Cremern exige garantia de três ortopedistas na escala do Walfredo Gurgel

A diretora do Hospital Walfredo Gurgel, Fátima Pinheiro, disse que está em negociação com os ortopedistas

Na manhã de hoje, 39 pacientes esperavam cirurgia no corredor de ortopedia. Foto: Divulgação
Na manhã de hoje, 39 pacientes esperavam cirurgia no corredor de ortopedia. Foto: Divulgação

A dois dias da ameaça de suspensão no atendimento ortopédico no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel ainda não houve acordo entre a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) e a equipe médica de ortopedistas do Hospital para manter o atendimento à população, seguindo a escala de trabalho publicada no Diário Oficial do Rio Grande do Norte pela Sesap e recomendada pelo Ministério Público, sob pena de responsabilização administrativa, civil e criminal de cada profissional envolvido, que estabelece apenas dois profissionais por plantão. Os médicos se recusam a cumprir a escala, baseado em uma resolução do Conselho Regional de Medicina do RN (Cremern), que estabelece o mínimo de três profissionais por plantão.

O presidente do Conselho Regional de Medicina, Jeancarlo Cavalcante, a resolução do Cremern estabelece o mínimo de três ortopedistas por plantão, por entender que é o contingente mínimo para garantir uma assistência com segurança à população. Jeancarlo Cavalcante considera que a resolução vai obrigar a direção do Walfredo Gurgel e a Sesap a buscar alternativas para que seja cumprida a escola de três profissionais por plantão.

“Caso não seja cumprida a resolução do Conselho, a diretora técnica do Hospital responderá junto ao Conselho. Uma das alternativas seria antecipar os plantões de janeiro, para que assim a Sesap e a direção do Hospital tivesse mais tempo para encontrar uma solução definitiva para o problema”, afirmou o presidente Jeancarlo Cavalcante.

O ortopedista Djalma Carlos, que há mais de 20 anos trabalha no Hospital Walfredo Gurgel, disse que ontem foi realizada mais uma reunião com representantes da Secretaria de Saúde do Estado e os ortopedistas a fim de resolver o problema, mas que o impasse permanece. A proposta apresentada pela Sesap foi que os ortopedistas dessem plantões eventuais para garantir o atendimento à população, mas os médicos recusaram.

“Para fechar o mês cada um teria que dar pelo menos dois plantões eventuais e não queremos, pois o Governo não paga plantão eventual”, afirmou Djalma Carlos. Os médicos apresentaram uma contraproposta. Que os plantões de janeiro pudessem ser adiantados para garantir o atendimento até o dia 31. A Secretaria ainda não se pronunciou a respeito dessa proposta, mas se for aceita, a escala de atendimento dos ortopedistas para o próximo mês, com os atuais profissionais, só chegará até o dia 11.

De acordo com Camila Costa, coordenadora dos Hospitais e Unidades de Referência (Cohur), o Governo não tem condições de atender com urgência, a condição exigida pelos ortopedistas, para que mais médicos sejam colocados à disposição, pois, não existe, no momento, ortopedistas aguardando convocação. Além disso, abrir concurso público requer planejamento e um prazo mínimo de 30 dias.

“A saída pode ser a contratação através de cooperativas médicas, mas, para isso, precisamos estabelecer um contrato, que ainda não existe, e que pode levar mais de 30 dias para ficar pronto, porque precisa considerar vários critérios, como a adequação de escalas de serviços”, destacou a representante da Cohur, Camila Costa.

Caso haja suspensão no atendimento ortopédico no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, a população deverá se dirigir ao Hospital Regional Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim, onde quatro ortopedistas trabalham até às 19 horas e outros três em regime de plantão.
A diretora do Hospital Walfredo Gurgel, Fátima Pinheiro, disse que está em negociação com os ortopedistas e acredita no bom senso da categoria para garantir a assistência à população no final de ano. “Espero que possamos chegar em um consenso, e enquanto isso, o secretário Luiz Roberto está correndo atrás, pois há quase 20 ortopedistas espalhados na rede”, afirmou a diretora.

Corredores

Apesar das inúmeras tentativas de zerar o corredor do politrauma do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, ainda é possível encontrar vários pacientes no corredor. Na manhã de hoje, havia 39 pacientes de ortopedia internados no Hospital à espera de cirurgia eletiva. No corredor de clínica médica tinha 32 pacientes e 23 pacientes à espera de leito de UTI.

A diretora do Hospital, Fátima Pinheiro, considera que o mutirão é uma medida paliativa para melhorar a situação da superlotação, mas serão necessárias ações contínuas. “Houve uma negociação entre o secretário de saúde de Natal e o secretário Luiz Roberto de que o município pagaria o débito com os hospitais conveniados, mas não pagou. E hoje de manhã, os hospitais não só não estão recebendo pacientes como suspenderam todas as cirurgias que estavam agendadas. Com isso, o corredor volta a ficar lotado em cima das festividades de Natal”, destacou a diretora do Hospital Walfredo Gurgel.

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