Corpo de Bombeiros terá base fixa no Parque da Cidade

Obsoleta desde sua inauguração, em 2006, com custo de quase R$ 22 milhões, Parque terá base com 12 homens e 6 veículos. Foto: Heracles Dantas
A morte de Oscar Niemeyer, além de provocar um sentimento de perda nacional, para os natalenses, chamou a atenção para seus dois projetos na cidade: o Presépio de Natal e o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte. Aquele, sob responsabilidade estadual, foi inaugurado em 2006, na gestão Wilma de Faria. Este, que custou quase R$ 22 milhões, foi entregue inacabado, em 2008, pelo prefeito Carlos Eduardo Alves, em sua primeira passagem pelo palácio Felipe Camarão.
Criado para servir de estação ecológica e de proteção da área do aquifero, ponto de lazer para a população e embelezar a Capital do Sol com os traços de um dos principais arquitetos da história, o Parque foi interditado na gestão Micarla de Sousa, sem que esforços para o pleno funcionamento fossem empreendidos. Agora, uma iniciativa do Corpo de Bombeiros, junto à Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) promete contribuir com os passos iniciais da abertura total do aparelho público.
As instituições estão prestes a formalizar um convênio para a instalação de uma base fixa da corporação no Parque da Cidade. A região é a principal em número de ocorrências atendidas pelos Bombeiros. Na dependência apenas da apresentação de uma minuta para definir normas de utilização do parque e termo de cooperação mútua, que será entregue até quarta-feira (15), segundo o assessor de imprensa e tenente do Corpo de Bombeiros, Cristiano Couceiro, a iniciativa pretende diminuir drasticamente o tempo de chegada de equipes à área de preservação ambiental.
“Aqui é um ponto estratégico, pois é onde acontecem mais incêndios. Saímos da Alexandrino [avenida] para atender uma ocorrência, o que leva tempo. E com incêndio, dez, quinze minutos de fogo podem destruir uma vasta área”, alerta o tenente Ananias Targino, comandante da Seção Independente de Defesa Ambiental (SIDAM) do Corpo de Bombeiros. Com mais três profissionais, ele ocupa, há 20 dias, uma sala no prédio central do Parque, como uma prévia do convênio que está por vir.
Serão 12 homens distribuídos em duas salas para alojamento e depósito, além de uma base na margem Cidade Nova, como auxílio na segurança, e outra na parte baixa, que oferecerá cursos, palestras e orientações para os visitantes, quanto aos cuidados com incêndios e acidentes domésticos. “A população é quem vai sair ganhando. Nós teremos seis viaturas em todo o Parque. Três para a intervenção rápida ou de combate aos incêndios. Uma ambulância, uma para captura de insetos e outra para salvamento terrestre”. Tenente Targino afirma que será utilizada a mesma equipe da SIDAM, com mais de 15 anos de experiência. “É um efetivo experiente na proteção da flora. Quanto mais rápido atendermos, menor é a degradação”.
Na manhã desta segunda-feira (13), a reportagem esteve no Parque da Cidade. Com a guarita de entrada sem funcionário para registrar veículos ou visitantes, o mato degrada uma das mais bonitas panorâmicas de Natal. Com 132,36 hectares, situado na Zona de Proteção Ambiental 1 (ZPA-1), entre os bairros de Candelária e Cidade Nova, a pequena sobra de Mata Atlântica está obsoleta desde sua inauguração – pessoas utilizam como percurso para corridas e caminhadas. Recém-nomeado para o cargo de secretário do meio ambiente e urbanismo municipal, Marcelo Toscano demonstra empolgação com a parceria.
“Falta apenas definirmos as atividades na minuta, para ficar claro as obrigações de cada um. A presença do Corpo de Bombeiros no Parque da Cidade é altamente necessária, pois é ali onde mais de pega fogo, ainda mais nesse período crítico que é o verão. Dessa cooperação entre Semurb e Bombeiros, queremos ter cursos de capacitação e educação ambiental e agilizar licitações. Estamos assumindo agora, mas trabalharemos forte para recuperar aquela área”.
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