, em meio a um tiroteio, atingir outras pessoas que estão próximas.

Outro fato citado pelo sindicalista é que nem todos os agentes possuem armamento, o que põe em risco a segurança da própria polícia. “São 450 armas para 1450 policiais civis, com armamento obsoleto e inadequado. O ideal seria que todos os agentes assim que nomeados recebessem a sua arma, mas infelizmente isso não acontece e nos coloca em risco”, disse.

Quanto à falta de munição, Djair Oliveira (Sinpol) afirma que a compra de balas só pode ser feita por meio de um processo licitatório e que pode demorar meses, diferente dos bandidos que tem acesso facilitado. “Para solicitar a munição é necessário, junto ao governo do estado, fazer a solicitação e a partir daí será realizado um processo licitatório e é ai que entram as dificuldades.

Falta munição, armamentos e vontade política também. Enquanto isso, os bandidos compram com facilidade do mercado negro”.
Os coletes a prova de balas também foram alvo da reportagem. O que deveria ser um instrumento para assegurar o policial em serviço, é motivo de piada e mostra que o colete é bem menor do que os próprios policiais. “Isso é brincadeira, piada de mau gosto”, disse um dos agentes ouvidos pela reportagem. Segundo o Sindicato, atualmente existem 400 coletes, a maioria deles vencidos.

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