Construção da nova sede da OAB gera polêmica em Candelária

Novo prédio da OAB-RN, que tem valor previsto de R$ 8,71 milhões e será construído em região privilegiada

Praça estava abandonada e teve parte do seu terreno cedido a OAB para a construção de sua nova sede. Moradores se dividem contra e a favor da construção. Foto: José Aldenir
Praça estava abandonada e teve parte do seu terreno cedido a OAB para a construção de sua nova sede. Moradores se dividem contra e a favor da construção. Foto: José Aldenir

A construção da nova sede da Ordem dos Advogados no Rio Grande do Norte (OAB-RN), localizada na Rua Nossa Senhora da Candelária, foi iniciada esta semana e já é alvo de divergência de opiniões. Na manhã deste sábado (22), operários da empresa responsável pela obra estavam no local cercando a área onde será construído o prédio. Enquanto isso, o Conselho de Moradores de Candelária está organizando um abaixo-assinado solicitando a suspensão da construção da sede da entidade. A celeuma foi causada por que o local onde funcionará a nova sede da OAB-RN, no passado, funcionava como uma praça de lazer, com quadra poliesportiva, apesar de estar abandonada há anos.

O novo prédio da OAB-RN, que tem valor previsto de R$ 8,71 milhões, será construído em Candelária, com 3.600 metros quadrados em região privilegiada, perto da chamada “Cidade Judiciária”. A nova sede terá auditório para 500 pessoas, salas modernas para as comissões temáticas, Tribunal de Ética e Disciplina – TED, Escola Superior de Advocacia – ESA, Caixa de Assistência dos Advogados – CAARN e Assistência Jurídica, obedecendo aos critérios da estrutura administrativa com acessibilidade. Quanto ao prédio atual, diante de sua importância histórica, será destinado à instalação do Museu da OAB/RN e do Memorial dos Advogados.

Esta semana, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte, Sérgio Freire, assinou juntamente com o presidente da Comissão de Obras e Patrimônio, Kaleb Freire, a Ordem de Serviço para dar início às obras da construção da nova sede da Seccional Potiguar. O documento também foi assinado pela ECCL- Empreendimentos e Construção Civil Ltda, representada pelo engenheiro Sérgio Torres.

“Finalmente estamos dando o pontapé inicial. A obra demorou seis meses para começar pois estávamos providenciando todas as licenças ambientais, como a compensação para poder retirar as árvores do terreno e replantá-las, em uma quantidade cinco vezes maior, em um local da cidade determinado pela prefeitura. Agora podemos dizer que esse sonho de 20 anos será concretizado”, disse Sérgio Freire durante a assinatura da Ordem de Serviço.

A dona de casa, Maria José Adauto, lamenta que um espaço destinado para o lazer e recreação seja transformado em um “bloco de concreto”. “Isso aqui era muito bom. Um espaço voltado para as nossas crianças e adolescentes, mas que ficou abandonado. As pessoas costumavam recrear aqui, mas ultimamente o local estava abandonado e deixava todos nós tristes”, disse Maria José que mora no bairro desde a década de 80.

Hilton Fontes tem um estabelecimento comercial localizado em frente a antiga praça, onde será construída a nova sede da OAB. Ele lembra que a praça estava completamente abandonada e para ele a construção do novo prédio da OAB trará mais valorização e segurança a região. “Por um lado, acabar com essa área verde é um crime, um desperdício com a natureza. Mas, por outro lado, por culpa dos governantes que abandonaram, o local se transformou em refúgio de bandidos e moradores de rua. Agora, vamos ter mais segurança e valorização com esse novo prédio, pois a área será bem mais movimentada”, afirmou Hilton Fontes.

O aposentado Antônio Raimundo de Souza mora no bairro de Candelária há 38 anos. Ele lembra que na década de 1970, a praça era utilizada para torneios de futebol de salão e atividades esportivas e de lazer. “Mas infelizmente hoje é refúgio da bandidagem. Por irresponsabilidade do município, esse local não tinha mais utilidade e concordo que deve ser dado uma nova finalidade a ele, já que a Prefeitura não tem condições mínimas de manter. O conselho não quer a construção, mas ele também não fez nada para resgatar a nossa praça”, destacou o aposentado.

Segundo o presidente do Conselho de Moradores de Candelária (Conacan), Victor Vieira do Vale, cerca de quatro ofícios foram enviados aos órgãos do governo, solicitando a revitalização do local, dentre eles, um que foi encaminhado à Governadoria pedindo a recuperação total da quadra.

“A nossa proposta seria desenvolver um projeto de valorização do esporte junto aos jovens do nosso bairro, bem como, a construção de uma praça, que traria mais qualidade de vida e lazer aos moradores da região, mas não recebemos nenhuma resposta dos órgãos competentes”, relata. Após a assinatura dos moradores de Candelária, o abaixo-assinado será dirigido aos poderes públicos na tentativa de resolver o problema.

Compartilhar:
    Publicidade