Comerciantes temem deixar o Mercado da 4, após estrutura ser condenada

Fissuras e rachaduras em paredes foram detectadas em laudo do Bombeiros e Semsur

Além dos problemas encontrados pela vistoria, cenário de abandono  e sujeira são motivos de reclamação de comerciantes e clientes. Foto: Heracles Dantas
Além dos problemas encontrados pela vistoria, cenário de abandono
e sujeira são motivos de reclamação de comerciantes e clientes. Foto: Heracles Dantas

Fernanda Souza
fernandasouzajh@gmail.com

A estrutura física do tradicional do Mercado Público da Pedra, conhecido como ‘Mercado da 4′ no bairro do Alecrim, está condenada. Esta semana, equipes de engenharia da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) fizeram uma visita ao local e detectaram fissuras e rachaduras nas paredes e em várias estruturas, oferecendo inclusive risco de desabamento.

De acordo com Jonas Mendes, diretor do Departamento de Feiras e Mercados da Semsur, além do laudo emitido pelo Departamento de Engenharia do órgão, também há o laudo do Corpo de Bombeiros, que identificou graves problemas na rede elétrica e presença de árvores muito próximas aos fios elétricos. “É importante deixar claro que não existe determinação por parte da Semsur de interditar o local. Os permissionários devem continuar trabalhando até conseguirmos encontrar uma solução. Há uma recomendação do nosso Departamento de Engenharia dizendo que uma reforma simples não resolveria a situação e o ideal seria a reconstrução do mercado, mas não temos orçamento para esse fim. Este ano as prioridades são o Mercado das Rocas, da Redinha e o da Seis, mas isso não significa dizer que não vamos trabalhar com um projeto voltado para o Mercado da 4. Mas a decisão fica a cargo do Prefeito e do secretário [da Semsur] Raniere Barbosa”, disse.  Jonas ainda informou que um memorando para a poda as árvores dentro do mercado está sendo encaminhado para o Departamento de Paisagismo, responsável pelo trabalho.

Na manhã desta quinta-feira (16), o clima era de apreensão entre os comerciantes do Mercado com a possibilidade de deixarem o lugar que gera o sustento de centenas de famílias.  Luiz Bezerra dos Santos trabalha há mais de 25 anos no local e conta que a situação só faz a piorar com o passar dos anos. “Quando comecei aqui a estrutura era antiga, afinal já são 40 anos de mercado. O lixo também é um grande problema, mas ultimamente até estão passando para tirar, mas como não há uma fiscalização volta tudo de novo. Se esta estrutura física está condenada, acredito que a melhor solução é fazer uma reforma por etapas, porque se fechar vai ficar gente sem trabalhar”.

Geraldo Dutra, proprietário de uma relojoaria, lamentou o que chama de esquecimento pelos gestores públicos. “Entra prefeito e sai prefeito, as promessas de melhoria são as mesmas. Se a gente não tivesse que tirar do próprio bolso para ajeitar uma coisa e outra, isso aqui já tinha caído.

Só há dois banheiros para milhares de pessoas que trabalham e que circulam por aqui e praticamente somos nós que fazemos a limpeza de tudo. Também vários aqui tiveram que se cotizar para construir uma calçada e colocar a barracas. Se não vão fazer a reforma, seria muito bom que nos concedessem facilidades de empréstimos para que a gente mesmo fizesse pequenas reformas”.

Já o comerciante José Alves da Silva, proprietário de um boxe de venda de eletrodomésticos usados, critica a falta de organização e a sujeira do lugar. “Aqui ao lado tem uma pilha de lixo e papelão. Quando cheguei aqui até era organizado, mas de tanto fazerem gato deu problema na rede elétrica. Já ficaram de reformar quatro vezes, mas até agora nada. Há uns cinco anos também era frequente o arrombamento de boxes, mas nos unimos e estamos pagando um segurança”.

Edna Maria Ribeiro, uma das mais antigas comerciantes do lugar, reclamou da presença de marginais. “Aqui está cheio de maconheiro, bandido, e em qualquer horário. Falta segurança, luz nos postes, mas aqui é o meu ganha-pão e tenho que continuar”.

Gilberto Soares, administrador do Mercado da 4, conta que tem a função de identificar problemas e informar à Prefeitura, mas concorda com o estado de abandono em que se encontra o lugar. “Boa parte dos boxes estão destruídos, a estrutura está deteriorada e há muita sujeira e falta segurança mesmo. Informo os problemas à Semsur, esse é o meu papel. Quando chegamos aqui, a gestão passada tinha deixado situação bem pior”.

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