Contra a maré
Fazer futebol está cada dia mais difícil. Cotas desiguais, rendas em bilheteria abaixo do esperado e ausência de patrocínios têm feito clubes das regiões Nordeste e Norte, em especial, lutarem pela sobrevivência, temporada após temporada, num eterno processo de quitação de contas do passado e anotações em caderno para cobranças futuras.
O desequilíbrio financeiro na administração do clube, no entanto, é o pior dentre todos os problemas que uma gestão pode enfrentar. Como ter um time competitivo, se financeiramente, não consegue competir? Como formar uma equipe forte sem gastar mais do que arrecada mensalmente? As perguntas são sempre as mesmas entre os dirigentes, e exatamente por não saírem dos questionamentos e irem à luta para trazer soluções criativas aos problemas é que a lamúria se torna trilha sonora de tragédias mais do que anunciadas.
A notícia, veiculada com exclusividade dias atrás por esta coluna, do adiantamento de um total de R$ 1,2 milhão pelo ABC das cotas da CBF para o brasileiro – R$ 600 mil desse valor devem chegar ao clube ainda esta semana – mostra que o clube perdeu o fio da meada quando o assunto são suas finanças. O valor é perto da metade do que o clube receberia ao todo para a disputa da Série B do Brasileiro, a começar em maio.
Dois anos atrás, contudo, o Alvinegro havia saltado de pouco mais de 500 sócios para 5 mil e caminhava para frente. O que mudou nesse intervalo de forma tão brusca a ponto promover a estagnação do desenvolvimento e o descontrole das finanças até alcançar atrasos salariais que ultrapassam quatro meses e chegam perto de R$ 1 milhão em dívidas com o elenco?
Há divisão política no clube? Acabou o fôlego dos gestores? Não saberia responder, mas diria, sem receio algum que não há outra forma de remar contra a maré da crise financeira no futebol, senão a criatividade. Ações inovadoras, fidelização afetiva do torcedor ao clube – não apenas convocação por obrigação de oferecer migalhas à agremiação – numa mostra de promoção da autoestima.
Sem marketing de aparências, embasadas sim, as ações precisam vir de projetos reais e possíveis de serem postos em prática, são a única forma de ver não apenas o Alvinegro, mas os clubes de médio porte saírem das crises sazonais e brigarem lado a lado com os mais fortes.
Volta de quem não foi
O atacante Itamar está de volta ao América. O jogador que sequer havia estreado com a camisa rubra teve seu retorno confirmado pelo presidente do clube, Alex Padang, através do twitter. A reapresentação do jogador está marcada para amanhã à tarde, junto com o restante do elenco após a partida diante do Assu. Itamar, ex-Ceará e Flamengo, havia pedido para sair sob a alegação de problemas pessoais, já que a esposa do jogador não estaria satisfeita em morar em Natal e queria retornar a Coreia do Sul.
Como d’antes
Romarinho e Jheimy tentaram, mas parece que o ataque do ABC voltará aos tempos de Copa do Nordeste. Rodrigo Silva e Vanderlei devem formar o ataque titular do ABC para enfrentar o Alecrim. Junta, a dupla contabiliza nove gols, com sete assinados pelo centroavante, e dois pelo baixinho Vanderlei. A expectativa do técnico Paulo Porto é que o entrosamento dos dois possa fazer a diferença no duelo decisivo contra o Alecrim.
Nordestão no Independent
O título de campeão da Copa do Nordeste levou o Campinense-PB às paginas virtuais do site do jornal britânico, Independent. Em matéria publicada ontem, pelo blogueiro James Young, a luta do futebol nordestino para se reeguer contra as potências econômicas de São Paulo e Rio de Janeiro foi destaque. O texto reforça ainda a superioridade das bilheterias em relação aos campeonatos estaduais com os grandes da região Sudeste. Por fim, enaltece o exemplo da Raposa paraibana no processo de revitalização do futebol da região, em títulos e competitividade. A matéria é em inglês, mas a honraria é universal: http://ind.pn/149Hbyg
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