Com pátio lotado, Deprov coloca carros apreendidos nas ruas e gera problemas

Segundo os moradores, veículos chegam a ficar estacionados em frente à garagens, atrapalhando o trânsito

Foto: Wellington Rocha
Foto: Wellington Rocha

Diego Hervani

diegohervani@gmail.com

Todos os dias vários carros são apreendidos em Natal. Na grande maioria das vezes esses veículos têm o mesmo destino, a Delegacia Especializada em Defesa da Propriedade de Veículos e Cargas (Deprov-Natal), que fica localizada na rua Leonardo Drummond, no bairro de Lagoa Nova, na Zona Sul da capital potiguar. Com isso, um novo problema acabou surgindo.

O pátio para onde os carros são levados não comporta uma grande quantidade de veículos, ficando lotado praticamente todos os dias, o que acaba obrigando os policiais a estacionarem alguns desses carros apreendidos na rua, trazendo uma verdadeira dor de cabeça para quem mora próximo à delegacia. “Tem dia aqui que os policiais estacionam carros em frente às garagens, um absurdo. Eu tenho um pai que é doente, de vez em quando tenho que levá-lo para o hospital de maneira mais rápida e acabo perdendo tempo. Quando chamamos alguma ambulância, ela não tem onde estacionar. Até mesmo para sair com o carro de casa para fazer qualquer coisa é complicado. Tenho que ir na delegacia, pedir para eles tirarem os carros e esperar a boa vontade deles, pois eles só vêm na hora que querem”, reclamou a farmacêutica Maria de Fátima.

Apesar de ser uma rua tranquila, pois o tráfego é pequeno, alguns dias o local chega a ficar engarrafado. “A nossa rua é estreita e os policiais colocam os carros nos dois lados da rua. Assim, se dois carros vierem em sentidos diferentes, um tem que esperar o outro passar para continuar, o que acaba gerando um congestionamento e trazendo ainda mais problemas para nós. Todos os moradores da rua já reclamaram. Não entendo o motivo deles (policiais) fazerem isso, eles se acham os donos da rua. Já falamos que iríamos entrar na justiça, mas eles não ligam. Nossa rua era super tranquila, não tínhamos qualquer tipo de problema aqui. Porém, desde que a delegacia veio para cá que todos os dias temos que enfrentar esses problemas, que incomodam bastante”, frisou Maria de Fátima.

De acordo com o titular da Deprov, o delegado Atanásio Gomes, três fatores estão influenciando na quantidade de carros no local. “Primeiro que tem carros no pátio que não eram mais para estarem aqui. Carros que fazem parte de algum processo na Justiça e que a Justiça já deveria ter tirado daqui, mas não sei o motivo que ainda não fez isso. Outro problema é que estamos com o depósito na Zona Norte cheio e que também não está mais recebendo veículos. Também tem um depósito em Macaíba, que vinha recebendo os carros, mas que agora parou, também não sei o motivo”, argumentou.

Ainda segundo Atanásio, ele já entrou em contato com a diretoria da Polícia Civil para tentar encontrar uma solução para o problema. “Esta semana nós já tiramos alguns carros que já estavam aqui há algum tempo e sei que a diretoria está viabilizando para conseguir tirar os veículos que não deveriam mais ficar aqui na delegacia”.

Por meio da assessoria de imprensa, a Delegacia Geral da Polícia Civil (Degepol), deu a seguinte declaração. “Nós estamos tirando os carros aos poucos. Porém, precisamos de um guincho para fazer isso, infelizmente temos apenas um. Já tiramos carros que estavam em outras delegacias, mas a nossa prioridade é a retirada desses carros da Deprov e estamos fazendo o possível para solucionar esse problema o mais rápido possível”.

Prédio da Deprov bem deteriorado

Além dos transtornos que tem trazido para a população, a Deprov ainda precisa solucionar os problemas dentro do próprio prédio. Apenas um banheiro está funcionando, os outros estão entupidos, o que obriga a todos os policiais e o popular que estiver sendo atendido a utilizarem o mesmo local.

Próximo a esse banheiro, parte de um teto desabou e a outra já dá sinais de que está se deteriorando. “Isso é a qualidade da segurança que o Estado proporciona para todos. Um absurdo. Sabe-se lá quanto está sendo gasto para manter um prédio desses funcionando e ainda deixam ele ficar nesse situação. Aqui são feitos vários atendimentos todos os dias, imagina um teto desses desabar em cima de alguém”, afirmou uma pessoa que não quis se identificar.

Sobre esses problemas, Atanásio Gomes não quis se pronunciar, mas afirmou que outras questões, como a falta de impressora para fazer o Boletim de Ocorrência, além das paredes com infiltração já foram solucionadas.

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