Conheça Eduardo Cunha, a grande pedra no sapato da Dilma Rousseff

Ele é um aliado visto por petistas como oposicionista. Já cansou de impedir votações na Câmara de temas caros ao Planalto. Agora, com a guerra declarada, Dilma quer isolá-lo

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Seria preciso confirmar diretamente com a presidente Dilma Rousseff, mas se ela tivesse que apontar quem lhe tem trazido mais dor de cabeça desde que assumiu o cargo, em 2011, um dos favoritos a integrar a lista tem nome e partido: Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara.

O que já foi uma amizade forçada, daquelas em que o contato é restrito ao mínimo – só para apagar incêndios – descambou agora para a separação total, aparentemente: para as duas reuniões que fez hoje com os caciques do PMDB, Dilma não convidou o líder.

Eunício Oliveira, que tem um cargo correlato ao de Cunha – manda na bancada do Senado – foi.

A estratégia do Planalto não é segredo para ninguém: não se trata mais de negociar com o deputado. A meta agora é isolá-lo e refazer as pazes com o resto do partido.

A iniciativa, claro, não passou despercebida por Cunha, que logo reagiu no Twitter.

Em seu terceiro mandato, o carioca evangélico e graduado em economia é daqueles líderes que sai aplaudido pelos colegas quando consegue peitar e convencer o Planalto a recuar em pontos antes tidos como inegociáveis.

Foi assim, por exemplo, na MP dos Portos. Em 2013, o governo viu que, se não cedesse, não conseguiria o quórum necessário para aprovar o projeto, tido como essencial para modernizar o setor.

Cunha tinha questões pontuais das quais não abria mão. Diante das sessões que não arregimentavam a quantidade suficiente de parlamentares – só Cunha, vale lembrar, comanda hoje uma bancada de 75 deputados (que flutua um pouco de acordo com as nomeações e licenças) – o governo topou chamá-lo para conversar.

Acabou cedendo em alguns pontos.

A MP dos Portos é apenas um exemplo de como o político é um tipo de aliado que não tem sido raro na coalizão do governo Dilma: aquele que traz dificuldades.

Se o governo até agora não conseguiu votar o Marco Civil da Internet – um projeto prioritário para a presidente, diante dos atritos políticos com a espionagem norte-americana no ano passado – em boa parte as dificuldades se devem à sua ferrenha oposição.

Ele, aliás, é tido como um exímio conhecedor do Regimento da Casa, sempre disposto a usá-lo a seu favor.

No curto perfil escrito em seu site, é destacado também sua capacidade de transitar na Câmara. “Como articulador político, Eduardo Cunha circula em todas as comissões”, destaca o texto.

O problema

Na semana antes do carnaval, tendo Cunha como um de seus líderes, foi anunciada a criação de um blocão, com mais de 200 congressistas, pensado inicialmente para canalizar a insatisfação perante a agenda imposta pelo governo.

“Não é blocão. É uma aliança informal. Não sou líder de nada. É uma aliança em torno de pautas, vamos nos reunir toda semana e decidir temas que nos unem”, disse ele então.

O fato é que, agora que a guerra está mais pública que nunca, boa parte do PMDB da Câmara se sente mais confortável para dizer que a aliança com Dilma em 2014 deveria ser, como disse Cunha na semana passada, “repensada”.

 

Fonte: Exame

 

 

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