Da lua

Não posso garantir que é a mais antiga, Senhor Redator. Nesta caverna, e que se saiba, não há outra anterior…

Não posso garantir que é a mais antiga, Senhor Redator. Nesta caverna, e que se saiba, não há outra anterior a 1955. Afirmo, pois é verdade e dou fé: é a única antologia poética brasileira em torno da lua, e só o primeiro volume. O segundo não chegou a ser lançado pelo também matemático Malba Tahan. É uma edição da velha Editora Lux e reúne, além de estudos, lendas e tradições, o que nosso matemático leu e anotou naqueles anos, olhando com olhos atentos o luar dos poetas e prosadores.

Nos poucos raios de luar do Rio Grande do Norte brilham Câmara Cascudo, Henrique Castriciano, Auta de Souza – que ele informa ser baiana e de quem cita o terceto final do ‘Caminho do Sertão’, seu mais belo soneto; Palmyra Wanderley e Jayme Adour, por terem sido em 1931, ele e Alberto Araujo, os editores da primeira edição de ‘Cobra Norato’, poema modernista de Raul Bopp, além das várias recorrências aos estudos cascudianos sobre a lua no imaginário popular brasileiro.

O nariz de cera tão caído de moda é em razão de uma seleção que não é só feita de poemas que falam da lua, mas é de bom gosto inegável, a partir do título: ‘A lua no cinema’. Eucanaã Ferraz não fez antologia, reuniu o melhor do seu gosto a partir do poema de Paulo Leminski que tem esse título e que conta a história da estrela que não tinha namorado. Uma estrela que, de tão pequena, se não brilhasse, ninguém teria pena. Uma estrela que de tão sozinha toda a sua luz cabia numa janela.

O exemplar ‘A Lua’ ficou dormindo esses anos todos numa prateleira quieta nesta caverna de livros velhos, até que um dia outro livro tão belo quanto o de Eucanaã Ferraz feriu os olhos com a sua luz: ‘Lua de ontem’, poemas esquecidos do ensaísta que esconde o poeta Péricles Eugênio da Silva Ramos. Uma edição da José Olympio, 1960. Um livro que para compreender a sua ternura humana é preciso pisar seu chão, não como quem procura, mas como precisa encontrar as razões do espírito.

Às vezes, no exercício do eterno retorno, volto às suas páginas, principalmente ao poema ‘Joana Madalena’, a avó do poeta. Aquela que não via, mas chuleava a roupa. Como é bonito vê-lo no encantamento da visão poética, a dizer: ‘És a lua de ontem, / minha avó. / Ausente à vista, certa na memória; / como o pão e a roupa, / os livros que me deste. // E és um presente ao homem, / àquele que hoje sou, / feito de velhos dias’. E pensa nos lençóis, nos céus, nas tardes lavadas de Lorena.

Em 2012, o editor Bira Câmara lançou a coletânea ‘Poetas da Lua e das Estrelas’, reunindo os de perto e de longe. Depois, descobri que havia uma pequena antologia ‘Les Poétes de la Lune’, da esquecida ‘Editora Louis-Michaud’ que existiu no n. 168 do boulevard Saint-Germain, em Paris. Sem data, mas tem no azul da capa uma lua acesa, entre plátanos. Fui aos préstimos de um amigo e pedi que comprasse o pequeno volume. Hoje vive aqui, sob o luar discreto desses livros quando dormem…

LUTA – I

O apoio ao candidato Henrique Alves não partiu só a aliança de Carlos Eduardo Alves com os seus aliados, mas produziu o retrocesso político na sua trajetória construída enfrentando a própria família.

AMANHÃ – II

Agora uma candidatura sua nascerá com a marca oligárquica que ele afastara quando derrotou Luiz Almir e Hermano Morais apoiado por Henrique e Garibaldi. E pode ter sido seu grande erro político.

TEMOR – I

A governadora Rosalba Ciarlini terá que tentar uma defesa à parte para não ser atingida pelos efeitos da inelegibilidade gerada pelo processo que atingiu Cláudia Regina. Como desejam seus adversários.

RÉ – II

Mesmo que prevaleça o respeito ao seu mandato conquistado ainda em 2010, portanto livre do abuso de poder econômico na campanha de 2012, Rosalba é ré e corre o risco de sequer ter registro do TRE.

ALÍVIO – III

Seu próprio partido, o DEM, deseja vê-la inelegível a ter que derrotá-la na convenção partidária, em junho. Os agripinistas não escondem: a aliança com PMDB passou pelo veto a Rosalba. É a política.

EFEITO – IV

A queda de Cláudia Regina, se for definitiva, deixa o senador José Agripino sem apoio em Mossoró até para a reeleição de Felipe Maia. Manter aliança com Henrique é melhor e mais rentável em votos.

FORÇA – V

Uma vitória da oposição a Henrique, Wilma e José Agripino, em Mossoró, segundo maior eleitorado do Estado, produzirá uma mudança de azimute: para alguns poderá ser a rejeição popular ao acordão.

ANOTEM

Passada a campanha, e já aos dois dos quatro anos de gestão, o prefeito Carlos Eduardo Alves deverá fazer mudanças no seu secretariado. Por falha de alguns nomes e por uma gestão fortemente política.

HORROR

Minervino Wanderley anda impressionado com a grande cafonice de penduricalhos da decoração da copa no encontro, na Apodi com Rio Branco. É o pastoril do mau gosto pago com dinheiro do povo.

CRISE

A Casa da Ribeira pode ser arrendada a uma instituição cultural como forma de garantir manutenção de suas despesas. Uma decisão que ainda não é definitiva, mas a crise pode levar o grupo a tomá-la.

BLINDAGEM – I

São intocáveis até agora os argumentos de que a Arena das Dunas será um novo e lucrativo espaço de eventos. Tomara. Em Mato Grosso já querem garantir os subsídios oficiais depois dos jogos da Copa.

ALIÁS – II

É sempre assim: a crítica a esse tipo de investimento diante da pobreza social é acusada de contrária à modernidade. Vem a crise, pedem grana oficial e acusam a crítica de não ter uma boa visão de futuro.

SEVERO – I

A secretária Isaura Rosado, da Cultura, acertou com o autor Rodrigo Visoni e o editor G. Ermacoff, a edição especial e ilustrada de mil exemplares do livro, ainda inédito ‘Os Balões de Augusto Severo’.

VALOR – II

É a maior e mais ilustrada pesquisa realizada sobre a história do pioneirismo de Augusto Severo, dos primeiros balões ao vôo que explodiu no céu de Paris. Com muitas imagens inéditas até hoje no RN.

Compartilhar: