Consumidores recorrem a camelôs para se vestir de verde e amarelo

Preços mais baixos atraem público diversificado na véspera do início do Mundial

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O clima da Copa já está nas ruas e principalmente no comércio da cidade. Quem ainda está em busca de roupas com preços baixos, acima de tudo, tem o camelódromo do Alecrim como uma opção. E como acontece a cada quatro anos, o São João e a Copa do Mundo mesclaram as cores de todos os artigos da época.

Para a filha da depiladora Maria Cláudia de Melo a indumentária do São João vai ter as cores da Seleção Brasileira de futebol. “Vim comprar um vestido para a festa da escolinha da minha filha. Foi lá que pediram pra ser verde e amarelo”, disse, explicando o motivo das cores do vestido junino da filha de quatro anos. Por enquanto, esse foi o único artigo que Maria Cláudia comprou relacionado à mundial de futebol que começa nesta semana.

De acordo com vendedores informais, o crescimento das vendas desse tipo de produto se intensificou na semana passada. Esse é o motivo que levou Jéssica Lima a se tornar vendedora num box no Camelódromo do Alecrim. Segundo ela, só ontem, quando começou a trabalhar, conseguiu vender 25 peças com as temáticas centrais desse mês: Copa e São João.

“Vestidos de São João, sainha e camisas da copa saem bastante”, observou a vendedora. Outra característica própria da venda nos camelôs é a pechincha. A depiladora que foi comprar um vestido para a filha conseguiu convencer a vendedora Jéssica Lima a baixar o preço do vestido de R$ 35,00 para R$ 28,00. No final, a cliente saiu sem nota fiscal.

A dona da banca onde Jéssica começou a trabalhar, Juberlita Pereira, disse que a tendência é só aumentar o movimento de clientes. “Essa semana melhorou muito à vista do que estava a semana passada”, considerou.

O camelô sempre foi o modo como manteve sua família. No começo, estava acompanhada da mãe. A comerciante informal casou-se e teve que se dedicar a sua nova família. Mas o espírito de camelô não saiu dela. Então, em 1996, dona Juberlita voltou ao comércio popular no Alecrim.

Com quatro Copas no currículo (depois que retomou o negócio), ela recorda do quão prejudicial foi a derrota do Brasil para a Holanda no campeonato de 2010. “Só ficou ruim porque o Brasil perdeu e a gente ficou com muita mercadoria. Só com conjuntinho de criança fiquei com 40. Com camisas de mulher, fiquei com 35. Foi mais ou menos umas 100 peças”, relembrou.

Por sorte, Natal é uma cidade turística e dona Juberlita teve como reverter o prejuízo vendendo o produto para visitantes que queriam levar de volta para casa uma lembrancinha do país do futebol. Desde a Copa de 2010, a camelô não vende roupas masculinas. “Inventei de comprar uns calções e não vendi nada”, reclamou arrependida.

Na box de dona Juberlita Pereira, a peça mais barata é uma blusa que pode sair por R$ 20,00. A mais cara é o short amarelo, por R$ 55,00. Por algumo motivo desconhecido, os shorts verdes são renegados pelas clientes. “Eu compro pouco do verde, porque o amarelo vende a todo tempo é que nem ouro”, comparou.

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