Consumidor comprou mais e gastou menos no Natal, segundo os lojistas

Lojistas avaliarão resultados dos últimos meses

Comércio registrou aumento na quantidade de clientes antes do Natal, mas diminuição nos valores de cada compra em média. Foto: Divulgação
Comércio registrou aumento na quantidade de clientes antes do Natal, mas diminuição nos valores de cada compra em média. Foto: Divulgação

Marcelo Hollanda
hollandajornalista@gmail.com

A partir de primeiro de janeiro, passadas as festas de Réveillon, os lojistas de uma maneira geral e particularmente aqueles ligados aos grandes centros de compras da cidade, como o Midway Mall, o Natal Shopping e o Norte Shopping, que receberam pesados investimentos ultimamente, começarão a avaliar as vendas de Natal. O mesmo deve acontecer com o comércio popular, que este ano registrou um crescimento substancial no número de consumidores em relação ao ano passado.

Em jogo está o que os varejistas chamam de “ticket médio”, uma conta que indica ao lojista quanto ele está tirando em média de cada transação. Para chegar a esse resultado, ele divide o valor total faturado no período pelo número de vendas. Isso vai dizer como anda a saúde de seus negócios que, por sua vez, contam muito sobre a vitalidade financeira de seus clientes e a disposição deles para o consumo.

Este ano, os comerciantes já sabem que o consumidor compareceu mais as lojas, porém desembolsou menos em cada compra. Que isso produziu uma retração nos negócios em relação ao ano passado, pelo menos no ambiente de shopping, onde os preços são geralmente mais salgados em relação ao comércio de rua, disso ninguém tem dúvida.

A questão agora é saber quanto esse consumidor gastou em média em cada compra e de quanto foi exatamente essa queda em relação ao Natal de 2012. É a partir de informações como essa que os lojistas elaboram suas estratégias e corrigem os erros na forma de vendas.

Este ano, a família Sá terá uma visão mais ampla do que está acontecendo tanto no comércio de rua como no de shopping. O pai, Derneval, é presidente da Associação dos Empresários do Alecrim, tradicional comércio popular da cidade, enquanto Derneval Júnior é presidente da Associação dos Lojistas do Midway Mall, o maior shopping da cidade.

O pai diz que este ano, apesar do ticket médio menor das vendas, o Alecrim recebeu um número recorde de consumidores – por volta de 300 mil entre sábado e segunda-feira desta semana. O dobro do que recebe num final de semana normal. Ele suspeita que uma parcela importante de pessoas tenha migrado este ano do shopping para o comércio de rua onde, segundo ele, os camelôs estão rindo à toa.

Com custos que os comerciantes formais não têm, Derneval diz que eles venderam muito e que as lojas também driblaram problemas clássicos, como a falta de estacionamento, porque muita gente este ano resolveu ir às compras de ônibus e aquelas que chegaram de carro pediram aos condutores para que as apanhassem depois.

Mesmo assim, embora seja difícil fazer uma avaliação agora, ele estima um crescimento de 7% no faturamento do comércio de rua em relação ao Natal do ano passado. Mesmo com um tíquete médio inferior.

Já Dernerval Filho, presidente da Associação dos Lojistas do Midway Mall, diz que apesar da ameaça de grupos darem as caras no shopping para conturbar o ambiente, a presença de consumidores também foi recorde este ano.  O constrangimento dos “pintas”, que exigiu medidas adicionais de segurança, não parece ter intimidado o público, diz.

O mesmo fenômeno de vendas esteve presente tanto no comércio e ruas como nos shoppings  – número maior de consumidores e gastos menores nas compras. “No começo do ano teremos condições de fornecer os números para uma análise mais profunda e certamente os lojistas terão muito que conversar”, acrescentou Derneval Júnior.

Na semana passada, falando ao JH, o superintendente da Associação Comercial do RN, Adelmo Freire, antecipou um aumento de 6% nas vendas de Natal sobre o ano passado. Em 2012, o RN cravou um aumento nas vendas em relação à 2011 da ordem de 6,5%, colocando-se entre os três melhores resultados do varejo no país, num período em que a média nacional de 4,5% foi considerada a pior dos últimos 10 anos.

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