Concurso de cartas

Recebi seu convite, Senhor Diretor Geral dos Correios e Telégrafos, e lamento não ter mais juventude para participar do Concurso…

Recebi seu convite, Senhor Diretor Geral dos Correios e Telégrafos, e lamento não ter mais juventude para participar do Concurso Internacional de Redação de Cartas. Compreendo sua angústia, se já não é a aflição, nesses tempos em que as velhas cartas levando notícias, negócios e juras de amor andam escassas nos escaninhos postais. Os e-mails, frios e rápidos, saltam de uma tela a outra, perto e longe, numa eficiência tão feroz que este terceiro milênio parece feito para quem tem pressa de viver.

O senhor há de pensar, arrimado na certeza de sua experiência, que a carta não tem idade. Mas é ai, creia, que mora o engano. Posso não ser tão radical como Oscar Wilde, o dândi daquela Londres vitoriana e intolerante que não perdoou seu amor proibido, para quem só a juventude merecia aplausos. Mas, com certeza, só nos jovens há a grande alegria de viver que em nós outros, com as décadas, vai apagando pouco a pouco, adormecendo nas sombras já mortas dos vastos campos da alma comedida.

Depois – pra que negar? – se tivesse que escrever para um concurso de cartas não seria sobre a influência da música. Sei que também os juízes, humanos como são, também carreguem no peito um violino, mas não acredito que uma carta comum tocasse as cortas de sua emoção apenas por falar no encanto da música. Aprendi desde cedo que todo grande amor é proibido, quando não é impossível, e seria essa, embora úmida de canções como se fossem hinos, a história de amor que gostaria de contar.

E confesso, Senhor Diretor, se ainda é preciso confessar: não lamentaria perder a glória de um prêmio, nem ficaria entristecido de não ser o melhor contador de histórias. Não. Os anos roubam a graça da alegria quando a idade avança, mas dói muito mais não ter engenho e arte para contar ao mundo a beleza do amor proibido. Tenho comigo e não custa dizer: o amor às vezes é um fruto que amadurece no olho, e cai. Talvez um pássaro ferido, cansado do vôo, triste, triste, de inventar ilusões.

Muitos viriam sábios e contritos e cumpririam as linhas e os parágrafos com a nobre dedicação de um aplicado amanuense público. Outros mais, talvez românticos, citariam versos de canções, todas falando dos mistérios da vida e do amor. Como se a vida pudesse ser vivida sem alguns segredos e sem mistérios. Principalmente sem desejos proibidos. Ora, Senhor Diretor, quem é dono do amor para saber evitá-lo, se um dia a paixão súbita vem e cai de algum lugar bem nas águas mornas da alma humana?

Mesmo que o regulamento não falasse de amor e as suas cláusulas proibissem, mesmo assim ousaria escrevê-la. Bastaria que um juiz, apenas um, lesse a minha carta. E que fosse, linha a linha, até a última palavra. E depois de tudo dissesse ao mundo a notícia de que na alma de cada um, homens e mulheres, solteiros ou casados, há sempre um último salão inviolável. Lá onde cada guarda sua história de um velho amor proibido. E com um aviso dizendo assim: ‘Proibida a entrada de pessoas estranhas’.

 

TENSÃO

Há no wilmismo gente querendo lançar sua candidatura ao governo no jantar do dia 17 e do outro lado gente defendendo proibir a manifestação. E no meio do fogo brilha o distintivo de guerreira de Wilma.

POSIÇÃO

Justiça seja feita: o deputado Henrique Alves não teme o Palácio do Planalto a julgar pela declaração à Folha deixando nas mãos da presidente Dilma o preço de não nomear o sexto ministro do seu partido.

DESASTRE – I

O radicalismo sem limotes na política de Mossoró, para alguns analistas mossoroenses, acabou por ter um efeito desastroso capaz de destruir os principais nomes do governo e da oposição nas barras da lei.

COMO – II

A deputada Larissa denunciou a prefeita Cláudia Regina depois da campanha política e contaminou-se com a sua própria denúncia e Claudia Regina, protegida da governadora, contaminou Rosalba Ciarlini.

OU – III

Seja: hoje, na sentença parcial da Justiça Eleitoral – decisão final cabe ao TSE, em Brasília – estão as três com seus mandatos cassados. Conclusão: se o voto tivesse decidido não teria sido tão desastroso.

SAÍDAS – IV

Prevalecendo em Brasília as teses de perda de mandato e inelegibilidade, Larissa seria substituída por Laíre Rosado Filho, seu irmão; e no lugar de Cláudia deve ser candidato o deputado Betinho Rosado.

MAS – V

Dos três casos o efeito mais danoso em caso de perda de mandato será a governadora Rosalba Ciarlini que será obrigada a passar o governo ao seu vice, Robinson Faria, candidato ao governo na oposição.

ATENÇÃO

A casa Durval Paiva está precisando de fraldas descartáveis nos tamanhos P e M para os adolescentes assistidos na luta contra o câncer. Quem desejar fazer doações o telefone de contato é este: 4006.1600.

VERÃO

Ponta do Mel está entre as quatorze praias nativas do Brasil indicadas no caderno de turismo da Folha de S. Paulo. É descrita como ‘um vilarejinho que parece perdido no tempo’. E há pacotes para turistas.

SURPRESA

Uma descoberta surpreende os pesquisadores da Universidade de Singapura e a essa altura do mundo todo segundo informa o Blog do BG: é dos homens de rosto grande que as mulheres mais gostam. E é?

FREVO

Nosso querido João Mendes da Rocha, Rochinha, informa: uma banda vai marcar o 9 de fevereiro, Dia do Frevo, ali ao lado da antiga Escola Industrial, na Cidade Alta. Domingo próximo a partir das 12h30.

PREÇOS – I

Que forças levam o governo a não fazer a fiscalização de preços de cerveja, refrigerante e água mineral cobrados dentro da Arena das Dunas? São tão ocultas assim quanto as que derrubaram Jânio Quadros?

ALÉM – II

Do estacionamento que cobra 15 reais por vaga, a Arena das Dunas tem vinte anos ou cinco governos de licença para matar. Como James Bond nos áureos tempos de Sua Majestade, a Rainha da Inglaterra.

ALIÁS – III

Esta coluna não se furta a atender aos seus leitores e registrar as reclamações que chegam, mas alerta a todos: a Arena só vai nos pertencer quando o povo pagar R$ 1,2 bilhão com impostos do seu trabalho.

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