Como Eike levantou R$ 12,3 bilhões na bolsa apenas com empresas promissoras

Ricardo Rochman, professor da FGV, mostra pistas de como o empresário teve senso de oportunidade e percebeu o momento certo de ir ao mercado

Eike Batista: cenário contribuiu para otimismo com relação ao grupo X. Foto:Divulgação
Eike Batista: cenário contribuiu para otimismo com relação ao grupo X. Foto:Divulgação

Lembre-se do slogan Brasil, o País do futuro. Corte para a capa da revista inglesa The Economist com o Cristo Redentor decolando, e termine com um Produto Interno Bruto (PIB) de 5%, aliado a inflação zero em 2008.

É neste cenário, complementado por indícios do pré-sal, já anunciados pela Petrobras em 2006, que o País, estável e com o Plano Real completando uma década, aponta seu potencial de crescimento.Mas, para crescer, precisa melhorar sua infraestrutura.

Na ponta dos investidores o mercado estava repleto de liquidez e de crédito. Muitos fundos globais estavam sedentos por oportunidades, e tinham metas a cumprir para entregarem o retorno esperado para seus clientes.

Mas o governo tem atuação limitada, sem recursos suficientes para tocar grandes projetos. O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, resume: o Brasil precisava então de empreendedores. Então, surge Eike Batista. Questão de timing.

Filho de Eliezer Batista, ex-presidente da Vale por duas vezes, Eike havia criado a empresa canadense TVX Gold, com a qual adquiriu experiência em mineração e também acesso ao mercado de capitais.

Criou valor na empresa até que a vendeu por uma fração do que chegou a valer a Kinross em 2001. “Um fracasso ou parte do currículo?”, questiona Rochman.

Receita de sucesso

Além do momento propício para captar no mercado, colocar o próprio pai e outros profissionais renomados em suas empresas, com bons salários, e mostrar que tinha experiência com investimentos são parte da receita para ter uma captação bem-sucedida, analisa Rochman.

Junte-se a isso a aplicação de boas práticas de governança corporativa, como criar conselhos de administração de respeito e evitar danos aos acionistas, as chamadas poison pills. “A gestão pode ser ruim, mas a governança das empresas sempre foi boa. Uma coisa é o discurso, outra é a prática.

“As empresas não criaram nenhum entrave para investidores que quiseram comprar uma fatia das empresas. Mais de 80% das empresas que lançam ações na bolsa têm proteções contra fusões e aquisições indesejadas”, diz o professor.

Para finalizar, é necessário atrair bancos de boa reputação e experiência de mercado para coordenar o lançamento de ações das empresas e, se possível, a inclua no principal índice da bolsa de valores 12 meses depois.

Desta forma, será possível criar uma demanda natural, já que todos os fundos que se baseiam no índice deverá comprar as ações das empresas participantes. “Isso fez com que, mesmo quando as ações despencaram, havia gente comprando.”

Fonte:IG

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