Comandante da PM em Caicó denuncia: “Há 2 anos crimes não são elucidados”

Em entrevista a rádio Caicó AM, major Walmary Costa relatou dificuldades enfrentadas pelo 6º Batalhão

Major Walmary Costa revelou a precária estrutura de segurança em Caicó. Foto: Divulgação
Major Walmary Costa revelou a precária estrutura de segurança em Caicó. Foto: Divulgação

Em entrevista ao programa Panorama Caicó, na rádio Caicó AM, ontem, o comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar do município, major Walmary Costa, revelou a falta de estrutura a que é obrigado a trabalhar. Segumdo o policial, atualmente o 6º BPM chega a operar com menos de 50% dos veículos disponíveis e sem recursos para consertar as demais. “Essa é a realidade, eu sei que algumas pessoas podem até não gostar, mas eu tenho que dizer o que estou sentindo”, desabafou o comandante.

Durante a participação no programa, o major Walmary Costa confirmou que já utilizou da gratificação do governo que recebe como comandante para o conserto de viaturas policiais. Ele ainda afirmou que na semana passada o pneu de um veículo foi consertado porque um oficial pagou o reparo, e que a mesma prática tem sido adotada por comandantes de outros batalhões no Estado.

“Isso não acontece comigo constantemente, mas se acontece eu não posso esperar que uma licitação seja feita. Nós não podemos parar por causa disso”, disse o major a O Jornal de Hoje, acrescentando em seguida que vem conseguindo fazer seu trabalho apesar das dificuldades encontradas. “Como o orçamento disponível para 2014 ainda não foi repassado, nesse início de ano tive de fazer, mas espero que nos próximos meses isso se resolva. Eu recebi no ano passado R$ 17 mil da Prefeitura de Caicó para empregarmos durante o ano todo no Batalhão, em peças de viatura. Eu tenho um Batalhão com 450 pessoas que trabalham sob meu comando, com várias viaturas para consertar”, disse na rádio.

A diária operacional e o número de efetivos na rua foram outras queixas relatadas pelo comandante. Segundo ele falta verba para a diária e concursos devem ser realizados o mais rápido possível. “Como eu vou planejar uma operação policial, se não tem a diária operacional. Fica difícil. Ficamos desestimulados. É necessário para que a gente dê uma resposta à população, todas as viaturas funcionando e adequadas para o terreno de Caicó”, disse.

Ainda de acordo com o major, “não adianta a gente esconder as coisas e dizer que está tudo 100%. Não está. Nós temos condições de combater, estamos fazendo isso, até tirei férias para resolver um problema particular, e quanto retornei fiquei surpreso com a quantidade de crimes que aconteceram em Caicó”.

Em Caicó, o 6ºBPM, é responsável por coordenar a segurança ostensiva de mais oito municípios, entre eles, Cruzeta, Florânia, Jardim do Seridó, Jucurutu, Ouro Branco, Santana do Matos, São José do Seridó e Tenente Laurentino Cruz. Segundo o major, a criminalidade nesses municípios está aumentando a cada dia e, para piorar a situação, o setor de investigação criminal da Polícia Civil está fragilizado.

“Nos últimos dois anos desconheço um caso, principalmente de homicídio, que foi elucidado pela Polícia Civil. Quando na realidade é função dela, mas isso não é culpa do delegado e nem dos que a fazem. Quando a população não vê um assassino preso ou conduzido a delegacia, tem uma sensação de insegurança muito grande”, finalizou.

 

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