Com open bar, taxista conquista baladeiros e gringos nas madrugadas

Para atrair a freguesia, Jadielson Rodrigues oferece, de graça , cerveja e whisky no trajeto para bares e boates. Queridinho dos passageiros, é convidado para noitadas

Na rua das 21h às 6h, Jadi, como é chamado pelos clientes, gasta cerca de 20 cervejas por fim de semana com passageiros que usam o serviço para curtir a noite paulistana. Foto:divulgação
Na rua das 21h às 6h, Jadi, como é chamado pelos clientes, gasta cerca de 20 cervejas por fim de semana com passageiros que usam o serviço para curtir a noite paulistana. Foto:divulgação

São Paulo tem uma das maiores frotas de táxi do mundo, com mais de 30 mil veículos. Mas, há dois anos, um deles vem se tornando o queridinho dos “baladeiros e gringos” que aproveitam a madrugada na capital paulista. Fluente em inglês e com frigobar dentro do veículo, Jadielson Rodrigues, de 37 anos, virou nova opção de “esquenta” para os frequentadores de casas noturnas e bares nos arredores da rua Augusta e nos bairros de Moema, Itaim, Vila Olímpia, Jardins e Vila Madalena.

“A primeira reação das pessoas é. ‘Nossa, táxi com cerveja?’” explica o paulistano que costuma surpreender mais ainda quando conta aos passageiros que a bebida é de graça. “Na época que eu tive ideia, umas pessoas me criticaram por acharem que eu tinha que cobrar. Prefiro ganhar a simpatia das pessoas com a cortesia para que elas fiquem felizes e me chamem numa próxima corrida”, conta sobre o frigobar instalado na frente do carro, que tem também: água, refrigerante, bebida a base de vodka e whisky, no caso de viagens mais longas.

Na rua das 21h às 6h, Jadi, como é chamado pelos clientes, gasta em torno de 20 cervejas por fim de semana com os passageiros que usam seus serviços para aproveitar a noite paulistana. “Não tem um fim de semana que não levo cliente meu na The Week. Também tem os que gostam do Beco, do Lab, do Rey Castro e do The Sailor. Isso só dos clientes fixos mesmo”, assegura ele, que agora fechou parceria com duas baladas da capital paulista. Qualquer cliente do taxista que chegar com ele na casa não paga entrada.

Depois de ter a ideia de levar bebidas para dentro do táxi, ele instalou wi-fi e comprou um iPad que disponibiliza para os passageiros em viagens agendadas. Também se gaba de oferecer um som com bluetooth para que, a caminho da balada, as pessoas possam colocar a música que quiserem ouvir no som do carro. Às iniciativas, ele atribui o aumento de clientes. Hoje, diz ele, pelo menos 30% dos passageiros são fixos. “Essas corridas são mais rentáveis que as de rua”, defende.

Histórias para contar

Focar nos baladeiros também lhe rende experiências incomuns. “Se eu vendesse drogas, eu estava rico”, brinca sobre a quantidade de pessoas que usam o táxi para tentar buscar substâncias ilegais. Além disso, não é raro que Jadi seja contratado para acompanhar os clientes em festas e nightclubs da cidade. Como na vez em que um passageiro queria a companhia dele para se sentir mais seguro. “Ele me contratou para ficar a noite inteira com ele. No caminho, ele falou: ‘Eu vou beber muito, vou ficar destruído, mas eu quero você por perto para ficar protegido’. Cara, era a semana do Réveillon. Não tinha ninguém na rua. Eram R$ 350 garantido”, lembra ao mencionar seu valor para ficar à disposição de qualquer pessoa durante uma noite.

Por vezes, também acaba tendo que entrar com clientes em casas de strip-tease da cidade. Recentemente, o convite partiu de um DJ que veio tocar em uma festa na capital paulista. Depois de entrar no táxi, aceitar uma cerveja e pagar o valor para que Jadielson se dedicasse exclusivamente a ele, o passageiro pediu para ir a três dessas casas de São Paulo. A primeira parada foi em um que fica no Jardim América. “’Você vai entrar comigo, essa noite é nossa’, ele falou. Para você ter uma ideia, ele pagou a entrada dele e a minha. Só isso já deu R$ 200”, conta. Mas a casa não agradou o passageiro, que quis ir em outro, localizado na rua Augusta.

Foi a última casa, no entanto, que surpreendeu o taxista. “É o melhor lugar do mundo. Nunca vi um lugar daquele. O lugar é tão espetacular que até contei em detalhes pra minha esposa e ela não brigou comigo”, afirma sobre a casa localizada no bairro de Pinheiros. No final da noite, além dos R$ 350 que cobrou do cliente pelo tratamento exclusivo, e das comissões que recebeu das casas noturnas por levar um cliente, Jadielson ganhou uma gorjeta de R$ 300. “Ou seja, R$ 900 em uma noite que caía um dilúvio em São Paulo. Não dava para trabalhar aquele dia”, comemora.

Mas o público que circula por bares e baladas nas madrugadas de São Paulo não garantem apenas histórias boas para contar. O taxista também já teve que lidar com os baladeiros que passam mal dentro do carro. Por conta disso, costuma não avisar clientes bêbados do frigobar no carro.

Passado hoteleiro

A ideia de se diferenciar de outros taxistas surgiu justamente quando Jadielson atendia estrangeiros que estavam hospedados na cidade. “Eu tinha colocado um cd do Pink Floyd para tocar no carro, quando um dos gringos abriu o vidro e gritou para outro taxista que duvidava que aquele táxi tinha algum álbum da banda”, relembra. A intimidade com a língua inglesa fez o taxista entender o que o passageiro falava para o colega de profissão. “Pensei que essa poderia ser uma forma de me diferenciar”, complementa.

A fluência em inglês é decorrente do seu antigo emprego. Jadielson trabalhou por 17 anos em hotéis. Formado em turismo, ele acabou demitido há pouco mais de dois anos. Na época tinha acabado de reformar sua casa e estava com uma filha recém-nascida. Como o pai é taxista, seguiu a sugestão dele e começou a usar o táxi no horário contrário, de madrugada. Agora, dois anos depois, ele está tentando montar uma franquia formada apenas por taxistas que falam inglês, em função da Copa do Mundo.

“Só pelo logo na porta do táxi, os turistas vão conseguir saber que aquele taxista fala inglês”, explica depois de mencionar que a empresa vai se chamar “English Táxi”. O evento esportivo, inclusive, já começa a gerar novos clientes durante a madrugada. “São pessoas que estão em trânsito na cidade por causa da Copa. Já tenho clientes da mídia que vai fazer a cobertura jornalística”, conta.

Fonte:IG

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