Artesãos lamentam em Natal: “Esse povo só veio atrás de cachaça e Copa”

Neste sábado, alguns turistas brasileiros procuravam souvenirs. Comerciantes esperam que julho seja mais promissor

Foto: José Aldenir
Foto: José Aldenir

Logo no início da Copa do Mundo em Natal, os comerciantes de artesanato já percebiam que a imensidão de turistas estrangeiros na cidade havia excluído a arte tradicional local da sua lista de compras. Depois de passado inclusive o movimento residual, o infeliz prognóstico se confirmou.

Num dos pontos mais de maior movimentação turística da cidade, avenida Engenheiro Roberto Freire, o box Aguapé, incrustado numa feira de artesanato teve uma movimentação pior do que a esperada para um período de baixa estação, como é classificado o mês de junho.

De acordo com a vendedora do box, Ana Paula Bezerra, as vendas nos mês passado não chegaram nem a metade de um período de baixa movimentação. “Foi menos que 50%. A gente pode supor que a venda numa manhã de baixa estação vende R$ 6 mil, esse valor dobra na alta estação. Mas em junho não chegou nem a metade disso”, explicou.

Com quatro anos trabalhando com o consumidor de artesanato, ela observou que os maiores compradores da nossa arte tradicional e outros artigos turísticos são os próprios brasileiros. “Geralmente quem compra mais bordados e essas coisas são mais o turista daqui do Brasil. Os estrangeiros compram mais camisa de time mesmo”, declarou.

“A gente via que tinha muito turista, mas eles não compravam. Uma coisa que assusta mesmo”, concluiu. O box também não fez nenhum investimento especial para o período de Copa do Mundo.

Para Ana Paula Bezerra, os poucos turistas brasileiros que viajavam no período de junho deixaram seu passeio para outra data em função do encarecimento da hospedagem nos hotéis e passagens aéreas para as cidades-sede do campeonato mundial.

Também na avenida Engenheiro Roberto Freire, mas em outro ponto de vendas de artesanato, os comerciantes de artesanato também reclamam. Um deles é Davi Ramos. Quando perguntado sobre o desempenho de vendas durante o período de Copa em Natal, ele acena com o dedo polegar apontando para baixo. “Graças a Deus não fiz nenhum investimento extra. Esse povo só veio atrás de cachaça e de Copa”, opinou.

Ele ainda recebeu consumidores de algumas nacionalidades, como ganeses, que realizaram a festa Ghana in Brazil praticamente vizinho ao box de Davi Ramos no Ponto Sete em Ponta Negra. “Os ganeses levaram muita camisas da seleção, mas só isso. Os japoneses também passaram por aqui, mas não levaram nada”, contou.

Durante a manhã deste sábado, alguns turistas brasileiros já procuram lembrancinhas para levar de volta para seus estados. “O que a gente está esperando agora em julho é o pessoal de muitos estados onde não teve Copa”, falou o comerciante. Apesar da divulgação espontânea em meios de comunicação do mundo todo, falta uma política constante de divulgação do Rio Grande do Norte e dos destinos indutores do turismo. “Tenho seis anos de mercado, ainda peguei uns dois anos que Natal tinha um movimento bom, mas agora”, finaliza reticente.

O Jornal de Hoje também mostrou que durante o mês de junho outros empreendedores do turismo – locadora de carros, passeio de dromedários, bugueiros – tiveram suas expectativas frustradas diante do contingente de turistas nacionais e estrangeiros na cidade. O Ministério do Turismo tinha a expectativa que mais de 170 turistas na capital.

Apesar dos resultados desanimadores, uma das principais bandeiras de cartão de crédito do mundo anunciou que em Natal houve um crescimento de 851% de gastos de estrangeiros com o dinheiro de plástico no período de 12 a 26 de junho (um dia antes e dois dias depois da última partida). Neste quesito, Natal só perdeu para Cuiabá. Os estadunidenses foram os que mais pagaram produtos e serviços com cartão da bandeira Visa.

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