Comércio acredita que vendas crescerão apenas 0,5% neste natal

Queda deverá ser de meio ponto percentual em relação a 2012, segundo Associação Comercial

Adelmo Freire, da Associação Comercial do RN: “Não foi o que esperávamos”. Foto: Divulgação
Adelmo Freire, da Associação Comercial do RN: “Não foi o que esperávamos”. Foto: Divulgação

Marcelo Hollanda
hollandajornalista@gmail.com

Faltando poucas horas para o Natal, o comércio está revisando em 0,5% para baixo a expectativa de crescimento nas vendas da capital potiguar em relação ao mesmo período do ano passado.

O movimento nas lojas no último final de semana foi decisivo para que se estimasse essa queda. “Não foi o que esperávamos, indicando que a alta do dólar e consequentemente dos juros, tudo isso associado à retração do crédito, freou um pouco mais o ímpeto dos consumidores”, comentou hoje o superintendente da Associação Comercial do RN, Adelmo Freire.

Segundo ele, as projeções anteriores do comércio indicavam um aumento de 6% nas vendas de Natal sobre o ano passado, mas isso não deverá se confirmar. Em 2012, o RN cravou um aumento nas vendas em relação à 2011 da ordem de 6,5%, colocando-se entre os três melhores resultados do varejo no país, num período em que a média nacional de 4,5% foi considerada a pior dos últimos 10 anos.

Há oito anos Adelmo Freire monitora de perto o comportamento do varejo potiguar, desde que ocupava a superintendência da Câmara de Diretores Lojistas de Natal (CDL). Mas é nas duas últimas semanas que o trabalho desse observador aumenta, pois é nesse período imediatamente anterior à festa é que as famílias revelam sua real disposição para o consumo.

É normalmente nos últimos dois finais de semana que antecedem o Natal é que os consumidores pisam no acelerador, obedecendo a lógica de usar o sábado e o domingo para gastar mais.

Em períodos normais, é sempre no começo e no final de cada mês que as vendas disparam em média 40%. Agora, nos dois fins de semana que antecedem o Natal esse crescimento descola do normal e atinge a casa dos 70%.

Diz Adelmo Freire que só o horário estendido do comércio representa para o lojista um incremento de 15% no faturamento. “Embora o custo do empresário acompanhe esse crescimento, é inegável a importância de se manter o comércio funcionando por mais quatro horas em períodos especialíssimos do calendário, como o Natal”, afirma.

O montante de todo o dinheiro do 13º salário, dividido em duas vezes – sendo a última depositada na conta dos consumidores até o próximo dia 20 – representa aproximadamente 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

Como essa renda adicional beneficia não só os trabalhadores ativos do mercado formal, como os aposentados ou pensionistas, o Natal para o comércio começa a ser preparado desde outubro, quando acontecem as contratações para o fim do ano e os cursos de qualificação de novos vendedores.

Pouco mais de 1,1 milhão de potiguares foram beneficiados com um rendimento adicional de R$ 1.274,15, em média, segundo estimativas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

Os valores estimados pelo DIEESE levam em conta dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), ambos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Também foram consideradas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a 2012, e informações do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) e da Secretaria Nacional do Tesouro (STN).

O DIEESE considerou todos os assalariados com carteira assinada, empregados no mercado formal, nos setores público (celetistas ou estatutários) e privado que trabalhavam em dezembro de 2012, acrescido do saldo do Caged do ano de 2013 (até setembro). Da Pnad, foi utilizado o contingente estimado de empregados domésticos com registro em carteira. Foram considerados ainda os beneficiários – aposentados e pensionistas – que, em agosto de 2013, recebiam seus proventos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e os aposentados e pensionistas pelo regime próprio da União e dos Estados. Com relação aos valores, para a estimativa do montante a ser pago aos beneficiários do INSS, foi usado o total referente a agosto deste.

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