Custo da educação pública de qualidade é discutido na Câmara Municipal de Natal

A ideia de investir por custo de aluno é conseguir para a escola a quantidade ideal de recursos, que irá pagar os professores e melhorar a infraestrutura

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A Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Câmara Municipal de Natal realizou nesta sexta-feira (25), o seminário “O custo de uma educação de qualidade”, ocasião para debater a atual situação sobre o planejamento e gestão de investimentos com a educação pública municipal.

A iniciativa contou com a presença de Thiago Alves, doutor em Administração e idealizador de um software que calcula o custo da educação a partir das escolhas e da realidade de cada município. Ele ministrou a palestra “A importância da estimativa de custos para a oferta de um ensino de qualidade para todos”.

Na ocasião, Thiago debateu a respeito de questões relativas à distribuição correta do orçamento na área de Educação. “Atualmente, o Brasil está discutindo o Plano Nacional de Educação e muitas das metas não foram cumpridas por falta de estimativas de custo para oferta de uma educação de qualidade, então o momento visa debater o caso, trazendo também a realidade local” disse.

Ele acredita que uma educação de qualidade custa caro. “Temos um parâmetro de outros países que conseguiram resolver os problemas educacionais e eles investiram muito mais do que nós investimos por aluno. Temos alguns dados, que comparado a situação dos Estados Unidos, por exemplo, mostram que nós não investimos nem 30% do que eles aplicam na área, por aluno” afirmou.

A ideia de investir por custo de aluno é conseguir para a escola a quantidade ideal de recursos, que irá pagar os professores e melhorar a infraestrutura, afetando diretamente a qualidade educacional. “No caso do Brasil existe uma dificuldade de priorizar a Educação. O Estado foi construído de uma maneira elitista, em que a educação é para pouco, só houve alguns avanços nos últimos 30 anos, o que não proporciona uma melhora”.

Para Thiago Alves, é necessário que os governantes tenham definidas prioridades para o setor no país como um todo. “O governo não definiu prioridades pela tímida participação popular no debate sobre o tema. Falta cobrança para que os políticos estabeleçam prioridades financeiras. Teria que se haver um acompanhamento e busca dos dirigentes para melhora da educação” afirmou.

Em pesquisa recente, foi detectado que 80% das escolas estaduais em Natal sofrem com déficit de professores. Thiago acredita que a situação é acarretada por uma falta de estímulos para os profissionais, o que dificulta a Educação no município. “O professor é o agente central na educação de qualidade e o Brasil todo sofre com a desvalorização da categoria docente. Não tem como fazer uma melhora, sem treinamento e bons salários para a categoria, que historicamente vem sofrendo falta de incentivos na carreira” concluiu.

A vereadora Eleika Bezerra diz que a ocasião foi pensada para que se possa saber quanto está sendo pago para realização de serviços públicos, no caso, a oferta de educação. “Estamos nos detendo a mergulhar na questão de quanto custa uma boa educação escolar. Dentro disso, nós vamos estudar as metodologias para detectar quanto custa cada aluno no município de Natal, trazendo uma discussão para melhor planejar a educação na cidade” afirmou.

O economista e chefe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) no Estado, Aldemir Freire, revela que o número de crianças vem diminuindo no país. “Estamos passando por uma transição demográfica, processo em que o número de crianças, 0 a 14 anos, está declinando e a tendência é que continue caindo ao longo do tempo. O fato de haver menos crianças leva a proposta de que haverá mais recursos para atender a um número maior de escolas. Isso abre possibilidade em investir mais em educação, pela demanda menor” afirmou.

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