Consultor mostra um pouco das tendências do varejo
O consultor Fred Alecrim já descobriu há alguns anos o tremendo negócio que é compartilhar o conteúdo efervescente da National Retail Federation (NRF), que acontece todos os meses de janeiro em Nova Iorque (completou agora 102 anos) em paralelo com a Retail’s Big Show e é considerado o evento mais tradicional e importante do varejo mundial.
Por causa da epidemia de gripe que assolou os EUA neste inverno, alguns componentes da comitiva potiguar liderada por Alecrim sentiram os efeitos e o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas, Amauri Fonseca, saiu do aeroporto direto para casa onde se medica de uma suspeita de H1N1.
Calcula-se este ano que 20% dos 25 mil inscritos da NRF (ao valor nada modesto de US$ 1 mil dólares por cabeça) prestigiaram o congresso, que mexe com a imaginação dos empresários e influencia os rumos de muitas empresas.
Fred Alecrim, um especialista em varejo, fez nesta quinta-feira, na sede da CDL, uma espécie de “resumão” dinâmico do evento, seguido de um workshop, para uma seleta platéia de empresários, alguns deles muito importantes, que foram ouvir as novidades deste ano.
Manoel Etelvino de Medeiros, presidente do Nordestão, por exemplo, anotava tudo sem parar, seguindo um dos princípios do palestrante segundo o qual o consumidor não está interessado tanto no que uma marca tem para vender, mas na sua experiência e no que ela tem a dizer.
E foi assim, durante 60 minutos alucinantes, que Fred Alecrim, recém chegado de uma programação semelhante em Porto Alegre, injetou uma cavalar dose de tendências do primeiro mundo do varejo que, mesmo mergulhado nos efeitos da crise internacional, é sempre criativo e inovador.
Ele enfatizou o impacto do móbile sobre os hábitos de consumo, exibindo informações que hoje são realidade na América do Norte, onde muitos consumidores olham e tocam um produto numa loja e usam seus smartphones para comprar o mesmo item em outra loja porque descobriram, num toque dos dedos, onde estava a real promoção.
Num país onde o estado é menos sócio da iniciativa privada e, por conseguinte, os tributos são muito menores, o consumidor é alguém reverenciado e as empresas fazem coisas que beiram ao impossível para conquistá-lo. Ainda mais em tempos de crise econômica, com lojas vazias e consumidores se esgueirando por trás de computadores, tablets e celulares à cata de vantagens até na hora de tomar um taxi.
Ao contrário do modelo clássico de um varejo que comunica via propaganda o que vai fazer e grita suas ofertas no rádio e na tevê, Alecrim trouxe a realidade inversa, onde quem escolhe é o cliente, cada dia mais interessado na informação que vai além da mercadoria que está na prateleira.
Ao contrário de anos anteriores, onde o Brasil aparecia no evento como o grande fato novo da economia mundial, segundo Alecrim, a bola da vez agora é a África. Para muitas empresas sem paciência, o Brasil é sinônimo de burocracia e despreparo logístico, embora exista quem, vindo de lá, se deu muito bem por aqui.
A NRF que Fred Alecrim encontrou este ano, no entanto, estava mudada por causa da crise. Espaços antes disputados na área de alimentação estavam vazios, mas isso foi de certa maneira compensado com um conteúdo agressivo, que batei em teclas do tipo: é preciso o varejo mudar a maneira de interagir com as pessoas, com os bairros, com os hábitos. Ou seja, pelo menos para Nova Iorque, os ensinamentos de ponta indicam que os negócios têm que mudar todos os dias porque os consumidores estão menos fieis e mais volúveis.
Nesse ambiente trazido por Fred Alecrim, lojas customizam artigos prontos para entregá-los no dia seguinte, abrem oito semanas e fecham uma semana para mudar toda a decoração e temas, e há aqueles que, ao invés de exibir prateleiras com estoques, ganham dinheiro só mostrando o que os outros têm para vender por médio de um grande show room de monitores direcionáveis ao toque.
Nesse mundo chamado NY e no evento celebrizado por mostras tendências, metade das pessoas já se comunica por mensagens de celular; 19% por meio de tablets ; 73% não ficam uma hora sequer sem verificar mensagens; 33% já usam seus dispositivos móveis dentro das lojas para fazer suas compras e a terceira idade invade as redes sociais.
Fred Alecrim não acredita que só tomar conhecimento desse mundo de inovações seja saída, mas já percebeu o fascínio que as informações que ele repassa causa nas pessoas e logo nos negócios que elas lideram. Só isso já é muita coisa.
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