Cordialmente…

Nunca vi Ferreira Gullar. Já contei aqui que Rejane, minha mulher, esteve com ele numa das salas do edifício do…

Nunca vi Ferreira Gullar. Já contei aqui que Rejane, minha mulher, esteve com ele numa das salas do edifício do Ministério da Cultura, no Rio, e como não estava previsto, não mandei a minha primeira edição do ‘Poema Sujo’ para ser autografado. Aqui, se cabe a vaidade, tem só um exemplar da quarta edição de ‘Luta Corporal’ com dedicatória: “Para Vicente Serejo, cordialmente, Ferreira Gullar, 1994′. Nada mais na brancura da folha de rosto do pequeno exemplar da editora J. Olympio.

Não persigo autógrafos pessoais, a não ser quando conheço ou gosto do autor. Prefiro a busca de autógrafos singulares. Nada pode ser mais prazeroso do que dispor na estante do livro de poemas de Gilberto Freyre dedicado ao general Golberi do Couto e Silva. Naquela sua clássica falsa modéstia de quando escreve ao autor de ‘Geopolítica do Brasil’ não como o grande sociólogo da sociedade patriarcal brasileira, de ‘Casa Grande & Senzala’, mas apenas como um ‘companheiro de estudos’.

Mas Gilberto era assim. De uma cordialidade inegável, nutrido na sua alma aristocrática posta à sombra do solar de Apipucos, entre palmeiras imperiais adejando no céu antigo do Recife. Não sei se foi um privilégio, mas estive com Gilberto Freyre duas vezes. A primeira, em Natal, na casa de Câmara Cascudo quando veio na comitiva do governador Eraldo Gueiros para a entrega da nova edição do livro ‘Folclore Pernambucano’, de Pereira da Costa, ao lado do grande poeta Mauro Mota.

Alguns anos depois estive no almoço oferecido por Odilon Ribeiro Coutinho na casa de Elenir Varela. Desta vez, depois de consultar a Odilon, levei meu exemplar da 17ª edição de Casa Grande & Senzala, da J. Olympio, Rio, 1975. Mais uma vez a sua cordialidade dissipada naquela falsa modéstia simpática, se revela na dedicatória ao tratar este repórter de ‘companheiro de atividade jornalística’.  Gilberto numa tarde exuberante, no belo jardim de Elenir, entre os belos galgos brancos do Guaporé.

Tive uma terceira chance, mas a sorte não soprou a favor. Foi na Fundação Joaquim Nabuco na companhia de Pedro Vicente. Fomos visitar o grande poeta Jaci Bezerra, de quem fiquei amigo e ganhei um poema. O combinado é que Jaci nos levaria a Fernando Freyre e de lá iríamos ao gabinete de Gilberto para ‘o conhaque de pitanga’ como gostava de chamar, e não licor. Mas, naquela manhã, logo naquela manhã, ao contrário do previsto, Gilberto Freyre não foi à Fundação Joaquim Nabuco.

Aqui, sua presença mais antiga, ao lado dos livros, está na dedicatória a Oswaldo Lamartine na primeira edição do seu ‘Perfil de Euclides e outros perfis’, J. Olympio, Rio, 1944: ‘A Oswaldo Lamartine, com um abraço, e a muita admiração do seu companheiro de estudos’, Gilberto, Recife, 1948′. Na fotografia de Gilberto, feita por Oswaldo na sua visita a Natal, está Câmara Cascudo. Um exemplar que Oswaldo encadernou em couro, espantando a solidão como aprendiz de encadernador.

 

PREVISÃO – I
Esta coluna avisou ontem na sua primeira nota, que o mandato da governadora Rosalba Ciarlini seria preservado pelo TER e que a guerra de recursos se dará quanto à sua ilegibilidade na eleição de 2014.

ALIÁS – II
A decisão do TSE colocou o ponto final nas notas, reuniões e manifestações típicas do mesmo legalismo do início do governo Rosalba, quando o coronelismo jurídico tomou o lugar do bom senso.

BOTIJA – I
O best seller do novo Café São Luiz é ‘A Botija – A Bolsa da família Alves’, mostrando de como uma família, segundo os autores – Paulo Augusto e João Eudes, se nutre do poder há mais de 50 anos.

GALERIA – II
Mais de 200 páginas e na última capa a galeria com fotografias de todos os Alves, de ontem e hoje, até de Paulo Davin que não é Alves e está senador apenas como primeiro suplente de Garibaldi Filho.

IDOSOS
É de quase desespero a situação das instituições de abrigo aos idosos no Estado. É por isso que será lançado um manifesto, quarta-feira, dia 18, às 9hs no Abrigo Juvino Barreto. Estamos em pleno caos.

LUTA
Não pensem que os caicoenses arriaram suas armas na luta pela criação da Universidade Federal do Seridó com sede em Caicó. Domingo eles vão rezar para Santana e se reúnem para a nova estratégia.

PALATNIK
Já em Natal os cinco quadros de Abraham Palatnik adquiridos pelo Governo do Estado para o acervo da Pinacoteca Estadual. Ele representa hoje a mais importante presença como criador da arte cinética.

CASAS
Começa hoje e vai até dia domingo o II Fórum Potiguar dos Pontos com a presença de representantes do Ministério da Cultura. Com aquele gosto muito mais político e petista do que cultura. É do estilo.

ALIÁS
Seria bom que fizesse parte da discussão a situação atual das casas de cultura distribuídas em mais de duas dezenas de cidades do Rio Grande do Norte. A situação de algumas delas, hoje, já é deplorável.

CONQUISTA – I
O acervo de Geraldo Edson – livros, gravuras, quadros e objetos pessoais – foi doado por sua família ao Rio Grande do Norte, sua terra, e vai será integrado ao acervo permanente da Pinacoteca Estadual.

VIAGEM – II
A doação foi comunicada pela família, no Rio, na presença da secretária de cultura, Isaura Rosado, com o compromisso de ser exposto com garantia de acesso ao público, a pesquisadores e estudiosos.

TONHECA – I
Minervino Wanderley concorda com o que foi dito aqui: a grande beleza da Orquestra Sinfônica da UFRN executando a Royal Cinema em nada teria sido diminuída com a presença da banda da PM.

AO… – II
Contrário: teria sido uma execução histórica da valsa Royal Cinema pela banda de música da PM que ele regeu há um século. No final, sua execução sinfônica como o seu instante de grande consagração.

RETRATO
Outra vez a Justiça precisou dizer a Pelé, na forma de sentença, seus deveres como marido, tio, avô e que tais, depois dele negar a paternidade, mesmo desinteressada em seu dinheiro. Um ídolo de barro.

Compartilhar: