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Como uma lua de champanhe

Data: 16 fevereiro 2013 - Hora: 18:00 - Por: Vicente Serejo

O professor e escritor Francisco Antônio Cavalcanti que dia 7 de março, às 19h, lança na Livraria Saraiva, do Midway, em Natal, seu instigante e surpreendente romance ‘O Violoncelo’, escreve de João Pessoa sobre a Lua de Champanhe que numa dessas tardes brilhou aqui acendendo saudades de um tempo que tinha nos seus dias e suas noites a alegria de uma juventude que já foi embora. Num bar, com uma lua de champanhe sobre o mar e uma canção de Caymmi a tocar.

 

Meu caro Serejo:

A lua de champanhe fez-me refletir. Uma reflexão emocionada, por ter encontrado em suas palavras a mais verdadeira tradução do que sinto.

A obra de arte nos invade de um sentimento indescritível. A contemporaneidade com o autor, a constatação de uma circunstância semelhante e o orgulho que deriva da admiração pela genialidade, quando ocorrem, são um amálgama que arrebata e nos compele ao aplauso.

Você teve a felicidade de captar em Proust que a memória é que salva. Segue afirmando que a vida seria insuportável se fosse feita apenas dos dias novos. Da contemporaneidade sempre igual, tediosa e entediante, sem pertencimento ao ontem, de dias e noites intensos como a vida. A história das nossas saudades, se narradas mansamente, é a nossa melhor história, a mais verdadeira.

Não se esgota, todavia, nesse seu reconhecimento, a percepção da extraordinária importância do passado em nossas vidas. Você vai além e, com sensibilidade poética invejável, arremata dizendo que há tardes que chegam assim, para avisar que é tempo de voltar. Não para refazer os caminhos. Nem para revivê-los. Os caminhos desaparecem quando a gente passa. Como um bar, uma lua de champanhe sobre o mar, uma canção de Caymmi a tocar.

Aduzo, caro amigo, – citando José Américo de Almeida – que no caminho de volta ninguém se perde. Não quero perder-me na volta. Quero rever os amigos, os companheiros de sonhos e inquietudes. Aqueles e aquelas com quem dividi ricas vivências e compartilhei a volição encantada de mudar o mundo.

Estarei em breve aí em Natal. Quero usar o momento de oferecer a público o resultado de uma aventura literária que intitulei de “O Violoncelo”, para resgatar das gavetas do passado as jóias que ficaram guardadas por tanto tempo.

É uma pequena espera, mas vejo-me tomado por uma certa ansiedade. Aliás, no poema épico de Hernandez, o glorioso Martim Fierro nos ilumina, afirmando que tempo não é mais que a demora por aquilo que se espera. Sim, amigo! Claramente, tempo não pode deixar de ser exatamente isso. Como pensar em outro conceito? Vale a pena esperar por um bar, por uma lua de champanhe sobre o mar, por uma canção de Caymmi a tocar.

Muito cordialmente,

Francisco Antonio Cavalcanti
João Pessoa, 10 de fevereiro de 2013.

 

RISCO – I
Um engenheiro com experiência indaga: a elevação do nível da Arena das Dunas partiu do princípio da execução simultânea do túnel em três anos, portanto, bem depois da Copa, ano que vem, 2014?

SE… – II
Partiu desse princípio e como havia uma grande lagoa ao lado da Creche Kátia Fagundes, demolida na construção da Arena das Dunas, o Centro Administrativo, num inverno forte, pode ser inundado.

EQUAÇÃO – I
Fonte da governadoria assegura: desde a decisão da OAB que a decisão da governadora Rosalba Ciarlini estava tomada se o advogado Glauber Rocha saísse na lista tríplice do Poder Judiciário?

FORTE – II
O apoio político mais junto ao governo foi do advogado Glauber Rego que além de mostrar uma presença bem votada é ainda sobrinho do deputado Getúlio Rego, líder do governo na Assembléia.

CRITÉRIO – III
Assim como o Poder Judiciário não se julgou obrigado a cumprir a ordem da lista sêxtupla, votada pela OAB, também o Poder Executivo pode escolher qualquer dos três encaminhados pelo Tribunal.

SAUDADE
O historiador Cláudio Galvão escreveu para este JH um artigo lembrando Dr. Grácio Barbalho. Foi no dia 13 de fevereiro, uma quarta-feira de cinzas, há dez anos. Uma figura insubstituível em Natal.

POR…
Falar em data, neste 2012, se estivesse entre nós, o publicitário Everaldo Porciúncula completaria 80 anos. Pernambucano de Lagoa dos Gatos, era um perfeito natalense sem renegar as suas origens.

FEIO
Deselegância lampiônica convidar o ex-secretário da administração do Governo Wilma de Faria, Paulo César, e não convidar a ex-governadora na inauguração da Escola de Governo. Muito feio.

RISCO – I
Pode acabar em novo confronto a suspensão do pagamento da segunda parcela do plano de cargos e salários dos funcionários da Fundação José Augusto. A intenção evidente do governo é não pagar.

TÁTICA – II
Contornados os planos das categorias de peso – polícias civil e militar e professores – a tendência do governo é procrastinar ao máximo o pagamento dos pequenos grupos. Greve na cultura é um alívio.

ALIÁS – III
O coronelismo jurídico pode até ser útil, mas desde o início é a principal causa do desgaste de 86% em Natal. Governo virou o maior inimigo dos funcionários numa cidade ainda feita de funcionários.

HUMOR
É marcado pelo humor, quase deboche, a longa entrevista de Regina Duarte na edição de fevereiro de Bravo! Entre suas confissões o arrependimento de ter interpretado uns papéis muito caricaturais.

JORNAL – I
O New York Times anunciou que primeira vez na sua história a receita da venda de exemplares foi maior que a receita publicitária. E festejou o leitor: ‘Vocês importam e, agora, mais do que nunca’.

MAIS – II
Outra notícia, também publicada pela Folha, confirma: 2012 foi um ano bom para o faturamento do New York Times, Wall Street Journal e USA Today. E crescem muito bem suas assinaturas digitais.

 

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