Com risco de epidemia na Copa, faltam equipamentos para combater dengue em Natal

Agentes de saúde estão em greve há 30 dias e cobram melhores condições; Cosmo Mariz, presidente do sindicato dos agentes, denuncia falta de materiais básicos

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Alessandra Bernardo

Repórter

O município de Natal corre o risco de sofrer uma epidemia de casos de dengue durante a Copa do Mundo no Brasil, que tem início no próximo dia 12 de junho, segundo denúncia do presidente do Sindicato dos Agentes de Saúde do Rio Grande do Norte (Sindas/RN), Cosmo Mariz. Ele afirmou que toda a área do entorno do Arena das Dunas e Forte dos Reis Magos, onde será realizada a Fifa Fan Fest, estão susceptíveis de serem os principais pontos de transmissão da doença e que os agentes não recebem material suficiente para identificar e mapear os locais onde há focos de criadouros do mosquitos Aedes Aegypt.

“Não há plano de contingência relacionada à Copa do Mundo em Natal e o risco do município sofrer uma epidemia de dengue é altíssimo, sobretudo nas áreas onde terá maior concentração de pessoas durante o evento. A cidade é ponto de alerta para a doença, mas os agentes que atuam na prevenção e no combate ao mosquito trabalham em condições precárias, com número limitado de materiais para as duas ações”, afirmou.

Para Cosmo, a metodologia adotada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para a prevenção e o combate à dengue colocam em risco a população natalense que reside em imóveis acima do andar térreo, já que apenas este nível seria visitado pelos agentes de saúde. Outra denúncia é com relação à limitação na quantidade de tubos de ensaios usados durante a identificação de amostras para a realização do Levantamento Rápido do Índice de Infestação (Lira), que é essencial para subsidiar as ações de combate ao Aedes.

“A ordem é visitar apenas os imóveis de andar térreo, os demais ficam descobertos. E o Lira realizado pelos agentes são imprestáveis para medir o índice de infestação porque a quantidade de tubos de ensaios usados para a coleta dos focos é controlada. Ou seja, um agente precisa visitar sete imóveis em um dia e, se ele encontrar dez focos em cada um deles, deve coletar todos, cada um em um tubo diferente. Só que isso não está acontecendo porque os agentes saem com apenas quatro ou cinco tubos para o dia todo. Isso quer dizer que a ação é insuficiente para determinar o total de imóveis infestados pelo Aedes na cidade”, explicou Cosmo Mariz.

SMS rebate denúncias de sindicato

Conforme o último boletim epidemiológico divulgado pela SMS na semana passada, Natal registrou 474 casos de dengue nos quatro primeiros meses deste ano, um número que representa redução de 31,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas 325 ocorrências. Considerado área de alerta e sofrendo com a greve dos agentes de saúde, que estão paralisados há mais de 30 dias, o município teve suas ações de prevenção e combate prejudicadas.

Segundo o chefe da Divisão de Controle de Dengue da SMS, Lúcio Pereira, Natal hoje é área endêmica, ou seja, quando os casos são registrados apenas em determinados locais. Ele disse que, mesmo com a greve dos agentes, as ações vêm sendo realizadas da forma que é possível e rebate as denúncias de falta de materiais, feitas pelo Sindas/RN.

“Eles não têm embasamento técnico para dizer isso e, quanto aos tubos de ensaio, a última informação que tive é que há sim material suficiente para o trabalho de campo. Além disso, estamos aguardando o fim da greve para fazer o novo Lira e assim, intensificar as ações de prevenção e combate, que estão comprometidas pela greve. Já o plano de contingência foi posto em prática no final de abril e início de maio passado”, explicou Lúcio Pereira.

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