Da cafonice

Sempre tivemos uma tendência para políticos cafonas, Senhor Redator. Não é pra menos. Há um século perdemos o glamour afrancesado…

Sempre tivemos uma tendência para políticos cafonas, Senhor Redator. Não é pra menos. Há um século perdemos o glamour afrancesado de Alberto Maranhão. O porte de Juvenal Lamartine, a gravata borboleta de Georgino Avelino e o linho branco de José Varela. Não temos mais a elegância sertaneja de Dinarte Mariz, as ideias modernas de Aluizio Alves, o brilho intelectual de Cortez Pereira, o abuso aristocrático de Tarcísio Maia, e até Geraldo Melo, desanimado, calou sua palavra luminosa.

Era pouco o que a gente tinha e só brilhava de tempos em tempos, mas cada raio de luz fazia a vida menos feia. Agora, não. De um tempo pra cá, primeiro com o reinado dos filhos sem lustro e sem lustre, e depois com algumas figuras que saltaram sobre o palco e sob a ribalta, a coisa enfeou de vez. Para não falar de algumas figuras e suas idéias cafonas que ferem a beleza simples e natural de uma cidade vítima de gestores sem bom gosto e cercados, quase sempre, de almas precárias e sem fulgor.

Com a copa, então, a coisa piorou muito. Primeiro foram uma rodelas com as cores dos quatro países que terão seleções jogando em Natal. Quando o dia amanheceu estavam penduradas nos galhos das árvores da Hermes da Fonseca. Daqui, deste meu posto que não tem a menor nobreza, ainda assim reclamei do mau gosto, da falsa genialidade, do bizarro que seria ter a cidade com penduricalhos nas suas árvores. Alguém de bom senso viu a coisa feia, mandou retirar e salvou a cidade de um vexame.

Agora, na calada da noite, engendraram aquelas bolas de futebol imitando as argolas olímpicas e instalaram o monstrengo ali em Mirassol. Outra vez a cidade reclamou gastar seu próprio dinheiro para ser agredida. Alguém, julgando-se dono das chaves das burras municipais, meteu a mão lá dentro e autorizou. Não basta, pois, retirar as feiuras. Primeiro as rodelas, agora as bolas. É preciso investigar e descobrir quem é o financiador de idéias tão tiranas. Não seria justo culpar a quem só cumpre ordens.

Ora, ou se interdita esse gênio que está gastando os parcos dinheirinhos da nossa cidade ou será pior daqui pra frente. A cada dia, em algum lugar, irá surgir um monstrengo em nome do tal legado da Copa. E serão tantos, a julgar pela criatividade, que acabaremos na pauta do Fantástico, o show da vida ou no Domingo Espetacular. Se não conseguirmos tanto, teremos o quanto: uma aparição na tela de José Datena como um crime bárbaro contra esta Natal que ele, um dia, entusiasmado, tanto elogiou.

Daqui, mesmo sem prestígio, faço um apelo a Osair Vasconcelos, a quem cabe manter a guarda municipal alerta em defesa desta cidade: ponha, e com urgência, um pelotão nas ruas. Principalmente recomende, com ordem expressa e superior, vasculhar a cidade. Do mar aos tabuleiros, dos morros até depois do rio. Olhem, de preferência nas horas mortas, se há alguém com objetos estranhos, coloridos e suspeitos nas mãos. Se acaso alguém avistar, não tenha dúvida e em nome de todos dê voz de prisão.

ONTEM – I

Esta Cena Urbana – que não adivinha, mas percebe – noticiou ontem, aqui, que o PT só quebra os ‘princípios’ quando lucra. Não deu outra: aliança com PDT só na majoritária que é essencial a Fátima.

ALIÁS – II

A essência do petismo é a sua determinação em não construir aliados sólidos. No Rio Grande do Norte é mais do que uma teimosia, é um vício deformante. O petismo é o amadorismo elevado aos extremos.

CONTA

O PC do B declara que fecha sua aliança com a chapa majoritária que melhor atender àqueles ‘novos’ anseios do comunismo. Há muito tempo que o comunismo do PC do B vive preso à sigla. E sem vida.

NOTA

Pífia, da justificativa ao estilo, a nota da Secretaria de Serviços Urbanos sobre o monstrengo instalado em Mirassol como decoração para a copa. O mau gosto da Prefeitura de Natal bateu todos os recordes.

COPA – I

Chico Buarque também não ficou para receber o tal legado da copa. Deu em Anselmo Gois, n’Globo: tomou o avião e foi bater em Paris para concluir o novo romance e assistir aos jogos da copa pela TV.

DETALHE – II

Para quem não sabe: Chico Buarque tem apartamento em Ile de France, a famosa ilha do Sena, o rio que banha Paris, onde passa a primavera. Além de fazer longas caminhadas no Jardim de Luxemburgo.

LUTA

Mossoró não ensarilha as armas. Como no tempo de Lampião, luta sem rendição. No governo ainda há quem acredite não só na candidatura de Cláudia Regina como em Rosalba disputando o segundo turno.

ROMBO – I

Manchete da primeira página de O Globo, domingo, dentro do chamado ‘escândalo em série’, segundo o jornal do Dr. Roberto Marinho: ‘Fundo da Petrobrás tem rombo de R$ 500 milhões’. Parece mentira.

MAS… – II

Não é. Pelo contrário: a empresa de petróleo sofreu ingerência política que fez a Petros, o sempre forte fundo de pensão, a assumir mais de quarenta planos. Tão grave que o conselho fiscal já teria rejeitado.

SÉCULO – I

Os cem anos de Carlos Lacerda não passam em branco na editora Bem-Te-Vi que lança suas cartas, até hoje inéditas, para figuras como Mário de Andrade, Gilberto Freyre, Sobral Pinto, Kissinger e outros.

DESTAQUE – II

No domingo, o Globo abriu a capa do segundo caderno com uma grande matéria de Bolívar Torres ‘A Pena do Corvo’. Mostra um Carlos culto que nas suas cartas luta, faz reflexões e vive grandes tensões.

PARIS

Depois de um mês com o filho Otomar Lopes Cardoso Júnior, Déa retorna a Paris onde hoje vive na companhia das filhas Ana Cecília e Ana Cláudia e do filho Jorge Henrique, que estuda em Bordeaux.

RECORDE

A editora Companhia das Letras confirma: o livro ‘Toda Poesia’, de Paulo Leminski, alcançou a marca dos 100 mil exemplares vendidos. Fenômeno inédito no mercado brasileiro para um livro de poemas.

ELA

Chamou a atenção dos coleguinhas desta pobre aldeia a beleza jovem da jornalista Aglaé de Chalus, a bela correspondente do jornal Libération que há um ano vive no Rio de Janeiro e, de lá, olha o Brasil.

Compartilhar: