Copa do Mundo fica livre e não haverá reajuste do preço da cerveja

Após pressão de bares e restaurantes, governo adia alta de impostos para depois do Mundial

Proprietário do bar Victor, na Lapa, Ricardo Cabral afirma que aumentos de impostos estão fazendo ele perder 30% de vendas para 'isoporzinho'. Foto: Divulgação
Proprietário do bar Victor, na Lapa, Ricardo Cabral afirma que aumentos de impostos estão fazendo ele perder 30% de vendas para ‘isoporzinho’. Foto: Divulgação

Os torcedores vão assistir aos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo bebendo cerveja sem aumento de preço. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o governo não vai mexer nos impostos que incidem sobre as bebidas frias no período do Mundial. A categoria, que inclui cervejas, refrigerantes, isotônicos e refrescos, teria alta de impostos a partir de 1º de junho. Mas a correção foi adiada para setembro, após o ministro se reunir com representantes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

O aumento gradual acontece, de acordo com Mantega, para evitar o repasse da carga tributária ao consumidor e diminuir a pressão sobre a inflação.

“Sem dúvida, nós temos grande preocupação que a inflação permaneça sob controle e esse setor pode dar contribuição importante. Nós fizemos um pacto de que não haveria aumento durante a Copa e, de preferência, depois também”, disse o ministro.

Além disso, Mantega também afirmou que, com a recomposição da tabela de impostos, o país terá mais recursos para cumprir a meta de superávit fiscal primário, que é a reserva de recursos para o pagamento da dívida pública.

Pouco antes da reunião, o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, divulgou que o reajuste durante o Mundial causaria a demissão de 200 mil funcionários no setor de bares e restaurantes. De acordo com ele, o anúncio pressionou o governo federal a adiar a mudança para setembro.

“Argumentei que os principais prejudicados da decisão seriam os pequenos empresários, aqueles que sobrevivem da venda de cerveja. Essa é a nossa grande preocupação”, explicou.

Ainda segundo Solmucci, esse foi um fator decisivo para o adiamento do reajuste. “O ministro se sensibilizou com a possibilidade de demissões e a situação do pequeno empresário”, afirmou.

A previsão da Abrasel é de que o aumento teria impacto de 10% a 12% no preço das bebidas frias para o consumidor. Logo depois do anúncio de aumento, em abril, a Receita Federal retificou informação, em nota oficial, de que os preços das bebidas frias subiriam, em média, 2,25% para o consumidor final, e não 1,3%.

Mas, para superintendente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes (SindRio), Darcílio Junqueira, qualquer aumento de carga tributária é injustificado.

“Os preços já estão altos e não tem como segurar o avanço dos impostos, sendo necessário repassar ao consumidor. É claro que ouvimos constantes reclamações, principalmente de pequenos estabelecimentos que têm a cerveja como principal produto de faturamento”, reclama.

Os três impostos federais que incidem sobre o litro das bebidas são pagos pela indústria. No entanto, a alta costuma ser repassada para as distribuidoras e, por fim, aos pontos de venda, como bares, restaurantes e supermercados.

‘Copa sem Aumento’ está em vigor

A Ambev já havia anunciado a promoção “Copa sem Aumento” em abril, compromisso de não reajustar os preços das marcas líderes até o fim da competição, que termina em julho. Os valores da bebida variam, em média de R$ 6 a R$ 9, dependendo da região da cidade.

A promoção é extensão da campanha “Verão sem aumento”, que durante toda a temporada manteve os valores estáveis e teve a adesão de 500 mil pontos de venda em todo país, 50 mil só no Rio. Além das marcas Brahma, Antarctica e Skol, o portfólio da empresa traz rótulos da Bohemia e Original, além do chope Brahma.

De acordo com a companhia, é esperado para 2014 um aquecimento nas vendas idêntico ao do verificado no verão com a promoção da Copa do Mundo. “A plataforma do futebol é importante para nós, principalmente com a marca Brahma, patrocinadora oficial da Copa. Já a campanha incluindo as outras marcas é uma forma de ajudar a promover a competição. Em relação às vendas, a expectativa é de consumo de verão durante os meses do Mundial”, explicou o gerente de marketing da Ambev RJ, Bruno Sergio de Oliveira

Desde o mês passado, equipes de vendas visitam estabelecimentos para sensibilizar os comerciantes a manter os preços sem reajuste no período do evento. Assim como aconteceu no “Verão sem aumento”, os pontos de venda participantes ganham selos e cartazes para a campanha.

‘Isoporzinho’ ainda faz comércio perder clientes

“Continuamos perdendo clientes para o ‘isoporzinho’”. A afirmação de Ricardo Cabral, dono do bar e restaurante Victor, na Lapa, reflete a preferência dos consumidores por beber em casa ou levar as garrafas na bolsa.

Com o objetivo de gerar economia, a prática se tornou popular no Carnaval deste ano, com foliões carregando um isopor com bebidas para os blocos de rua. Ricardo afirma que, mesmo com a campanha da Ambev, ‘Verão sem aumento’ o bar sofreu uma redução expressiva de vendas nos últimos meses. “Tivemos que repassar as altas de impostos para os clientes e perdemos 30% nas vendas”, disse Ricardo.

Os pequenos fabricantes de refrigerantes reunidos na Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras) reclamam que qualquer aumento nos impostos do setor representaria um acréscimo de até 30% para os pequenos produtores de bebidas, enquanto as grandes corporações do setor seriam impactadas em menos de 10%.

Já a Ambev preferiu não se pronunciar diretamente sobre a decisão do governo de não aumentar os impostos. A associação de fabricantes de cerveja CervBrasil afirmou que “o diálogo foi muito bom e representou os dois lados”.

Fonte: IG

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