Crescimento no volume de chuvas aumenta perspectiva da produção de grãos no RN

Intenção de plantio prevê um crescimento de 107% das áreas cultivadas em relação à Safra de 2013

Descarga-de-Milho-no-armazem-da-CONAB-WR

Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

A incidência e distribuição de chuvas registrados nos primeiros três meses deste ano começa a mudar o cenário desastroso de estiagem que os agricultores enfrentaram nos últimos dois anos no Rio Grande do Norte. A produção de grãos deve alcançar 60.438 hectares de áreas plantadas no Estado, um crescimento de 107% com relação ao ano de 2013, de acordo com as estimativas do primeiro levantamento de Plantio da Safra de Grãos do RN pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Apesar do crescimento estimado pela Conab, se houver um comparativo com a área cultivada em 2011, a área prevista para 2014 terá uma defasagem de 61,5%% – uma vez que, naquele ano, o Estado alcançou a produção em 156.814 hectares. “Apesar dessa defasagem, houve um bom avanço comparado aos últimos dois anos de extrema seca. Estamos na expectativa que esse quadro venha melhorar ainda mais, tendo em vista que está chovendo muito em algumas regiões do estado, como o Seridó”, disse Luiz Gonzaga Araújo, analista de mercado da Conab/RN.

“Iremos fazer outros relatórios nos próximos meses, pois o período de plantio nas regiões do Agreste e Litoral potiguar se dá mais tarde”, disse Gonzaga. O volume de chuvas entre janeiro e março deste ano, por exemplo, está acima dos registros em igual período de 2013. Porém, ainda é insuficiente para garantir as condições para uma boa safra.

Em anos normais de chuvas, quando o inverno se comporta de forma regular, a área total cultivada no Rio Grande do Norte com algodão em caroço, arroz, feijão, milho, sorgo, mamona e girassol chega a atingir em torno de 190.000 hectares. Nos anos de 2012 e 2013, por causa das fortes estiagens, as áreas cultivadas foram consideradas desastrosas, totalizando 17.274 e 29.129 hectares, respectivamente.

Com base nas informações levantadas no relatório, a produtividade das lavouras dificilmente irão alcançar patamares normais de produção. Isso, devido ao retardamento das chuvas e a incerteza das condições climáticas para os próximos meses. Assim, a Conab estimou a produção total de grãos em 41.203 toneladas para 2014, significando incremento de 215,5% quando confrontado com os números da safra do ano anterior. Comparando com a produção da safra de 2011 – safra normal, a redução foi estimada em 61,3%,

“Essa produção prevista para o período de Safra deste ano tem um impacto muito pequeno na economia, porque o consumo da nível de Estado é bem maior do que a produção interna. A estimativa atende 15% a 20% da demanda. O resto precisa ser exportado”, explicou Luiz Gonzaga Araújo.

Produtos

O levantamento da Conab/RN não constatou a intenção de plantio de algodão sequeiro, diante das dificuldades encontradas pelos produtores, motivados pela incerteza em obter produtividade rentável por influência das estiagens e insegurança de preços remuneradores.

O cultivo de arroz no Rio Grande do Norte é feito, basicamente, pelo processo de irrigação. As áreas se concentram nos municípios situados à margem do Rio Apodi/Mossoró, inseridos na Região do Vale do Apodi, que conta com disponibilização de água suficiente para o desenvolvimento da atividade. Mais de 80% do arroz cultivado no estado são do tipo “vermelho”, que agrega valor à atividade, com importância comercial e no abastecimento da região. Mesmo assim, o cultivo do arroz nas áreas do Vale depende das chuvas para abastecer os lenções freáticos. Em anos de secas prolongadas, quando os níveis das águas baixam, parte dessas áreas deixa de ser cultivada.

Mais de 98% do feijão cultivado no Rio Grande do Norte são da variedade macaçar (caupi). A produção interna está longe de atender à demanda de consumo do estado. O RN é um tradicional importador de feijão de outros centros produtivos, principalmente as variedades “cores”. Quanto à produção de “feijão verde”, não considerada no levantamento, o Estado é autossuficiente.

As áreas cultivadas de girassol e mamona são reduzidas, sobretudo por causa das condições climáticas desfavoráveis e dificuldades encontradas pelos produtores, que vão desde o plantio, passando pela manutenção das lavouras, colheita até a comercialização dos produtos. Por isso, nos últimos anos, o Rio Grande do Norte vem apresentando pequenas escalas de produção de girassol e mamona. Ainda não foram identificadas áreas destinadas ao plantio dessas culturas neste ano.

Compartilhar: