Com Stephen Hawking

Não gosto de ciência, Senhor Redator. E aviso: não esnobo, é pura frustração. Quando fugi do curso científico e, como…

Não gosto de ciência, Senhor Redator. E aviso: não esnobo, é pura frustração. Quando fugi do curso científico e, como pobre refugiado, fui cair no antigo curso Clássico do Atheneu, a sensação foi de alívio. Estava livre do terror da matemática, física e química. E se dali saísse para ser um bacharel em Direito, estaria de bom tamanho para um pobre rapaz da Rua da Frente. Mas, um ano depois, deixei a faculdade absolutamente convencido de que, se insistisse, seria o advogado mais medíocre do mundo.

Assim, de medo em medo, fui bater na velha e generosa Faculdade de Jornalismo Eloy de Souza, onde já estudava Rejane, a namorada. Era bom. Namorávamos todas as noites no pequeno pátio de um curso que, por ser noturno, e apesar da dedicação dos seus professores, não fazia exigências metafísicas. A vida também era mais fácil. E assim segui as águas mansas do rio ao longo de quatro anos até que um dia, de canudo na mão, descobri que era muito pouco, quase nada, para quem prometera tanto aos pais.

A frustração de não atendê-los ficou até hoje, e a mim, por incrível que pareça, nunca foi dada a chance de explicar que o filho quase advogado frustrou-se quando foi trabalhar como simples auxiliar de bibliotecário no Tribunal de Justiça. O Direito não era bem aquilo que chagava por entre as frestas dos volumes vermelhos da Revista Forense e escapava dos códigos. Menos por defeito dos doutores e muito mais por defeitos meus. Arrumei o sonho na bruaca e nunca mais pensei, sinceramente, em ser doutor.

Hoje, aos 63 anos, quarenta de formado, com o diploma de jornalismo tornado inútil por decisão do Supremo Tribunal Federal como propôs, frio e impiedoso, o ministro Gilmar Mendes, graças a Deus sou um homem sem profissão. E agora vejo que foi melhor. Quem atestaria por mim a ciência que não tenho? Se nem na arte de sobreviver sou vitorioso, se sou apenas um homem feio e mal vestido como disse aquela madame jovem, rica e bem vestida, espargindo a sua falsa beleza como um vinho podre?

Nem por isso, Senhor Redator, pelo declarado desemparo intelectual em que vivo por nada saber de ciência, deixo passar as boas entrevistas. Agora mesmo acabei a leitura das três páginas na Folha de S. Paulo da conversa de José Edelstein, físico argentino, com Stephen Hawking na sua sala da universidade de Cambridge. Um gênio. E sem a dissimulação do falso gênio que não muda de opinião quando erra. Como no caso da teoria do Buraco Negro que defendeu e descobriu que não era verdade.

Com ele, O Senhor do Tempo, fica mais fácil entender que o milagre da inteligência humana vai além dos cálculos. Há algo de metafísico, incompreensível para o homem. Ele mesmo em determinado trecho da conversa, com suas palavras emitidas por sintetizador de voz, afirma: ‘o futuro da humanidade e da vida na terra é muito incerto. Corremos o risco de nos destruirmos graça à cobiça e estupidez’. E a seguir, genial e simples, lamenta: ‘Não se faz a paz falando com os amigos, mas com os inimigos’.

 

FESTA

Será festivo o almoço de aniversário da ex-governadora Wilma de Faria dia 17, no Versailles. Nada impede que se transforme no lançamento de sua candidatura ao governo. Só se o wilmismo tiver medo.

BRILHO

Ninguém pode negar a capacidade de enfeitiçar do vereador Júlio Protásio. E é por isso que o prefeito Carlos Eduardo Alves pediu para ele voltar. A oposição sumiu e o plenário virou uma avenida asfaltada.

PERIGO

O acordão modelo 2014 pode se transformar em grande desgaste para a imagem da governadora Wilma de Faria. Ela lembra a vitória que teve contra Garibaldi e a derrota que sofreu contra Micarla de Souza.

 FRASE

Convenhamos: quando nada, é sincera e corajosa a declaração do ex-senador Fernando Bezerra a este JH quando reconhece que o PMDB está nas mãos de Wilma. Seria milagre ou uma vingança do tempo?

RECORDE

Quando a economia pensava que o recorde de lucro seria do Bradesco, com pouco mais de R$ 12 bilhões, vem o Itaú e joga seu lucro líquido para R$ 15,7 bilhões. Com três bilhões acima do Bradesco.

CASCUDO

O Governo garantiu R$ 1 milhão de reais com a Petrobrás para instalar o Memorial Câmara Cascudo dentro de um projeto virtual que mostra a vida e a obra do maior folclorista do Brasil. E ainda em 2014.

FOLIA

Dos R$ 1,4 milhão do carnaval de Natal cerca um terço é via a lei Câmara Cascudo de incentivo. O que mostra a distorção desse tipo de lei que investe dinheiro público com os eventos falsamente passageiros.

HUMOR

De um wilmista diante da notícia de que a governadora Rosalba Ciarlini espera ter o apoio do PMDB para sua reeleição: ‘Não duvido. Na política daqui a vergonha não serve nem para fazer um mata-burro’.

LUTA

Mossoró não tem sossego. Defenestrada a prefeita Regina e os seus apaniguados, o novo prefeito e seus edis elevam a folha de pessoal de tal maneira que segundo os jornais de lá explode a qualquer momento.

PÓS

Quem avisa, e logo muito cedo, é a poetisa Marize Castro: vai a São Paulo para o lançamento do livro ‘Hiperconexões: realidade expandida’, uma antologia organizada por Luiz Bras, lançada pela Terracota.

NEM

Por isso, no poema, à sombra do mundo pós-humano, Marize é menos humana nos seus versos ardentes: ‘… não há escolha: / deitada (ainda nua) / laminada de rosa / grafita a esperança / da caverna-árvore’.

PÚBIS – I

A Folha de S. Paulo abriu uma página para aquilo que os franceses chamam de ‘tendance’ em matéria de pelos pubianos: caiu a moda das genitálias depiladas a zero e voltou a sensualidade dos pelos fartos.

COMO – II

Nada de desenhos geométricos, recortes, bigodinhos e arabescos. Há de ser natural, em si mesma, sem mais nada. Sem adornos e sem enfeites. Caverna secreta e misteriosa sob a floresta negra, vasta e bravia.

SE – III

É assim, então é citar os versos de Vinícius de Morais no Soneto de Agosto, no último terceto: ‘Quisera que te vissem como eu via / depois, à luz da lâmpada macia / o púbis negro sobre o corpo branco’.

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