Comerciantes registram prejuízos com cancelamento
Quem trabalha à beira da praia de Ponta Negra já estava precavido: o reveillon 2013 seria fraco. Com o lixo onipresente em cada esquina, o calçadão carcomido pelas marés e pelo abandono do poder público, a notícia de que nenhuma festa seria organizada pela Prefeitura era o desfecho do colapso administrativo das duas últimas temporadas. Seriam apenas fogos de artifícios para registrar o fim de um ano a ser esquecido para quem vive em uma das cidades mais visitadas do Brasil.
Mas o que parecia improvável, depois do paliativo proposto pela secretaria de turismo estadual, virou realidade: custeada às pressas pelo Governo do Estado, a queima de fogos, que aconteceria em um terreno ao lado da ladeira de subida da avenida Erivan França, foi cancelada após o Ministério Público detectar perigo na configuração do show pirotécnico e determinar o isolamento de uma área maior do que a que o Governo interditaria. O resultado para comerciantes foi um novo prejuízo com produtos estocados com a drástica redução dos clientes na noite da virada de ano.
“Quando o cliente chegava e sabia que não teria os fogos, ele ia embora chateado. Imagine viajar de longe para curtir com a família e não ter nada? Mas só veio turista desavisado, que não sabia da situação de Natal”, lamentou o auxiliar administrativo, Clécio Ribeiro, também caixa de um dos restaurantes mais estruturados da orla. O estabelecimento comprou vinte caixas de cerveja e vendeu apenas cinco. “Aqui tá assim: os empresários se juntando para pagar por uma coleta de lixo, porque tem mosca que não acaba mais”.
A reclamação ganhou o reforço do garçom Elias Barbosa, há dois anos colega de trabalho de Clécio. “Até as 22h, o salão estava lotado. Mas quando anunciamos que, a partir daquele momento, iríamos cobrar pela mesa, o que mais ouvi foi: ‘Então, nós vamos embora’. E olhe que era barato [R$100 por 6 pessoas]. Ano passado, eu tirei uns R$200, R$220 de comissão. Esse ano, mal deu R$140. Fechamos a cozinha às 12h20. No réveillon! O normal era ir até 03h”.
Em frente ao restaurante, nas imediações do quiosque 07, uma pilha de dejetos cria uma nuvem pútrida que sufoca até o mais otimista dos visitantes. Às 10h30 da manhã desta quarta-feira (02), a reportagem viu a chegada de garis da Urbana que iniciaram a retirada de aproximadamente oito toneladas de lixo. O encarregado de setor, Ronaldo Silva, coordenava a equipe com vinte homens que tentavam amenizar a situação. “Trabalho há 27 anos na Urbana e posso assegurar que é o pior momento da história”.
Funcionário do bar/mercado Conveniência da Praia, Claúdio Henrique fala em 35%, 40% de prejuízo com o investimento na festa que não houve. Ainda que seja possível estocar água, cerveja, espumantes e comida, a compra acima do necessário para um dia normal deixou um rastro de decepção. “Aqui está cheio de lixo, buraco, não tem banheiro, que é uma das maiores reclamações dos turistas, e ainda não teve um réveillon decente. Sabíamos que não seria dos melhores, mas vendemos muito abaixo do esperado”.
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