Corpos de 48 meninas são encontrados juntos em cabine de balsa naufragada

Mergulhadores acreditam que elas optaram por permanecerem unidas porque sentiam medo. Todas usavam coletes salva-vidas

Parente de um passageiro desaparecido após a balsa Sewol afundar chora enquanto espera por notícias em porto de Jindo, Coreia do Sul. Foto: Divulgação
Parente de um passageiro desaparecido após a balsa Sewol afundar chora enquanto espera por notícias em porto de Jindo, Coreia do Sul. Foto: Divulgação

Nos momentos caóticos que antecederam a submersão da balsa sul-coreana Sewol nas águas geladas do Mar Amarelo, 48 meninas obedeceram as ordens dos membros da tripulação e colocaram seus coletes salva-vidas. Talvez por estarem com medo, todas se amontoaram em um quarto individual destinado a 30 pessoas. Nenhuma delas sobreviveu.

A recuperação dos corpos das meninas, anunciada nesta sexta-feira (25) pelas equipes de resgate, oferece um vislumbre dos últimos momentos a bordo da balsa, que naufragou no último dia 16 com 476 pessoas a bordo.

Esse novo fato também oferece uma luz à difícil tarefa dos mergulhadores em tentar recuperar corpos, diminuindo a pequena esperança das famílias dos desaparecidos de que talvez, em algum lugar a bordo, alguém possa permanecer vivo.

Será que esse fardo pesado vai encabeçar todo o restante das buscas após o desastre? Parentes das pessoas que estavam a bordo têm se entristecido com as informações sobre o aumento do número de mortos.

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Mergulhadores que participam dos resgates falam em uma verdadeira floresta de objetos flutuantes, portas forçadas pela enorme pressão da água e de correntes que arrastam seus tubos de respiração que os mantêm vivos enquanto procuram por mais corpos.

O mergulhador Civil Chun Kwan-geung, que integra uma das muitas equipes de resgate nas águas turvas sul-coreanas, informou que teve de quebrar janelas para chegar às plataformas mais baixas do navio, que está agora no fundo do mar a aproximadamente 73 metros da superfície.

“Os mergulhadores já procuraram em todos os lugares de fácil acesso. Eles esperam que as buscas se ​​tornem mais difíceis por causa das crescentes correntes marítimas e condições climáticas rigorosas. Mas a Marinha não vai parar até que o último corpo seja encontrado”, afirmou o capitão da marinha sul-coreana Kim Jin-hwang, comandante das operações de resgate.

De acordo com informações mais recentes sobre o resgate, os mergulhadores de Jin-hwang estão tentando encontrar caminho para ter acesso a outro quarto em estilo dormitório, onde acredita-se que outras 50 meninas devam ter se reunido quando o navio começou a afundar.

Até agora, as equipes de resgate recuperaram 185 corpos. Outras 117 pessoas continuam desaparecidas. Ninguém mais foi retirado com vida da água após o resgate de 174 no dia em que a balsa afundou. Enquanto os esforços continuam, as autoridades sul-coreanas pressionam investigação criminal sobre o naufrágio, o que já resultou na prisão do comandante do navio e outras dezenas de pessoas da tripulação.

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Promotores em Mopko, Coreia do Sul, que estão conduzindo a investigação, disseram à CNN nesta sexta que as autoridades ainda não conseguiram determinar o que causou o naufrágio. As principais teorias incluem as alterações feitas para aumentar a capacidade de passageiros do navio e o deslocamento de carga.

Na escola onde estudavam os alunos mortos no naufrágio, as aulas foram retomadas na quinta (24), com uma homenagem com flores e fotos das vítimas, uniformizadas. Abatidos, outros alunos deixavam crisântemos brancos no local ao chegar para as aulas. Fitas amarelas com nomes e mensagens para os mortos foram amarradas na cerca do local.

Fonte: IG

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