Concessionárias de automóveis reconhecem retração do mercado

Mercado em retração atinge comércio de veículos

Carros novos estão se acumulando nas lojas à espera de compradores, enquanto promoções aumentam na televisão. Foto: Wellington Rocha
Carros novos estão se acumulando nas lojas à espera de compradores, enquanto promoções aumentam na televisão. Foto: Wellington Rocha

Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

 

As vendas de veículos novos no Brasil iniciaram o segundo semestre do ano em queda, condicionando uma retração no crescimento do segmento automotivo em 2014. Em Natal, o cenário não é diferente. Entretanto, as concessionárias alegam que a retração não é um efeito restrito ao segmento, mas sim um ‘efeito dominó’ de impacto nacional. Apesar das boas oportunidades de acesso ao crédito, o consumidor está mais tímido diante das possibilidades de compra.

“O setor sofreu muito neste ano, mas não podemos considerar que houve perdas para o segmento e sim estagnação. O problema é que o setor automotivo costuma estar sempre em alta e não foi isso que vimos nos últimos meses. Estamos otimistas que haja recuperação do número de vendas para chegarmos ao mesmo percentual do ano passado”, destacou Ericsson Aquino, gerente de veículos novos de uma concessionária em Natal.

A crise financeira de impacto nacional é um dos fatores que influenciou a retração do mercado. Porém, a preocupação da população e de diversos setores se serviços com eventuais problemas que poderiam ser provocados com a Copa do Mundo acabou criando medo no mercado e levou muita gente a reduzir as atividades.

“A Copa do Mundo teve impacto sim no número de vendas, tendo em vista que houve mudança no horário do comércio e o trânsito ficou mais complicado. Nossa loja, que fica na Roberto Freire, corredor por onde as delegações das seleções passavam, sentiu isso. Mas acredito que as pessoas mesmo optaram por esperar”, afirmou Ericsson.

Nessa concessionária ouvida pelo O Jornal de Hoje, os meses de junho e julho do ano passado registraram uma média de vendas acima de 300 veículos por mês. Neste ano, foram registradas 200 vendas de veículos novos em junho e 211 em julho. “A nossa expectativa de recuperação está tendo efeito. Neste mês já aumentamos 15% as vendas com base no mês passado”, disse o gerente.

A retomada do aquecimento de mercado está sendo proporcionada pela facilidade de liberação de crédito ao consumidor. Os bancos estão apresentando taxas subsidiadas e condições de pagamento mais favoráveis ao gosto do cliente. Quem quer comprar um veículo zero neste período do ano, por exemplo, pode optar por começar a pagar o carro no mês de dezembro, sem maiores impactos no preço do veículo.

Erick Guilherme, que também é gerente de veículos novos, reafirma que a oferta de crédito existe, é acessível, mas falta o interesse do credor. “Temos crédito à juros zero, pagamento facilitado, mas não temos quem compre. Entramos em uma situação de crise macroeconômica em que as pessoas estão endividadas ou com medo de se endividarem. Essa situação causa impacto em todos os setores de serviço, daí a razão de nós também estarmos em retração”, avaliou.

A concessionária que Erick é gerente fica na Avenida Prudente de Morais, em frente ao complexo Arena das Dunas. Ele garante ter sido o mais afetado com a Copa do Mundo. “Fora os dias do mundial e o fato do comércio ter o horário alterado, nós enfrentamos oito meses de obra em frente a nossa loja. Só começamos a trabalhar de fato no dia 14 de julho, pós-Copa do Mundo. Não gosto nem de lembrar disso”, afirmou.

Rita Maria, servidora pública, disse que neste momento ganha o cliente a concessionária que oferecer as melhores negociações. “Estou procurando um carro zero e vi preços bem diferentes no mesmo modelo em duas concessionárias. Para ganhar o cliente, é preciso saber negociar, seja praticando o menor preço e/ou oferecendo outros serviços de interesse do cliente”, destacou.

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