CONDENAÇÃO

A sentença do juiz federal Mário Jambo, condenando o filho da ex-governadora Wilma de Faria a 16 anos de prisão…

A sentença do juiz federal Mário Jambo, condenando o filho da ex-governadora Wilma de Faria a 16 anos de prisão por comandar um esquema de corrupção, chega em um momento em que a atual vice-prefeita de Natal está em ascensão política e é o nome mais forte para disputar tanto o Governo do Estado quanto o Senado da República.

EFEITOS
A condenação de Lauro Maia certamente tem efeito negativo na imagem política da ex-governadora Wilma de Faria; o tamanho do estrago que a sentença de Jambo vai provocar nas articulações e no sentimento do eleitorado, ainda é imprevisível.

ADVERSÁRIO
Os adversários de Wilma sempre utilizavam escândalos ocorridos em sua gestão para diminuir sua força política nas eleições. A diferença é que os escândalos eram somente escândalos. Agora, há uma condenação judicial que atinge o filho de uma ex-governadora de forma direta. Certamente que seus adversários irão usar isso na campanha, caso Wilma seja candidata majoritária.

FAMÍLIA
Todo mundo que acompanha a cena política do RN sabe que Wilma perdeu o rumo e seu segundo mandato começou a desmoronar quando Lauro Maia foi preso pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Hígia. A racional Wilma, que enfrentou todas as forças políticas tradicionais do Estado, deu lugar a uma mãe com o coração dilacerado pela prisão do filho. Ela ficou fora de prumo a partir daí.

CORRUPÇÃO
Quando qualquer veículo de comunicação se aproximava da então governadora, o tema ‘Lauro Maia’ virava um terror para a mãe que não conseguia dissociar a gestão da família. Para piorar ainda mais a situação, a sentença do juiz federal Mário Jambo estabelece a casa oficial como o ‘epicentro da corrupção’. Naturalmente que Wilma, hoje, sofre mais como mãe do que como política.

RESPONSABILIDADE
Como governadora, Wilma vai carregar a mácula de ter uma condenação em que a corrupção é oficializada em sua gestão. Como mãe, a própria sentença a exclui de responsabilidade direta. Afinal, nem todos os pais são obrigados a saber todos os passos dos filhos, nem têm responsabilidade sobre seus atos quando estes atingem a maioridade.

ARTICULAÇÕES
O nome de Wilma de Faria cresceu no desastre da outrora esperança materializada em Rosalba Ciarlini. Como fez uma gestão operosa, com obras em praticamente todos os municípios do Estado, Wilma ficou na memória do eleitorado potiguar. Sem fazer muita coisa a não ser visitar o interior e prestigiar eventos sociais e religiosos, ela conseguiu abrir suas próprias portas nas articulações majoritárias, a ponto de ser cortejada até por adversários que estabeleceram um azimute para a sucessão: não há conversa sobre a eleição de 2014 que não passe por Wilma.

MUDANÇA
Político em atividade não morre; se desgasta, se enfraquece, mas não morre. Wilma sabe que em 24 horas sua condição mudou. Saiu da protagonista, favorita, cortejada e centro das atenções, para a incerteza diante da reação do eleitorado. Candidatura a deputada federal não sofre qualquer risco; majoritária é diferente, pois vira alvo inevitável.

REAÇÃO
O futuro político de Wilma vai depender da reação do eleitorado ao tomar conhecimento pleno de que a ex-governadora teve um filho condenado por corrupção praticada em sua gestão. Como o assunto foi tema de sucessivas campanhas, é possível que não provoque um efeito devastador em sua imagem, a ponto de comprometer projeto majoritário. Mas é também possível que sepulte qualquer tentativa de protagonizar a sucessão estadual de 2014. Pesquisas sérias podem avaliar o que pensa o eleitorado a respeito. Hoje, o estrago é aparentemente grande, mas a real dimensão do abalo ainda é imprevisível.

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