Congressistas norte-americanos estarão na abertura da Expofruit

Esta é uma das novidades do maior evento do setor

Última Expofruit foi realizada em 2012, antes do cancelamento da edição do ano seguinte: um freio de arrumação. Foto: Divulgação
Última Expofruit foi realizada em 2012, antes do cancelamento da edição do ano seguinte: um freio de arrumação. Foto: Divulgação

Marcelo Hollanda
hollandajornalista@gmail.com

A Expofruit, o principal evento da fruticultura no país e que volta a ser realizado este ano depois de pular o calendário em 2013, será realizada em setembro com a presença de dois congressistas norte-americanos – um senador e um deputado.

É apenas uma entre muitas novidades anunciadas pelo presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte (COEX), organizador da feira, Luiz Roberto Barcelos.

Diretor da Agrícola Famosa, uma das maiores exportadoras de frutas do mundo, Barcelos manteve hoje uma série de encontros com possíveis patrocinadores da Expofrut, que nesta edição apresentará um custo pelo menos 50% maior em relação às edições anteriores – saltará de R$ 400 mil para R$ 600 mil.

É o resultado das mudanças introduzidas no evento, que passará a focar diferentes mercados globais à cada nova edição, começando pelos Estados Unidos, onde a fruta brasileira enfrenta uma indigesta sobretaxação de 28%.

Para o evento, que acontece entre os dias 24 a 26 de setembro, no Campus da Universidade Federal do Semiárido (UFERSA), promete-se um figurino totalmente remodelado. “Sem descuidar da parte tecnológica e de negócio, queremos promover uma grande confraternização do setor, fortalecendo o enfoque institucional”, afirmou Barcelos.

Depois de percorrer os bancos que tradicionalmente apoiam financeiramente a Expofruit, o presidente da Coex reuniu-se com o secretário de Agricultura do estado, Tarcísio Bezerra, para cumprir seu maior desafio do dia: arrancar dinheiro do Governo do Estado em forma de patrocínio para a Expofruit.

Sucessor de Francisco Cipriano Segundo de Paula na presidência da Coex, Luiz Roberto Barcelos não hesitou em cancelar a última edição da Expofruit com toda a divulgação em andamento, alegando que a fruticultura precisaria se reorganizar num ano assolado pela seca. Agora, com um orçamento maior e projetos mais ambiciosos, ele quer tirar o atraso.

Diretor de uma empresa que exporta tanto pelo Rio Grande do Norte como pelo Ceará, onde é sediada, a Agrícola Famosa, Luiz Roberto Barcelos explicou a decisão da empresa de impulsionar as exportações de frutas pelo porto de Natal.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo terminal, que luta para expandir sua retroárea com a construção de um quarto berço para navios, Luiz Roberto disse que a Famosa foi impulsionada pela sensível melhoria no atendimento do armador que faz a exportação por Natal – a CMA/CGM -, inclusive no que diz respeito a preços cobrados.

“Apesar de uma estrutura que deixa a desejar, encaramos o aumento de nossas exportações por Natal como um retorno, pois antigamente exportávamos tudo por aqui e só deixamos de fazê-lo  com os investimentos em Pecém (porto cearense).”

Barcelos disse, ainda, que enquanto o Rio Grande do Norte não construir o seu novo porto, Natal continuará sendo o local por onde sua empresa continuará exportando. “Achamos que o material humano do porto é muito bom e manteremos volumes sempre altos de exportação por ali”, acrescentou.

Segundo a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), a movimentação de frutas de 2013 pelo terminal registrou 168.701 toneladas até novembro último, um crescimento de 26% em relação ao mesmo período de 2012 e de 103% se comparado a todo o ano de 2011.

É um volume maior que toda a fruta exportada pelo Estado no ano passado. Só a Agrícola Famosa exportou 100 mil toneladas pelo porto nas duas últimas safras.

Já a exportação de frutas do Rio Grande do Norte registrou uma leve queda no ano passado em relação a 2012 (144 para 140 mil toneladas), fazendo com que a receita diminuísse de US$ 126 para US$ 115 milhões.

Mesmo assim, o Estado contabilizou um aumento na exportação de frutas de 2,8% em relação à safra anterior. Os dados são do sistema Alice Web, do Ministério da Indústria e Comércio.

A Famosa movimenta hoje 70% de sua produção colhida no Estado pelo Porto potiguar, um volume que já foi maior no passado. Dona de várias propriedades, a empresa direciona sua produção de acordo com a proximidade entre a fazenda do local de escoamento para o mercado externo. Mas, desta vez, parece que a CMA/CGM, resolveu dar uma força. Aliás, na quinta-feira, Barcelos jantou com dois executivos do armador francês em Natal.

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