Começa a corrida pelos “saldões” de fim de ano na capital potiguar

Recomendação para os clientes é pesquisar muito em busca dos descontos e melhores preços nas lojas

Lojas devem oferecer bons descontos aos consumidores para renovar seus estoques antes das novas coleções surgirem. Foto: Divulgação
Lojas devem oferecer bons descontos aos consumidores para renovar seus estoques antes das novas coleções surgirem. Foto: Divulgação

Marcelo Hollanda
hollandajornalista@gmail.com

Com uma queda de vendas já confirmada e estoques precisando ser desovados com urgência, tudo o que o consumidor pode esperar agora são descontos agressivos e bons negócios – desde que ele esteja disposto a pesquisar e queimar sola de sapato.
Dernerval Júnior, presidente da Associação de Lojistas do Midway Mall (Alomid) lembra que, pelo menos na área dos shoppings, as datas promocionais do ano não incluem os “saldões” de final e começo de temporada.

“Em geral as estratégias ficam para as grandes redes varejistas; no resto do comércio, as promoções são resolvidas espontaneamente”, diz ele.
Uma coisa, porém, é certa: as liquidações reais – aquelas que não são produto do marketing e da estratégia de elevar os preços para dar o desconto – as liquidações deste ano devem atingir patamares bem maiores.

Para o superintendente da Associação Comercial do RN, Adelmo Freire, o mínimo que pode-se esperar é descontos reais de 50% em confecções por causa da necessidade dos lojistas de mudar de coleção.

Já Derneval Júnior diz que esses descontos atingirão especialmente os mostruários nas lojas de roupas, mas principalmente linhas de eletrodomésticos onde o saldo de estoque é planejado com antecedência e faz parte da tradição de queimas do varejo.

Com os balanços nas lojas, ficará claro para os varejistas como foi o Natal deste ano. Pelos números nacionais, foi um dos piores dos últimos anos, pois muita gente puxou o freio de mão na hora de comprar. Essa atitude, conforme publicou o JH numa sondagem às vésperas do período natalino, levou mais gente ao comércio, mas gastando menos nas compras.

No Midway Mall, no Natal Shopping e no Norte Shopping, centros de compras importantes e que receberam pesados investimentos no último ano, as liquidações do tipo saldão não estão sendo divulgadas, mas existem individualmente.

O mesmo deve acontecer com o comércio popular, que este ano registrou um crescimento substancial no número de consumidores em relação ao ano passado, mas com menos desembolso na hora de adquirir produtos.

O dado importante também revelado pelo JH esta semana é que houve um sensível deslocamento de consumidores este ano dos shoppings para o comércio popular. Isso não significa que eles trocaram de comércio na hora de comprar os presentes de Natal, mas reservaram boa parte da receita do 1/3 salário para comprar em locais com preços menores – o que não é o caso do shopping, onde os custos dos lojistas são elevados. Isso deve ter aumentado consideravelmente as compras pela internet, mas não há fonte de dados que monitore esse fenômeno da virtualização.

Enquanto isso, no mundo das compras concretas, em 2013, o  “ticket médio” dos consumidores -  uma conta que indica ao lojista quanto ele está tirando em média de cada transação – foi bem menor.

Para chegar a esse resultado, o varejista divide o valor total faturado no período pelo número de vendas. É o resultado que dirá como anda a saúde de seus negócios e a vitalidade financeira dos consumidores.

Saber quanto o consumidor gastou em média em cada compra e de quanto foi exatamente essa queda em relação ao Natal de 2012 nunca é uma conta certa. A julgar pelas duas semanas que antecederam ao Natal, segundo Adelmo Freire, esperava-se já uma redução não em relação às vendas de 2012, mas uma sensível diminuição no crescimento dessas vendas. E isso aconteceu no Brasil todo.

Em São Paulo, que é o melhor termômetro do comportamento do varejo, o Índice de Confiança do Consumidor registrou em dezembro 136,6 pontos, em uma escala de 0 a 200 pontos, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP).

Entre dezembro e novembro, porém, essa confiança recuou 1% e, na comparação com dezembro do ano passado, 15,6%.

Adelmo Freire, que se especializou na observação do comércio local, explica que essa situação reflete o que acontece com as finanças das famílias, onde aumentou o endividamento e os efeitos da inflação foram imediatamente percebidos.

Contudo, ele acha que essa queda ainda pode ser revertida em parte com a chegada do novo salário-mínimo às contas dos trabalhadores, o que pode ajudar muito os “saldões”neste final de ano velho e começo de ano novo.

Segundo dados que acabam de ser divulgados pelo SerasaExperian, este Natal foi o mais fraco dos últimos 10 anos, fundamentalmente por causa do crédito escasso, além do dólar e juros mais altos.

Segundo a mesma fonte, o acréscimo de vendas na semana natalina foi de apenas 2,7% – a menor variação em 11 anos. A queda atingiu até os shoppings, onde estão os maiores perfis de lucratividade. Lá, houve um acréscimo de receita de apenas 5%.

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