Com retorno das negociações, rodoviários garantem circulação

Assembleia será realizada amanhã, só para informes da categoria

Greve-dos-onibus--(9)

Marcelo Lima

Repórter

Por enquanto, os natalenses que dependem do transporte público de Natal podem ficar despreocupados porque os trabalhadores do transporte público e o os empresários voltaram às negociações. Pelo menos é o que afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Rodoviários (Sintro), Nastagnan Batista, depois de mais uma mediação na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (STRE) ontem.

A rodada resultou em proposta de acordo sobre o pagamento de adiantamentos salariais atrasados, férias atrasadas e reposição de 13 dias de greve. Amanhã, categoria vai realizar uma nova assembleia geral. “É mais uma assembleia para informes. Não vamos retomar a greve, já que os empresários voltaram a negociar”, declarou.

De acordo com o líder sindical, os rodoviários recebem um adiantamento salarial nos dias 15 e 25, antes do fechamento da folha no quinto dia útil do mês. “Duas empresas, a Reunidas e a Santa Maria, estavam com esses adiantamentos atrasados e o acordo foi que seria pago”, disse Nastagnan Batista. De acordo com o presidente, as duas empresas somados possuem algo em torno de 1.200 trabalhadores.

Além disso, outros oito trabalhadores de uma empresa , segundo ele, estavam com o pagamento das férias atrasado. ” Desde o dia 19, a Reunidas estava com as férias atrasadas. A lei é clara: o trabalhador deve entrar de férias já com o dinheiro nas mãos”, acentuou o sindicalista.

Também ficou acertado que as partes discutiriam maneiras para repor os dias parados com a greve. “O pagamento deste mês será feito de forma cheia sem desconto”, informou Nilson Queiroga, consultor técnico do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Natal (Seturn).

Por outro lado, o presidente do Sintro vai levar a proposta de acordo feito ontem à tarde para a categoria em uma assembleia. “Eles querem que a gente compense esses dias com folgas ou horas extras”, disse Batista.

Para o presidente do sindicato, a greve “valeu a pena porque hoje já temos garantidos pelo menos 7,32% definido e os empresário voltaram a negociar”. No entanto, Nastagnan ressalva um ponto: “o vale alimentação foi acordado que seria R$ 10 por dia e quando levaram para julgar ficou um reajuste de R$ 10 no vale alimentação dom mês. Aí não tem condições”, considerou.

A decisão do julgamento realizado pelo TRT no dia 24 de junho ainda não foi publicado em Diário Oficial. “Esperamos que até o dia nove, quando vai haver uma nova rodada de negociação, o acórdão já tenha sido publicado para nós discutirmos a operacionalização dele”, acrescentou o consultor jurídico do sindicato das empresas de ônibus.

Seturn reconhece frota antiga

O envelhecimento da frota de ônibus de Natal causa diretamente desconforto para o usuário do transporte coletivo, mas também precariza as condições de trabalho de motoristas e cobradores, que passam boa parte do dia dentro dos veículos. O Seturn confirma que houve um envelhecimento. “Há três anos, a média de três anos e meio de vida. Essa média seria a ideal, mas hoje estamos com a média de pouco mais de seis anos”, informou Nilson Queiroga.

Segundo ele, a frota não deveria ultrapassar os sete anos de uso por uma regulamentação municipal. “Isso está se encaminhado para um verdadeiro caos. Faz dois anos que as empresas não têm condições de comprar carros novos. O município precisa sinalizar como manter esse equilíbrio econômico das empresas e cobras delas essa renovação”, analisou o consultor do Seturn.

Ainda segundo Queiroga, com a frota de cerca de 700 ônibus em Natal deveria haver uma renovação anual de 100 ônibus para manter a média de idade de 3,5 anos. Ainda segundo o consultor do sindicato patronal, o envelhecimento da frota também causa impactos na tarifa. “Aumenta os custos de manutenção e tem um impacto na tarifa é pior para todos”, disse, reiterando que o município tem a atribuição de dar atenção a esta questão para a sustentabilidade do sistema e das empresas que o operam.

Do outro lado, os trabalhadores ficam cada vez mais doentes. “Tem ônibus com 10 e até 12 anos de idade. Infelizmente essa é a realidade do nosso transporte público. Isso gera problemas para o trabalhador principalmente na questão ergométrica, principalmente de LER/DORT [Lesões por Esforço Repetitivo e Doença Osteomuscular Relacionada ao Trabalho] e doenças na coluna”, disse, sem especificar números.

Segundo Nastagnan Batista, as mãos, os pés e a coluna são as partes do corpo mais atingidas por esses males da profissão. “Trocar a marcha de um carro de 4 anos é bem diferente de trocar a marcha de um com dez ou doze anos de idade”, comparou. Apesar da pressão sofrida pelo trânsito, calor e insegurança a categoria não recebe adicionais como periculosidade ou insalubridade.

Compartilhar: