Complexo Viário de Natal terá o nome do cardeal Dom Eugênio Salles

Religioso foi um dos criadores das Comunidades Eclesiais de Base e da Campanha da Fraternidade

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O prefeito Carlos Eduardo irá homenagear Dom Eugenio de Araújo Salles, dando ao complexo viário de Natal, composto de seis túneis, dois viadutos e duas passarelas, o nome do cardeal norte-rio-grandense que durante muitos anos foi um dos religiosos mais influentes do Brasil, falecido aos 91 anos em julho de 2012 .

“Dom Eugênio teve quase 70 anos de vida dedicada à igreja, com muitos serviços prestados a Natal quando no início do seu sacerdócio ajudou a formar muitos sindicatos rurais no Estado, também foi o criador na década de 50 da Rádio Rural de Natal que surgiu com a finalidade de evangelizar e promover a alfabetização e educação primária pelas ondas do rádio, como consequência do Movimento de Natal, ação de cunho apostólico e social, que ele levou adiante e que tomou dimensão nacional. Além de ter sido um dos criadores das Comunidades Eclesiais de Base e da Campanha da Fraternidade”, lembra Carlos Eduardo.

O cardeal Dom Eugênio atuou de maneira silenciosa durante a ditadura militar abrigando no Rio de Janeiro, onde foi arcebispo por 30 anos, mais de quatro mil pessoas perseguidas pelos regimes militares dos países do Cone Sul, e nos anos 70 fazia questão de visitar os presídios, indo inclusive às celas dos prisioneiros políticos, muitos dos quais eram ateus.

HISTÓRICO DE DOM EUGÊNIO SALLES

Ordenado sacerdote em 21 de novembro de 1943, desenvolveu várias atividades pastorais, destacando-se pelo pioneirismo na ação social, valorizando a participação dos leigos.

O jovem que queria ser engenheiro agrônomo, nunca se esqueceu o campo e seus problemas, fundou em 1949 o Serviço de Assistência Rural, formando equipes que trabalhavam tanto na área social quanto formação religiosa, buscando a melhoria integral do homem do campo, cujo progresso incluirá uma melhor compreensão de sua dignidade e dos direitos que daí derivarão. Desse trabalho pastoral surgirão as comunidades eclesiais de base, fruto também das Escolas Radiofônicas.

Em 1954, Pio XII o nomeia bispo-auxiliar de Natal, sendo ordenado aos 15 de agosto deste ano, solenidade da Assunção de Nossa Senhora, por Dom José de Medeiros Delgado. Feito bispo, sua atividade se multiplica naquilo se costuma denominar Movimento de Natal, um conjunto de iniciativas, em grande parte bem sucedidas, de promoção humana em todas as suas dimensões.

Em 1964 é nomeado Administrador Apostólico da Arquidiocese de Salvador, deixando o Rio Grande do Norte. E quatro anos depois (1968) se tornará Arcebispo-Primaz do Brasil, posição que deixará para assumir a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, em 1971, já como Cardeal do Título Presbiteral de São Gregório VII, para o qual fora nomeado por Paulo VI em 1969

A Dom Eugenio custava deixar Salvador, como foi difícil deixar Natal, mas, como dizia, estava sempre pronto para obedecer, e “obedecer com alegria” a voz do Sucessor de Pedro. Aliás, este foi um dos aspectos marcantes de sua personalidade: a fidelidade irrestrita ao Papa. O Cardeal tinha autêntica devoção ao Sumo Pontífice e foi reconhecido por isso. Amigo pessoal de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, sempre teve a convicção de que deveria seguir o Papa em suas mínimas orientações, “pois é o melhor para a Igreja, para a diocese, para cada católico”. Nesta defesa nunca temeu ser impopular.

Seu destemor mostrou-se também por ocasião da defesa dos perseguidos políticos. O Cardeal Sales, silenciosamente, como ele mesmo gostava de dizer, protegeu os presos políticos, ajudou-os materialmente e foi a sua voz junto às autoridades de então, e sempre foi ouvido pelo respeito de suas posições claras, não se comprometendo nem com os detentores do poder e nem com a luta armada. Na sua biografia consta a proteção e asilo dadas a perseguidos não só a nacionais, mas também dos países vizinhos. Socorreu, protegeu pessoas cujas posições ideológicas estavam, por vezes, em nítido contraste com a fé católica; mas, para Dom Eugenio, sua ação não poderia ser diferente, impulsionado pelo cumprimento da moral católica que diferencia o pecado do pecador.

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