Cresce cada vez mais o número de universitários potiguares empreendedores

Jovens apostam na abertura de um negócio ainda na academia e o Sebrae passa a oferecer capacitação voltada a esse público

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A transferência de conhecimento intensivo e o estímulo acadêmico estão levando um número cada vez maior de universitários a investir em um negócio próprio antes mesmo de deixar os bancos da universidade. Seja por necessidade ou por oportunidade, este tipo de empreendedorismo surge com um dos fatores responsáveis por promover a cultura empreendedora e elevar a quantidade de empresas comandadas por jovens com idade entre 18 e 34 anos. No Brasil, esta faixa etária já corresponde a 52% dos empreendedores, segundo pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2012, desenvolvida em parceria com o Sebrae.

Em Mossoró, são cada vez mais comuns os casos como o da universitária Gabriela Barros, que cursa o 9º ano de Arquitetura. Ao longo do curso ela enxergou, no reaproveitamento de madeira, uma oportunidade de negócio e desde então, passou a fabricar móveis e peças decorativas com o material recolhido em obras e até mesmo no lixo. “Tive as disciplinas de sustentabilidade e empreendedorismo que me estimularam muito a desenvolver este negócio. Vi um nicho de mercado pouco explorado na cidade e que, além de tudo, ainda usa material que seria queimado ou descartado na natureza como matéria prima”, explica.

As peças fabricadas por Gabriela são feitas sob encomenda, e a oficina ainda funciona na casa dos pais. A ideia da estudante é investir em uma loja referência em ecodesign, paralelamente ao escritório de arquitetura. “Existe um mercado muito amplo nesta área, e quero investir mais na loja. Estou buscando cursos no Sebrae para me capacitar a respeito de gestão e pretendo não parar mais. A semente foi plantada na universidade e agora é só melhorar”, complementa.

Para capacitar jovens, como Gabriela, que ainda não obteveram o diploma, no entanto, já decidiram abrir o próprio negócio, o Sebrae está desenvolvendo uma capacitação prática direcionada especificamente a esse público. Trata-se da Oficina Sebrae de Empreendedorismo (OSE) Universitária. O objetivo é fomentar o empreendedorismo no meio acadêmico, dando subsídios para que alunos de graduação já montem estratégias de negócios que podem ou não estarem relacionadas à graduação, e que seu destino profissional seja traçado com base em conhecimentos teóricos e práticos bem estruturados e planejados.

A capacitação será realizada durante os congressos científicos da Universidade Potiguar (UnP) em Mossoró, no período de 12 a 16 de maio, e em Natal, na última semana de setembro. Ideal para estudantes de todos os cursos, principalmente aqueles em que o aluno, ao concluir, precisa montar um negócio, a OSE Universitária faz parte das estratégias do programa nacional de educação empreendedora, cujo objetivo é disseminar conceitos de empreendedorismo nos quatro níveis de ensino, do fundamental ao universitário.

“Queremos disseminar os conceitos de empreendedorismo e comportamento empreendedor entre os universitários. Muitos alunos da área da saúde, por exemplo, conhecem os detalhes técnicos da profissão, entretanto não têm conhecimento de gestão”, explica a gerente da Unidade de Educação e Empreendedorismo do Sebrae-RN, Tathiana Udre.

Estímulo

Com o crescente aumento da quantidade de acadêmicos que criam seu próprio negócio, muitas universidades têm apostado em iniciativas que estimulam o espírito empreendedor em jovens universitários. “O ambiente acadêmico por si só já desperta uma mentalidade diferente, e isso ajuda no desenvolvimento do empreendedorismo. Percebemos que as disciplinas voltadas para o empreendedorismo são determinantes para despertar o interesse dos universitários, mas desenvolver ações que despertem o espírito empreendedor também são indispensáveis, e estamos tendo excelentes resultados”, avalia Amanda Paolla Ribeiro, professora de Empreendedorismo da UnP.

Foi no projeto Pré-Consultores, desenvolvido através de parceria entre a universidade e o Sebrae, que Sávio de Oliveira, o irmão dele, Fernando, e um colega de turma do curso de Administração, descobriram que poderiam investir no ramo de consultorias como um negócio lucrativo. Após o término da experiência como consultores em uma empresa, como parte integrante de uma disciplina na faculdade, eles passaram a oferecer o serviço de forma remunerada e hoje atuam na área em outros empreendimentos.

“Acredito muito que a universidade pode e influencia muito os universitários para que novos negócios sejam criados ainda no ambiente acadêmico. Foi isto que fizemos. Percebemos que podíamos e apostamos. Agora fazemos do que antes foi parte de uma disciplina uma alternativa de negócio lucrativo”, pontua Sávio Oliveira.

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