Cultura popular vira inspiração para produção artesanal

Mulheres confeccionam artigos, dedoches e livros de tecido inspirados em lendas da imaginário popular e

Peças foram inspirada no folclore brasileiro. Foto: Aléx Regis
Peças foram inspirada no folclore brasileiro. Foto: Aléx Regis

Os personagens do folclore brasileiro saíram das páginas dos livros do pesquisador potiguar Luiz da Câmara Cascudo e ganharam forma, através das mãos de grupos de mulheres do Complexo Penal João Chaves e da Associação dos Melhores Amigos do Bairro de Nossa Senhora da Apresentação (ASMANS), localizados na zona Norte de Natal. Boitatá, curupira, saci pererê, iara, lobisomem, mula sem cabeça, vitória régia, boto e sapucaia-roca são os protagonistas da ação “O Imaginário de Câmara Cascudo: Lendas do Folclore Brasileiro”, uma iniciativa desenvolvida conjuntamente pelos projetos Sebrae 2014 de RN Economia Criativa e de Responsabilidade Social e Negócios, mantidos pelo Sebrae no Rio Grande do Norte.

“O objetivo foi criar uma produção diferente com o apelo simbólico da cultura potiguar. A gente entende que o ícone Cascudo é muito forte, por isso, tentou-se elaborar um produto que representasse essa cultura”, explica a gestora do projeto Sebrae 2014 – RN Economia Criativa, Cátia Lopes. Ao todo, 65 mulheres participam da ação dentro dos grupos que são atendidos pela iniciativa, cujos produtos ficaram prontos em outubro.

Antes da confecção dos artigos, todas as mulheres receberam orientações sobre a cultura empreendedora e conheceram a história do folclorista, que foi o principal responsável por tornar conhecidas as figuras do folclore brasileiro. “Quando fizemos a apresentação do que seria produzido, logo houve identificação com a temática. Como muitas são mães, elas já ouviram e contaram essas mesmas lendas”, afirma Cátia Lopes.

Para a comercialização desse material, três linhas de produção foram elaboradas. As dez mulheres da Asmans, criadoras da marca Retaliê, foram responsáveis pela confecção dos elementos, personagens do folclore criados artesanalmente. Já as 65 do regime fechado da Penitenciária João Chaves confeccionam livros de tecidos e dedoches com a temática folclorista. “Não é só o lado social, esses produtos são diferenciados por trazerem símbolos da cultura popular”.

Além de conquistar uma nova fonte de renda, essas mulheres também ganharam espaço na produção artesanal do estado e uma nova profissão. Duas vezes por semana, uma das instrutoras do Sebrae visita o complexo penal para orientá-las e nos outros dias as beneficiadas continuam a confecção dentro das celas. “A autoestima dessas mulheres mudou completamente. Em cada um dos livros produzidos, há uma assinatura da artesã responsável pelo projeto”.

A primeira mostra do material “O imaginário de Câmara Cascudo” foi exposta ao público no estande Espaço Brasil Original durante a Feira Potiguar da Indústria, que terminou na sexta-feira (13), no Centro de Convenções de Natal. De acordo com a gestora do projeto, o próximo passo é negociar com lojas infantis a venda desses materiais. “O dinheiro todo será todo revertido para essas mulheres e, no caso das apenadas, para as famílias. Nesta primeira venda, vamos tirar uma porcentagem para custear os materiais e, assim, continuar a produção”, diz Cátia Lopes.

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