Da arte de iludir – Vicente Serejo

Não diria Senhor Redator, muito menos por má-fé, que o marketing eleitoral transformou-se só na arte de iludir. Talvez, e…

Não diria Senhor Redator, muito menos por má-fé, que o marketing eleitoral transformou-se só na arte de iludir. Talvez, e parece justo, tenha deixado o reinado da ciência e passado, de mala e cuia, à velha arte da prestidigitação. Aliás – pra que negar? – prestidigitador, antigamente, era todo aquele que, levado pela grande destreza das mãos, fazia do ilusionismo uma realidade. Muito mais pelos olhos tolos dos que olhavam, olhavam e não viam, do que pela visão crítica dos que tudo enxergam no jogo.

Enquanto foi ciência, de raízes fincadas na comunicação, o marketing não foi além de artifício. Só ficou pervertido, pois dado às mais feias perversões, quando caiu nas mãos dos que tratam a vida como se fosse apenas um jogo do toma-lá-da-cá e, nele, um produto – o candidato; e um comprador – o eleitor. A partir daí, fundou-se o reinado da danação. O marketing passou a ser um negócio acima do bem e do mal. Ao invés de vender os gatos, passou a inventá-los e a vendê-las como se fossem lebres.

É uma ciência tanto mais perversa na medida em que opera conceitos como uma fábrica e elege o que deseja passar, em forma de persuasão, os seus juízos de valor. E a perfeição de sua maldade é de tal ordem que sabe inventar o bem em si mesmo, apenas construindo o mal no adversário. Ou seja: sua dialética vai além da imaginação. Talvez uma também pervertida economia de trocas simbólicas, mas agora sem mais aqueles preceitos científicos de que falava Pierre Bourdieu na França erudita de ontem.

Os preceitos do marketing são bem outros e mais ardilosos do que se pensa. Vale a verdade de quem contrata. Não há mais uma relação a partir de um conceito ideológico. O candidato-produto será republicano, democrata, liberal, progressista ou conservador de acordo com a ordem do dia. Com a sua própria grana, se a tiver com a disposição de gastar, ou com recursos públicos, se souber bem aferi-los ou manipulá-los numa daquelas fórmulas dissimuladas de doação em favor antes de tudo de si mesmo.

A função mais perversa e pervertida do marketing é sutilmente suprimir a fronteira que separa o real do irreal. De preferência fazendo parecer que não há mais paradigmas no mundo e como se fosse inútil pensar no conhecimento humano do ponto de vista epistemológico, como querem seus maiores filósofos. Não. O marketing vende um conhecimento pré-moldado, mistura de crença e subjetividade como forma de diluir os limites do saber que nascem inevitavelmente de um processo de visão crítica.

Daí, Senhor Redator, os gatos que nos últimos anos temos comprado como se fossem lebres. E nem nos damos conta, tal é a nossa tolice, do quanto fomos vítimas de uma prestidigitação que atingiu a perfeição de estilo. Olhamos, olhamos e não enxergamos. Envolvidos numa suave magia de palavras e promessas. Só algum tempo depois, quando já é tarde, descobrimos surpresos que compramos gatos no mercado das trocas simbólicas. As lebres? Ora, nunca existiram. Era tudo invenção do marketing.

EMOÇÃO – I

Emocionante para os pilotos da Aeropostale e representantes diplomáticos da França a execução do hino francês com as crianças alunas da escola de sanfona lideradas pelo professor de música Wycliffe.

EXEMPLO – II

Marcos Lopes, o homem do Museu do Vaqueiro e do Aeródromo Severino Lopes, mostrou que basta a simplicidade bem orientada para fazer de uma cerimônia oficial um instante de bom gosto e coerência.

EXPO

‘E Natal venceu a guerra’, é o título da exposição que ser aberta no Palácio Potengi durante a Copa do Mundo para relembrar a presença norte-americana em Natal durante a II Guerra Mundial: 1942-1945.

LUTA

Não será pequeno o esforço do governo para concluir as três maiores obras da área cultural que estão paralisadas: Biblioteca Câmara Cascudo, Museu da Rampa e Cidade da Esperança. Só tem seis meses.

BIOGRAFIA

Mesmo liberada pela nova lei que regula a publicação de biografias no Brasil, o escritor Jason Tércio quer publicar a de Mário de Andrade em Portugal. Já tem título: ‘As sete vidas de Mário de Andrade’.

FELIPÃO – I

Não faltava mais nada: o técnico da seleção, Luiz Felipe Scolari, está sob investigação dos fiscos de Portugal e EUA, suspeito de sonegar o equivalente a R$ 21,2 milhões de reais ou 7 milhões de euros.

IMAGEM – II

Segundo a denúncia da Folha de S. Paulo, o nosso Filipão faturou essa dinheirama toda nos contratos de imagem no período de 2003 a 2008, exatamente no tempo em que foi o treinador da seleção portuguesa.

PIMENTA – I

Chega ao mercado da gastronomia a pimenta Jiquitaia, com selo de origem controlada. É resultado de pesquisas na aldeia dos índios Baniuas, em Ucuqui, nas margens do rio Aiari, na bacia do Rio Negro.

VALOR – II

A pimenta Jiquitaia é colhida, seca ao sol, moída e vendida em forma de farinha com alto teor picante e chega ao Festival da Pimenta como a principal especiaria nos sofisticados restaurantes de São Paulo.

FLAGRANTE

Quando falta civilização o jeito é o governo ameaçar multar e suspender licenças de empresas aéreas e pilotos que atrasarem vôos durante copa do mundo. A ideologia do castigo é a maior arma da barbárie.

PREÁ

A revista Preá saiu da toca, a primeira do ano, editada sob o olhar de bom gosto do poeta Adriano de Souza. Com sua antologia de poemas indicados pelos leitores. Preá ainda sai mais duas vezes este ano.

PIPA

Dácio Galvão confirma: este ano, em dias de agosto, tem festival literário em Pipa. Os convidados são segredos escondidos no samburá de Dácio que ele guarda no alto das barrancas da lagoa de Guaraíras.

FOME

A produção de alimentos no mundo é o tema principal da National Geographic que está nas bancas. De quebra, um estudo sobre o tatu brasileiro. Desde o tatu-canastra, o gigante hoje com milhões de anos.

ELE

Do padre João Medeiros Filho, ontem, neste JH, sobre o Papa Francisco: ‘Podemos sentir que há algo de novo na barca de Pedro, cujas velas são tocadas pelo vento e o sopro do Divino Espírito Santo’.

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