Corrida por terminal pode apressar obras na Ribeira
Na semana em que o navio de passageiros Quest for Adventure, bandeira de Malta, com 400 passageiros, cancelou a escala de 12 horas que faria em Natal no próximo dia 24, sem explicar os motivos, a Companhia Docas do RN corre para resolver gargalos ligados ao Terminal Marítimo com inauguração prevista entre agosto e setembro deste ano.
Um desses problemas, que também atrapalha e muito a competitividade do porto como um todo, é a limitação imposta ao trânsito de qualquer navio depois das 17 horas, sejam eles de cargas ou de passageiros. Os outros gargalos conhecidos estão ligados à desocupação da comunidade do Maruim e à revitalização do bairro da Ribeira.
No próximo dia 28, o presidente da Codern, Pedro Terceiro, pretende colocar pelo menos o assunto da ponte na mesa durante uma reunião agendada em Brasília como o Ministro dos Portos, Leônidas Cristino.
A idéia é mostrar para o Ministro os prejuízos que o Porto de Natal acumula em virtude da portaria proibindo a circulação noturna de navios. Editada pela Capitania dos Portos, a medida de segurança não está em questão e sim à falta de proteção nos pilares da ponte Newton Navarro que a motivou.
Ontem, Pedro Terceiro de Melo reuniu-se com representantes da Polícia Federal, Receita Federal, Anvisa, Ministério da Agricultura e Capitania dos Portos para apresentá-los ao projeto do Terminal Marítimo, cuja administração será entregue à iniciativa privada a partir de licitação pública montada por uma consultoria de São Paulo.
Em outra reunião com o prefeito Carlos Eduardo, o presidente da Codern focou sobre três prioridades: a realocação da Comunidade do Maruim para que o porto complete sua expansão física; a revitalização da parte do bairro da Ribeira que dá acesso ao Terminal de Passageiros e, por fim, apoio para que se encontre uma solução à falta de defensas nos pilares da ponte Newton Navarro, ironicamente uma obra da ex-governadora Wilma de Faria, vice do atual prefeito.
As benfeitorias nos acessos ao terminal de passageiros incluem a revitalização da Rua Chile, Avenida Hildebrando de Góis e Esplanada Silva Jardim. As obras do Terminal então 50% concluídas com previsão de consumir R$ 55 milhões.
Uma nova reunião entre a Codern, desta vez com os secretários municipais de Obras Públicas e Infraestrutura, Meio Ambiente, Serviços Urbanos, Habitação e Turismo foi marcada para o próximo dia 23.
“Minha impressão é que o prefeito está preocupado em resolver esses problemas e muito disposto a ajudar”, comentou nesta sexta-feira o presidente da Codern, Pedro Terceiro, que é também vice-presidente da Federação da Indústria do RN.
Uma novidade que surgiu ontem durante o encontro entre Terceiro e Carlos Eduardo saiu do secretário de Turismo, Fernando Bezerril, ao informar que já são muitos os pedidos de donos de iates particulares para atracar em Natal por ocasião da Copa de 2014.
Bezerril disse que existe um encaminhamento junto à Capitania dos Portos para ordenar uma faixa na área lindeira da ZPA sete para a colocação de bóias de sinalização para essas embarcações e um atracadouro de pequenas lanchas na praia próxima do Forte dos Reis Magos para o desembarque dos ocupantes dos barcos maiores.
E, antes que ambientalistas saiam brandindo cartazes pelas ruas, Bezerril informou que não se pretende fazer qualquer obra nesses locais. “Quando muito teremos uma escada desmontável no desembarque das lanchas sem cortar uma única das árvores que, aliás, não existem no local”, brincou.
Bezerril comentou que a reunião entre o prefeito e o presidente da Codern serviu para retomar uma série de prioridade que já vinham da gestão anterior de Carlos Eduardo em relação à revitalização do bairro da Ribeira, já realizada em parte, e à realocação do bairro do Maruim, cujas pesquisas desenvolvidas na época mostraram que boa parte dos moradores desejava sair do local, livrando seus filhos da convivência com traficantes.
“Sentimos que há muitas pontas e unir e nós entramos para somar, envolvendo todos os recursos que possam estar disponíveis – da Caixa Econômica ao Prodetur, que é de responsabilidade do estado”, lembrou Bezerril.
Hoje, enquanto o velho sonho do Terminal de Passageiros não se torna realidade, as escalas de navios de passageiros acontecem de quando em quando, colocando lado a lado navios de cargas e passageiros.
Em fins do ano passado, um compacto transatlântico com pouco mais de 200 passageiros obteve permissão para deixar o porto depois das 19 horas porque já havia feito esse pedido com mais de um ano de antecedência.
O Silver Coud trazia uma grande maioria de turistas idosos que preferiram permanecer a bordo a encarar o calor de 35 graus do cais do porto de Natal, protegendo-se nas tendas de plásticos armadas a poucos metros. Um tapete vermelho estendido na hora, ligando o navio a duas tendas, fora retirado depois da chegada do navio por causa do vento.
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