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Da Livraria Cosmopolita ao Sebo Cosmopolita – Um século de história e livros – João da Mata Costa, Prof. Depto de Física – UFRN (damata@dfte.ufrn.br)

Data: 20 fevereiro 2013 - Hora: 18:00 - Por: Portal JH

“Que inveja que tenho ao cronista que houver de saudar (.) o sol do século XX. Que belas cousas que há de dizer, erguendo-se na ponta dos pés para crescer com o assunto, todo auroras e folhas verdes! (.) um século que se respeitará, que amará os homens, dando-lhes paz, antes de tudo. E a ciência, que é ofício dos pacíficos”. Machado de Assis 1895.
A livraria Cosmopolita de Fortunato Rufino Aranha foi uma das livrarias pioneiras em Natal e funcionou no então celebrado bairro da Ribeira na Rua Dr. Barata n. 172, do final do século XIX à primeira quadra do século XX. Nesse período que corresponde à nossa Belle Époque, Natal se abonitava com os palacetes arquitetados por Herculano Ramos e o plano do arquiteto Grego / Italiano Palumbo alinhava, ampliava e arborizavam as ruas do centro da cidade no chamado “Máster Plan”. Natal recebia seus primeiros automóveis. Do poeta modernista Jorge Fernandes é o Poema da Serra; “grita o carão por sobre o açude. / aeroplanicamente voa o carcará.”
Data de 1909 a famosa Conferência Futurista proferida pelo escritor e fotógrafo Manoel Dantas marca definitivamente nossa entrada no século do progresso. O café Potiguarânia veda a entrada daqueles que não convinham, escreve o cronista Amorim em “Natal do meu Tempo”. O Natal-Clube era o único clube recreativo e no carnaval eram famosos seus bailes. A cidade brincava com o corso de automóveis na Avenida Tavares de Lira, as batalhas de confetes e o chão coberto de serpentinas e esportivo e, no ar, o cheiro de lança – perfume .
Causou sensação na pacata cidade o roubo na firma comercial Julius Von Sohsten, localizada na Rua do Comércio – Ribeira. No dia 18 de Junho de 1913 o cofre dessa firma foi arrombado e esvaziado. Joca do Pará (João Fernandes de Almeida) era o delegado da cidade e em sua opinião aquele roubo não foi causado por gente da terra. Na cidade eram conhecidos dois ladrões: O mulatão forte Pedro Gato que além de furtar as residências frequentava o quarto das empregadas. E o negro Melado que se lambuzava de óleo para evitar ser agarrado pela polícia. Foram presos Emilio Zetini e Henrique Bruneti, hospedados no hotel internacional.
A Livraria de Fortunato era um ponto de encontro da intelectualidade da época que prosavam ao lado de políticos, empresários e boêmios. No início do século XX, o grande violoncelista Tomaz Babini morava na Rua Nova, depois Avenida Rio Branco. Seu filho, Ítalo Babini, mora nos EUA ha mais de 50 anos. Por mais de 40 anos foi o primeiro violoncelo da “Detroit Symphony Orchestra. No ano passado ele visitou a sua cidade Natal e deu um concerto histórico na Escola de Música da UFRN na noite de 25 de maio de 2012.
Quando Fortunato faleceu em 1947, a sua Livraria já não funcionava no famoso prédio da Dr Barata. No local Já existia desde 1939 a Livraria Lima de propriedade do não menos famoso, João Nicodemos de Lima, fundada em 1939. Em 1954 a Livraria Lima transferiu-se para o No 172 da Rua Dr. Barata.  . Em 1964 voltou a mudar de endereço para o No 224 da mesma rua.
A coleção editada pelo Sebo Vermelho de Abimael Silva homenageia esse importante livreiro de Natal. De vida efêmera (com duração de menos de um ano) foi o Sebo Cosmopolita que funcionou ao lado da PotyLivros da Cidade Alta na Rua Felipe Camarão, no final do século passado de propriedade dos amigos Vicente Serejo, Homero Costa e Pedro Vicente. O nome do Sebo era uma homenagem à Livraria Cosmopolita de Fortunato Aranha.

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