Comércio da Prudente de Morais espera melhorar após o fim das obras

Alguns setores amargam prejuízos irrecuperáveis com as intervenções

 

Foto: Heracles Dantas
Foto: Heracles Dantas

Alessandra Bernardo

alessabsl@gmail.com

Três semanas depois da entrega parcial do Complexo Viário Dom Eugênio Sales, o comércio da Avenida Prudente de Morais e entorno ainda sofre com os prejuízos causados pela interdição da via durante os sete meses que duraram as obras. Alguns setores, como o de serviços, estimam uma melhora nas vendas neste segundo semestre, mas outros revelam prejuízos impossíveis de serem recuperados, mesmo a longo prazo.

É o caso de uma loja de artigos femininos situada em frente ao viaduto estaiado e que perdeu toda sua clientela para outras empresas durante esse período. Segundo o gerente, Benedito Júnior, o prejuízo foi de 100% e não há expectativa alguma de recuperação, nem de retorno dos clientes antigos ou mesmo adesão de novos, por causa do novo ritmo que o complexo empregou ao trânsito local.

“Isso aqui virou uma via expressa, os veículos passam em alta velocidade e não param mais. Então, não posso dizer que acredito em melhora das vendas após a entrega das obras, e tampouco vamos conseguir recuperar tudo o que perdemos, ainda mais porque tivemos que fechar a loja por cinco meses, já que não tínhamos clientes. Ainda por isso tudo, estamos pensando seriamente em transferir a nossa unidade para outro ponto comercial, para não fecharmos de vez”, desabafou Benedito.

Quem também sentiu um grande impacto negativo nas vendas foi a lojista Celita Dantas, que revelou ter passado uma semana inteira sem um único cliente durante as obras de construção do complexo viário. Ela, por sua vez, confia que sua clientela retorne ao estabelecimento de forma lenta, mas gradual, já que muitos ainda não se adaptaram às mudanças no trânsito do local.

“Tivemos uma queda bruta de 95% nas vendas, o que nos abalou terrivelmente. Confiamos sim que vamos conseguir nos reerguer, com dificuldades, já que trabalhamos com um segmento especializado e temos uma clientela cativa, mas isso deve demorar muito ainda. Infelizmente, temos que ter paciência e persistência para isso, mesmo sabendo que não vamos recuperar os prejuízos que sofremos”, afirmou.

Atualmente, as obras estão centradas na reforma das calçadas, que estão isoladas para o serviço, o que também representa um entrave para a recuperação das vendas, segundo o empresário José Andrade. Ele, que sentiu uma redução de 70% em seu estabelecimento, aguarda a conclusão total dos serviços para mensurar o prejuízo geral e iniciar a reestruturação do negócio.

“Não será fácil, mas temos que nos reerguer e correr atrás do prejuízo, já que não vamos recuperar nunca tudo o que perdemos. E a conclusão das obras também não trará a clientela que perdemos, porque agora a via ficou mais rápida e quase ninguém para mais aqui. Mas, vamos lá, tentar atrair novos clientes e manter a nossa loja”, disse.

Apostas no segundo semestre

Com estimativas de 70% de prejuízos nas vendas durante os sete meses da construção do complexo viário, uma concessionária de automóveis na Prudente de Morais planeja melhoras no segundo semestre de 2014. Apesar da melhora nas vendas efetuadas, a situação da empresa ainda é delicada, conforme o gerente Erick Guilherme.

“Melhorou, mas não amenizou a crise por causa dos jogos da seleção brasileira e das partidas realizadas em Natal, que afetou o horário de funcionamento da loja e, conseqüentemente, nas vendas. Estamos projetando uma melhora significativa somente no segundo semestre, que deve ser decisivo. Mas sofremos muito durante as obras, porque a maioria dos nossos funcionários trabalham com comissão e, sem vender, não tem dinheiro”, explicou.

Para Erick, outro agravante para a estagnação das vendas durante o mês de junho é o fato dos motoristas ainda não estarem habituados ao novo trânsito no local, o que impede que muitos consigam chegar até a loja e concretizar uma compra. “Ainda está tudo muito tumultuado, mas com o tempo, as pessoas se acostumarão com a nova realidade e esse problema se resolverá”, disse.

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