Copa do Mundo em Natal decepciona pequenos empreendedores do turismo

Segmentos como aluguel de carros e passeios de buggy estão em baixa desde o início do mundial

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Marcelo Lima

Repórter

A realização da Copa do Mundo prometia uma explosão turística em Natal. Mas para alguns empreendedores da principal atividade econômica do Estado, o tal “boom” não é mais do que uma frustração. Apesar da expectativa do Ministério do Turismo de mais de 130 mil visitantes na capita potiguar, nesse período, os turistas ficam poucos dias e não utilizam muitos recursos turísticos.

Essa estimativa gigantesca para um período tão curto não resultou em movimento para muita gente que trabalha com turismo. Passados três dos quatro jogos marcados para o Arena das Dunas, Aelson Medeiros, empresário da Turisbuggy, locadora de carros localizada no bairro de Lagoa Nova, é taxativo: “Nós criamos uma perspectiva de grande movimento, mas foi um fracasso”, classificou.

Desde o início do mundial de futebol, a sua empresa só alugou carros para os clientes locais, sejam eles empresas ou pessoas físicas. Houve uma única exceção. “Só veio de Pernambuco. Um turista veio de Fernando de Noronha, passou por Natal para ver um jogo, mas nem ficou. Foi para Fortaleza”, contou o empresário.

Convém ressaltar que o período de junho é tradicionalmente de baixa estação. No entanto, neste ano o movimento está ainda menor do que o esperado. “A gente esperava um movimento acima de 50%”, disse. Segundo Aelson Medeiros, a locadora está com 17 carros parados de um total de 30.

No início do mês de maio essa média era menor. “Até o dia cinco de maio, tinha uma média de cinco carros parados”, relatou. As obras realizadas na Grande Natal para a Copa do Mundo representaram grande parte do movimento nesse período pré-copa. “Com o fim das obras no Aeroporto de São Gonçalo e na Arena das Dunas, o movimento caiu muito”, disse. Contraditoriamente, a fase de preparação do evento gerou mais movimento do que a própria Copa do Mundo.

Para o empresário, vários fatores contribuíram para essa frustração. “Nós tivemos um número enorme de reservas feitas pela Fifa e depois foram canceladas. Natal também não conseguiu deixar nenhuma seleção fixa aqui, como base. A maioria dos turistas mexicanos e japoneses ficaram em Recife, que tem uma infraestrutura bem melhor que a nossa”, elencou os possíveis motivos.

Tempo de permanência

Além disso, Medeiros observou que os turistas estão vindo a Natal para passar dois dias. Esse seria o tempo de chegar a Natal, ver o jogo e ir para a próxima parada. Essa média de tempo é bem menor do que mostram as pesquisas sobre permanência de turistas que vem a Natal por outros motivos. Em outras épocas do ano, a média de permanência é de sete dias na cidade.

A nossa equipe de reportagem também constatou, por meio de enquete com grupos de turistas estrangeiros, que o tempo de permanência deles não passa de sete dias. De quatro grupos de estrangeiros entrevistados pela nossa reportagem desde o início da Copa em Natal, o primeiro (composto por três homens e duas mulheres) passou sete dias. Outros dois grupos (um com três homens e outro com dois) passaram dois dias. E um terceiro grupo de uruguaios (com 21 homens) passará cinco dias.

Bugueiro

Dos 50 anos de vida, o bugueiro Leonir Lopes de Lima dedicou 30 anos a realizar passeios de buggy pelo litoral Norte do Estado com turistas. Para ele, a realização de uma Copa do Mundo em Natal seria um momento excepcional da sua atividade. “O pessoal queria cobrar até R$ 700,00 por passeio, mas estamos cobrando R$ 400,00″, disse em tom desanimado.

Para ele, o turista que veio para a Copa do Mundo é bem semelhante ao turista do carnaval fora de época da capital. “No Carnatal, a gente sente isso direto. O turista vem só para o evento mesmo”, disse.

No momento da entrevista, Leonir recebia uma guia de um passeio que iria fazer por R$ 360, mais baixo que a média para o período. “É melhor a gente rodar mais cobrando menos do que cobrar R$ 1 mil e fazer só um passeio por semana”, justificou.

O passeio dura uma média de seis horas por cerca de 120 quilômetros em todo praias do litoral, inclusive nas dunas. Ele é prestador de serviço para uma agência que faz o intermédio com os turistas. “A gente está rodando quase com 40% dos carros. Por incrível que pareça, entra ano e sai ano e nunca senti tanto quanto esse mês”, disse, acrescentando que tinha feito apenas sete dias de passeios neste mês.

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