Como uma onda – Danilo Sá

Nelson Motta Colunista d’O Globo   Os marqueteiros sempre dizem que o eleitor vota mais levado pela emoção do que…

Nelson Motta

Colunista d’O Globo

 

Os marqueteiros sempre dizem que o eleitor vota mais levado pela emoção do que pela razão, e Marina Silva não precisou de uma campanha de marketing para provar que eles estão certos. Entre os 70% dos que estão insatisfeitos e querem mudanças, boa parte está encontrando nela uma esperança que, apesar de seu passado petista e da senilidade do PSB, não tem o ranço partidário que nauseia o eleitor. Ninguém é bobo bastante para acreditar numa “nova politica”, mas qualquer coisa diferente da atual já seria um grande avanço.

Ao reconhecer os méritos e as conquistas dos governos FH e Lula e se apresentar como uma terceira via para a polarização PT x PSDB, que divide e atrasa o país, Marina atinge em cheio o eleitor que quer mudanças feitas por alguém com autoridade, legitimidade, honestidade e competência. Muito dificilmente, ela terá condições políticas para fazê-las, mas quem acredita que Dilma ou Aécio terão, com os seus partidos carcomidos e suas tropas políticas destruindo e sabotando uns aos outros?

Para quem não aguenta mais ter que escolher entre o preto e o branco, Marina oferece a opção de 50 tons que vão do verde ao vermelho, passando pelo azul.

Se a onda crescer e for eleita com uma votação avassaladora, Marina certamente receberá ofertas de apoio de todos os lados, querendo participar do poder, com as melhores ou piores intenções, e poderá escolher para seu governo os mais competentes de diversas filiações partidárias. OK, é um sonho, todos sabem que esse papo de governo de união nacional é furado, porque eles gostam mesmo é de partilhar o butim do presidencialismo de cooptação, mas, com Marina poderosa e uma eventual pressão da opinião publica, que os políticos tanto temem, talvez tenhamos alguma chance de virar o jogo.

Enquanto isso, insones e febris, marqueteiros petistas e tucanos e blogueiros de aluguel quebram a cabeça para encontrar uma forma de desconstruir Marina, garimpando, ou inventando, algo de podre na sua vida pública ou privada.

De certo, só que nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará. Quem viver verá. (Publicado n’O Globo no dia 29/08/2014)

 

MUDANÇA DE CENÁRIO

As pesquisas de opinião, como raramente acontece, são unânimes. O Brasil está prestes a assistir a mais um momento histórico na sua democracia. Como um furacão, a ex-senadora Marina Silva mudou por completo o quadro eleitoral e, o que antes era imprevisível, já é uma realidade. Hoje, a candidata do PSB é a favorita para subir a rampa do Planalto em 2015.

DESEMPENHO PASSADO

Candidata em 2010, Marina representou, já há quatro anos, o voto do eleitor insatisfeito com a polarização do poder entre o PT e o PSDB. Naquele ano, não obteve êxito, mas sua grande votação, cerca de 20% dos votos, foi diretamente responsável por levar aquele pleito para o segundo turno. E, se tivesse optado por apoiar José Serra, talvez, hoje a história fosse diferente.

HISTÓRICO

O fato é que a ex-senadora e ex-petista passou a representar para o eleitorado brasileiro aquilo que ela tentou pregar em 2010, a nova política. É a mulher pobre, que venceu na vida, com uma trajetória irretocável do ponto de vista da honestidade e da honradez. Adotou um discurso forte no atual processo eleitoral, mas totalmente fácil de ser engolido pelo eleitor, principalmente os mais humildes.

DISCURSO

Marina é contra tudo o que há de ruim na política, como ela mesmo diz. Mas, admite que espera governar o país com o apoio dos bons, sejam eles membros do PT, como Lula da Silva, ou do PSDB, como Fernando Henrique Cardoso. Assim, agrada a tudo e a todos, e dispara nos levantamentos de intenção de voto, alterando por completo o que antes ninguém imaginava.

GIRA MUNDO

O surto do vírus ebola, que mandou à cova mais de 1.550 pessoas em cinco países africanos, já mete medo até no Brasil. Servidores públicos que prestam assistência a estrangeiros que entram ilegalmente no país pelo Acre começaram nesta sexta-feira (29) a negar atendimento a refugiados senegaleses. Passaram a agir assim depois que a ministra da Saúde do Senegal, Awa Marie Coll Seck, confirmou o primeiro caso de ebola no país.

HERANÇA

E, para completar o cenário totalmente positivo, Marina herdou uma candidatura que, se ainda não empolgava, já era vista com bons olhos por uma parte da população que pregava a mudança na política brasileira. A morte de Eduardo Campos foi decisiva para alavancar o nome da ex-parlamentar, mas o fato dela se manter no topo é mérito próprio e não pode ser negado.

RELAÇÃO COM RN

Em tempo, o deputado estadual José Dias foi cirúrgico ao analisar os efeitos da eleição de Marina para uma possível vitória de Henrique Alves ao governo do Estado. Entre os possíveis presidenciáveis, a única com quem o peemedebista não mantém bom relacionamento é justamente com Marina. Aliás, a ex-senadora foi contra o apoio do PSB a Henrique no RN e é uma ferrenha crítica do PMDB.

É A LUTA

Ou seja, como bem disse Zé Dias, com Marina no Planalto e Henrique no Centro Administrativo potiguar, as torneiras de Brasília não abrirão tão facilmente como o peemedebista tem prometido na atual campanha eleitoral. O cenário será outro e bem mais duro para quem tinha relações próximas com a atual presidente Dilma Rousseff. É o jogo.

IMÓVEIS

A construtora Capuche está participando da Liquida Natal 2014 com um desconto de R$ 17 mil para quem adquirir um apartamento no residencial Viver Bem, primeiro empreendimento da construtora no “Minha Casa, Minha Vida”. A promoção é válida até 7 de setembro, dia em que a Liquida Natal se encerra. A construtora também participa da campanha oferecendo um apartamento como o maior prêmio do sorteio.

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