Começo de temporada

Amistoso de começo de temporada é sobra de homem feio em baile: o jeito é dançar com a irmã. Emoção…

Amistoso de começo de temporada é sobra de homem feio em baile: o jeito é dançar com a irmã. Emoção nenhuma. Tesão de isopor.  É melhor ficar na mesa, bebendo. O  jogo do ABC serviu   como percurso da estrada do nada ao lugar nenhum.

Escolheram um adversário mediano da Paraíba e um garoto das bases fez o gol do 1×1 que nem deve ser criticado. Serviu apenas para os fanáticos saudosos das camisas, do suor, da atmosfera do estádio.
O time ainda está se conhecendo. Um sabendo como o outro se coloca. Parece começo de ano escolar das antigas. Quando a turma era de veteranos, parecia que ninguém mudava de série.

Um  padrão de camaradagem, nego sabendo onde pisa, retomando namoricos, praguejando professores ferozes. Contando detalhes sobre as férias, caprichando nas mentiras,inventando brigas que ganhou ou recriando as que perdeu.

Quando entravam novatos, as meninas ficavam esperando caras bonitos, os malandros recorrentes tratavam de enquadrá-los e de mostrar como funcionavam as regras da liderança e antiguidade e os colocavam no seu cantinho.

Depois – salvo os insuportáveis xiitas- havia  uma tendência ao espírito de grupo, os sábios ajudando aos burros na cola durante as provas  e as naturais divisões. Quem gostava de futebol, de mulher, quem não gostava. No script das cadeias, dedo-duro sempre foi  amaldiçoado. Isolado. Proibido de cumprimentar a malta. Era bullying e muito  justo.

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O ABC manteve quatro titulares que encerraram a bela arrancada final da Série B. Segurou o polivalente Somália, o volante Edson Paulista, o atacante Gilmar – hoje o mais talentoso do time e o meia-atacante Júnior Timbó, que está contundido e só volta no Campeonato Brasileiro.

Renovou contrato com jogadores absolutamente dispensáveis, como o zagueiro Gilson e os volantes Cardoso e Michel Smoller. Com o dinheiro dos três, suponho, daria para se trazer um jogador pronto, sem expectativas e otimismos baseados em informações sem o menor compromisso com a isenção.

Vem dos tempos do falastrão debochado Márcio Braga, quando comandava o grande Flamenho dos anos 1970, a tese perfeita: se é pra trazer perna-de-pau, vamos fazer os craques em casa. E o Flamengo formou alguns até razoáveis: Zico, Júnior, finado Geraldo, Adílio, Leandro, Andrade, Tita, Vítor, Júlio César Uri Gheler, Mozer, Aldair, Leonardo, Djalminha e Zinho.

O programa educacional, os professores omitem fundamentos. Se forem eles próprios ensaiar embaixadinhas, será vexame. Deformaram a metodologia  e as escolinhas estão acabando. Jogador tem que pagar para treinar e os meninos que aparecem, se assemelham a gigantes do basquete, maratonistas do atletismo e a lutadores de UFC.

O Brasil é um dos grandes produtores mundiais de zagueiros(vergonha) e os pobres habilidosos perderam o lugar vitalício na criação. Falta o abusado do drible curto, do toque estilista, da invasão sambando na área. O ABC não é diferente da maioria dos times brasileiros.

O alvinegro contratou uns 14 desconhecidos para remontar o time. Fazer o eixo daquilo se verá no Brasileiro. Perdeu seu goleador Rodrigo Silva e anunciou timidamente os subtitutos. Deixa que atuem pra se formar uma opinião  isenta.

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O ABC não pode montar uma miniatura de Barcelona para disputar uma Copa RN esdrúxula. O ABC tem culpa pela perda da Copa do Nordeste, torneio motivado, regionalizado e de torcidas animadas.

O ABC paga por um 2013 lamentável até a chegada do técnico Roberto Fernandes. Antes,foi comandado por três sujeitos abaixo de sua história. Ademir Fonseca, Paulo Porto e Waldemar Lemos nunca foram  técnicos para o ABC.

A besteira, individual ou coletiva, é responsável pelo obtuso trio e seus jogadores bisonhos. Lá vai o ABC para o disfarçado Matutão que é a Copa RN,  com absoluto respeito ao Matutão.

Ano passado, assisti a um jogo da Copa RN em São Gonçalo. Por insistência de um amigo de fé. Tomei como penitência. Uma pelada. Dos 22 em campo, ninguém que pudesse merecer uma nota 4,5. Só chutão. Grama limpinha, esperando a espancada bola rolar, inutilmente. Não havia tabelas, passes ou chutes. Apenas botinadas.

Paguei algum pecado e tomei Naprosyn 500mg forte e implacável. Crânio em frangalhos. Uma das maiores enxaquecas desde 1970, quando nasci. Fui curado pelo médico Mário Emílio Dourado, filho do saudoso radialista Mário Dourado, primo do meu cardiologista Eduardo Lemos(não somos parentes, melhor, somos amigos) e sobrinho do querido companheiro de lutas do meu pai, Marcos.

Mário Emílio, antes de se tornar referência em Neurologia, foi meia-armador juvenil do ABC. Formava trio com Alciney e Adalberto, dois craques. No time de hoje, ninguém lhe tomaria a camisa 8. Mário Emílio jamais jogaria uma Copa RN com a sua inteligência. Tabelaria ao vento. É melhor deixá-lo  no consultório para me atender.

 

América é diferente
No dia 12, contra o Botafogo(PB), o América vai repetir quase o time inteiro da Série B, com retornos e o ambiente novo com Gustavo Carvalho na presidência. O torcedor pode esperar um jogo razoável, pois o adversário vem de um título brasileiro da Série D e disposto a subir para a B este ano.

Conjunto
O América entra 2013 com o time montado e sem sentir a falta da contratação sempre usada como deculpa por todos os clubes: o entrosamento. O técnico Leandro Sena é só trabalhar tranquilo, com o apoio do pai, Sena, dos   maiores artilheiros que o país conheceu nos anos 1970.

Rogério Marinho
O ex-deputado Rogério Marinho será executivo do ABC convidado pelo grupo que comanda o clube. O presidente não renuncia, mas está suspenso. O vice esbarra em limitações particulares. Rogério Marinho dará as cartas.

Não vai ser fácil
Mas se Rogério Marinho pensa que será fácil, pode preparar o verbo. Há reações fortes nas redes sociais e não apenas do ex-presidente Leonardo Arruda, como alguns estão insinuando.

Política
Muita gente é contra a presença de Rogério, por considerar seu projeto político. Não vejo por aí. Outros alvinegros comandaram o clube exercendo mandatos. Rogério hoje, no máximo, é um candidato.

Judas
A solução de Rogério vice, afasta a possibilidade de  confronto duro com o ex-presidente Judas Tadeu, que  articulava chapa com Leonardo de vice. Mas Rubens Dantas disse que não sai.

10×0
O América tomou dois e o Alecrim, oito. Vergonha na Copa São Paulo.

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