Condenação do filho abala projetos de Wilma para 2014

Enfraquecimento de Wilma favorece candidatura de Fátima ao Senado

Com o desgaste de Rosalba Ciarlini, Wilma vinha se fixando como principal opositora ao atual governo. Foto:Diuvlgação
Com o desgaste de Rosalba Ciarlini, Wilma vinha se fixando como principal opositora ao atual governo. Foto:Diuvlgação

Alex Viana

Repórter de Política

 

Considerada uma das três maiores lideranças políticas da atualidade no Rio Grande do Norte, duas vezes governadora do Estado, três vezes prefeita de Natal, hoje vice-prefeita da capital, e pré-candidata a governadora e a senadora da República, Wilma de Faria é fortemente atingida em sua imagem pública, pela notícia de condenação do filho dela, o advogado Lauro Maia, a mais de 16 anos de prisão, por formação de quadrilha, corrupção passiva e tráfico de influência, dentro do processo chamado Operação Hígia.

Como não poderia deixar de ser, Wilma sentirá os efeitos dessa condenação, não apenas por ser o próprio filho o condenado, mas, sobretudo, porque a corrupção, ora confirmada pela Justiça Federal, aconteceu no seu governo, com indícios fortíssimos de que contava com a sua anuência ou aquiescência, haja vista a proximidade com o filho, que se valia dessa condição para operar com facilidade. Além do baque na opinião pública, o fato traz implicações políticas para o Rio Grande do Norte. A começar pela formação do cenário sucessório em que a própria Wilma vinha reinando devido ao esquecimento de problemas do seu governo, jogados para debaixo do tapete momentaneamente pelo desastre da gestão atual.

Com o desgaste de Rosalba Ciarlini, Wilma vinha se fixando como principal opositora ao atual governo, e auferindo para si os louros da reprovação popular à administração do DEM. Neste sentido, as pesquisas revelaram posição privilegiada da ex-governadora, que chegou a declarar, por diversas oportunidades, que a população do estado é que queria que ela voltasse ao poder. Um quadro muito diferente de quando ela deixou o governo, em março de 2010, com diversos escândalos administrativos no armário, que um dia inevitavelmente viriam à tona (além de Higia, Foliaduto, superfaturamento da ponte Newton Navarro, Operação Ouro Negro, dentre outras irregularidades apontadas pelo Ministério Público durante os setes anos e três meses em que esteve à frente do governo do Estado).

A derrocada política de Wilma iniciou em 2010, quando ela perdeu a eleição para o Senado para Garibaldi Filho (PMDB) e José Agripino (DEM), as duas outras lideranças que dividem com a pessebista o estandarte de maiores do Estado. Mas ela sobreviveu. E numa jogada de suprema sabedoria política, em 2012, Wilma aceitou ser candidata a vice-prefeita de Carlos Eduardo, numa jogada que poucos entenderam a princípio, mas que, ao final, se revelou de extrema utilidade para ela.

Sendo vice, movimentando-se bastante no interior do Estado, Wilma fixou-se como principal opositora de Rosalba e vinha se reerguendo desde então. Ao ponto de, até esta quarta-feira, antes da publicação da condenação do seu filho por corrupção, ela ser considerada uma das peças políticas mais importantes no jogo sucessório de 2014, confrontando interesses como o da governadora Rosalba Ciarlini, do senador José Agripino, de um ministro de Estado (Garibaldi Filho-PMDB) e do próprio presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB).

Até a possibilidade de assumir a prefeitura de Natal, com eventual renúncia do prefeito para disputar o governo (algo plausível), Wilma tem. Ou seja, o ano de 2014 pode reservar para ela voltar ao poder, seja governador, senadora, deputada federal ou prefeita. E, para o bem da verdade, nada está descartado ainda. Política é como as nuvens, e, do jeito que muda agora, poderá mudar amanhã novamente.

DANDO AS CARTAS

Mesmo com os fantasmas do seu governo prestes a saírem do armário, Wilma estava realmente dando as cartas nas conversas da sucessão 2014. Primeira colocada nas pesquisas, que davam a ela um empate técnico em primeiro lugar com o ministro Garibaldi, com pouco mais de 30% das intenções de voto para o governo do Estado, a presidente do PSB conversava com os partidos de oposição, os antigos, PSD, PT e PC do B, e os mais recentes oposicionistas, PMDB, PV, PROS e PR, com vistas a uma possível candidatura dela ao governo ou ao Senado.

Informações de bastidores dão conta de que ela já havia aceitado ser candidata ao Senado, apoiando um candidato do PMDB para o governo, mas decidiu divulgar a definição apenas em março de 2014. A se confirmar o desgaste na opinião pública em razão da condenação do filho, Wilma tenderá a ver enfraquecida sua força política e perderá prestígio nas negociações eleitorais. Inclusive, voltaria a ser cotada como candidata a deputada federal, numa composição com PMDB, PT e outros partidos.

Enfraquecimento de Wilma favorece candidatura de Fátima ao Senado

Única postulante declarada ao Senado, a deputada federal Fátima Bezerra (PT) tem sua candidatura ao Senado fortalecida com o enfraquecimento político de Wilma de Faria. Devido sua força eleitoral, Wilma vinha mantendo conversas com lideranças graúdas do PMDB potiguar, inclusive teria participado de um encontro reservado com um deles, na residência de um industrial, onde teria aceitado ser candidata ao Senado, apoiando um nome do PMDB para o governo. No entanto, pelo acordado, ela só anunciaria essa posição em março.

Não se sabe se esse acordo será mantido, vai depender dos próprios aliados de Wilma, mas, sobretudo, do comportamento da opinião pública em relação à ex-governadora. O fato é que, com o enfraquecimento da pessebista, a possibilidade de aliança do PMDB com o PT fica bastante fortalecida. Há três meses, lideranças do PMDB e do PT se reuniram e teriam acenado a possibilidade de aliança entre as legendas no Estado.

A aliança do PMDB com o PT resultaria na chapa Henrique ou o ex-senador Fernando Bezerra (PMDB) para o governo, a deputada Fátima Bezerra para o Senado. O projeto, de grande interesse da deputada Fátima, entretanto, foi duramente atingido pela disputa interna no PT pelo comando da legenda, recentemente definida em favor do grupo do deputado estadual Fernando Mineiro (PT), sob a condição de o PT recompor-se e apoiar Fátima para o Senado, se houver a aliança com o PMDB.

O projeto de aliança PMDB e PT tende ainda a se fortalecer mais ainda porque esta é a intenção do governo federal, que só em última instância aceitaria compor nos estados com o PSB, por causa da candidatura de Eduardo Campos (PSB) a presidente da República. Apenas se o PT não se unisse em torno de Fátima, era o que estava acontecendo, e se Wilma fosse essencial para uma vitória do PMDB, que a legenda de Henrique e Garibaldi abriria mão de Fátima para o Senado. Com o enfraquecimento de Wilma, isso fica mais fácil.

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