Com obras paradas, Ponta Negra vive clima de abandono às vésperas da Copa do Mundo

Secretário diz faltar pouco para conclusão do projeto e ainda acredita no término antes do mundial

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Alessandra Bernardo

Réporter

Com as obras de enrocamento da praia de Ponta Negra paralisadas há quase dois meses, por causa do término do contrato original com a empresa responsável pelos serviços, a Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (Semopi) aguarda apenas a assinatura e publicação de um aditivo para concluir os 5% restantes que ainda restam. No local, turistas e comerciantes reclamam da demora para finalizar as obras, que já provocaram acidentes e transformou a orla em ponto constante de assaltos.

O titular da Semopi, Tomaz Neto, afirmou neste sábado que a expectativa é que após a publicação do aditivo, que deve ser feito pela Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semdes), as obras do enroncamento sejam concluídas em um prazo máximo de 30 dias. Já os serviços de urbanização, realizados por outra empresa, continuam sendo feitos, apesar da demora.

“Falta apenas 46 metros do enroncamento e a construção de três escadas e duas rampas de acesso, ou seja, muito pouco, mas infelizmente, como o contrato original já terminou, precisamos deste aditivo para que a empresa possa tocar o restante das obras de forma legal para todos. E, em relação ao calçadão, falta um pequeno trecho próximo à Via Costeira e na subida da Erivan França, além dos guarda-corpos, para proteger os pedestres de quedas”, explicou Tomaz.

Ele disse ainda que o documento está sendo finalizado pela Semdes e a expectativa é concluir tudo um dia antes do início dos jogos da Copa do Mundo no Brasil, que começa no próximo dia 12 de junho. “Conversei com o secretário da Semdes na semana passada e ele me garantiu que falta apenas o parecer da Procuradoria do Município para que o aditivo seja assinado e publicado, então, estamos aguardando isso acontecer”, afirmou o secretário da Semopi.

No final da Erivan França, algumas pedras do enroncamento já estão sendo arrastadas pelas águas e, apesar da existência de algumas escadas construídas em alvenaria, é possível encontrar várias outras feitas de forma improvisada com sacos de areia. Já em direção à Via Costeira, as rochas foram colocadas até a altura do hotel Coral Plaza, onde uma máquina retroescavadeira usada nas obras quebrou e permanece até hoje no local, sendo consumida pela maresia e pela ferrugem.

Comerciantes e turistas reclamam da demora

Para quem passeia ou trabalha na praia de Ponta Negra, a demora na conclusão das obras do enrocamento e da urbanização da orla causa não apenas prejuízos estéticos, mas também financeiros. Turistas insatisfeitos falam das dificuldades em caminhar pela área e do risco constante de acidentes, já os comerciantes reclamam da queda das vendas, que eles dizem chegar a 80% em alguns serviços.

“Parece, na verdade, que essa obra está abandonada, o que dá uma pena enorme porque sabemos que é um local belo, mas que foi maltratado ao longo do tempo. Quem já teve a oportunidade de visitar Natal em outras épocas, sente muito isso. É uma tristeza muito grande, ainda mais de uma cidade famosa por ser um dos principais pontos turísticos do país. E agora, às vésperas de um evento mundial, então”, desabafou a turista carioca Roberta Rangel.

Para o comerciante Adécio Cavancanti, que trabalha há 25 anos em Ponta Negra, a demora na conclusão das obras está sendo aproveitada por bandidos, que agem livremente, diante da falta de infraestrutura e de policiamento da região. Ele reclamou na lentidão na execução dos serviços de calçamento e no abandono do enroncamento.

“Além dos prejuízos financeiros, que chegam a 80%, ainda temos que conviver com a falta de segurança e de estrutura para atender aos banhistas e visitantes, porque a polícia não chega aqui. E desde o começo do ano que falam a mesma coisa, que essa obra vai acabar rápido, mas já estamos quase na metade do ano e nada foi feito até agora”, disse.

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