Das varandas de Davos II

Por Ugo Vernomentti – enviado especial Olha eu traveiz aqui. Cheguei com a comitiva da presidanta Dilma, carona esperta que…

Por Ugo Vernomentti – enviado especial

Olha eu traveiz aqui. Cheguei com a comitiva da presidanta Dilma, carona esperta que consegui em Natal logo após a inauguração do Elefante das Dunas. Viajo também com diárias pagas por um amigo procurador, que me cedeu parte do seu auxílio-paletó.

No voo para Zurique, tirei pela primeira vez dez dedos de prosa com um chefe de Estado brasileiro, posto que nas vezes anteriores eu só conseguira nove, com o então presidente Luiz Inácio. Dilma estava felicíssima com a inauguração em Natal.

Perguntei-lhe se não achava sintomático que as duas arenas em destaque no momento, a de Natal, mais bela, e a de Brasília, mais cara, sejam coincidente e respectivamente obras tocadas por governos do DEM e do PT. Ela parou de tuitar e respondeu:

“Meu caro Ugo, sintomático é o tomate ter voltado aos preços antigos e vocês da imprensa continuarem ressuscitando a inflação”. Disse-lhe que minha pauta não tinha bola pequena e vermelha, mas a bola que se desvia nos chutes dos orçamentos.

Ela desconversou e fez aquele olhar de quem sugere “se não estiver gostando do voo, sarte fora”. Eu, que não sou besta e nem sou PSTU, fui trocar umas figurinhas com o novo ministro da Saúde, que não parava de tirar fotos na janela da aeronave.

Indaguei dele se havia alguma coisa nítida, além das nuvens, para fotografar naquela altura o lado externo do avião. Ele fez um muxoxo e sorriu amarelo. Lembrei do documentário sobre Humberto Teixeira, “O Homem que Engarrafava Nuvens”.

Numa outra poltrona, vi a colega Helena Chagas, chefe da secretaria de comunicação da Presidência, olhando centenas de fotos no iPad, todas realizadas no estádio de Natal. Ajudei-a a identificar alguns rostos que ela não conhecia, e um era eu mesmo.

Toquei num assunto que ela recebeu sem graça: sua função que já fora um dia do seu pai, Carlos Chagas, em 1969, quando do governo do general Costa e Silva. E mandei: – Carlos escreveu “O Brasil Sem Retoque”, você publicará “O Brasil Com Botox”?

Vocês precisam ter visto a cara da mulher. Levantou de dedo em riste e me plantou a mão na bochecha, me derrubando no colo da Graça Foster. Procurei a embaixada brasileira aqui na Suíça e fiz um BOD – Boletim de Ocorrência Diplomático.

No hotel, tentei de todo jeito esconder a vermelhidão do tapa, mas de nada adiantou. Guido Mantega sugeriu passar margarina. Mas, resolvi não esconder o fato de ninguém, e todos que me perguntam eu vou logo respondendo: “É a chaga de Helena”.

Hoje, quando Dilma chegou na sede da FIFA, havia um grupo de manifestantes ingleses com faixas reivindicatórias. Umas diziam “Amazon not!”, outras “Royal Team in Rio”. Uns colombianos em rolezinho gritavam “Sem Falcao Garcia não vai ter Copa!”.

Pendurada nas costas de um guarda-costas de Joseph Blatter, uma brasileira do PSOL e filha de um agiota do PT, que estuda em Berna com uma bolsa do Ciência Sem Fronteiras, gritava: “Dilma / pode esperar / os camaradas da Croácia vão ganhar”.

Um hippie chileno, que toca bandoneon numa praça ali por perto, deu uma gargalhada e replicou a jovem: “Lo que es esta, chica? Murió el comunismo al este, y Chile, si, va a ganarle a Brasil”. Dois diplomatas argentinos aplaudiram o músico dos Andes.

No gabinete de Blatter, Dilma informou que a segurança será garantida e que nenhum manifestante chegará perto das arenas. “Fizemos ontem um teste no Barretão, em Ceará-Mirim. O único problema é que o time de maior torcida perdeu o jogo”.

Jerôme Valcke olhou para mim e para Paulo Sérgio Passos, presidente da Empresa de Planejamento e Logística – responsável pela mobilidade e estradas de acesso – e cochichou: “I want to see the Cup!”. Dilma virou-se e disse: “Uót, uai?”. (UV)

 

Pontapé
Malandra como um zagueiro que se antecipa ao atacante, a governadora Rosalba Ciarlini simulou bem a jogada e deu o pontapé inicial na Arena das Dunas, e só depois repetiu o gesto para que a presidente Dilma Rousseff realizasse o seu chute na Brazuca.

Cascudinho
O título acima era o nome que se dava a uma brincadeira com uma só trave, onde todos os meninos disputavam a bola. Pois o “cascudinho” da minha infância se repetiu ontem na Arena, com muita gente chutando a esfera, até o deputado Paulo Wagner.

Tietagem
Não faltaram nem gritinhos dos jornalistas para registrar a alegria com a cerimônia no estádio da OAS. Na rede social Instagram, homens e mulheres da nossa imprensa derramaram “fotinhas” tipo “selfie” em suas páginas. Que felicidade, gente.

Rolezinho na Copa
Joseph Blatter e seus asseclas da FIFA estão renovando as preocupações com a Copa em encontro com Dilma na cidade de Zurique. O capo quer garantias de que as manifestações da campanha “NãoVaiTerCopa” não atrapalharão os jogos do torneio.

É Henrique
Em sendo verdade que o PMDB vai esperar até o carnaval para Fernando Bezerra consolidar sua candidatura a governador, então o candidato do partido será mesmo o deputado Henrique Alves, que já tem aquelas condições ditas pelo tio Agnelo Alves.

Com Wilma
Será rápido. Se o PMDB decidir que o candidato é Henrique, a vice-prefeita Wilma de Faria aciona o PSB para anunciar a aliança, ela na condição de senadora. Os dois partidos fazem o lançamento da chapa em evento conjunto. Podem escrever.

E o PT?
Nem Fátima Bezerra, nem Fernando Mineiro pensam como o histriônico vereador Fernando Lucena. E não lançarão o partido numa aventura solitária, comprometendo a campanha de Dilma Rousseff no RN, que é a parte que mais interessa no momento.

Trauma
O portal parapetista 247, que poderia chamar-se 171, não sossega na perseguição ao presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, o homem que botou os mensaleiros na cadeia e que no retorno das férias vai prender também o meliante João Paulo Cunha.

Lobo Antunes
“A literatura me salva da ideia do suicídio, que tanto me cerca”. A declaração do renomado escritor português está numa entrevista publicada hoje no diário espanhol El Mundo. Lobo Antunes venceu um câncer, mas não abandona o cigarro Marlboro.

Infância
Falando sobre o livro “Sôbolos rios que vão”, escrito após grave cirurgia, Lobo Antunes diz: “Venho de uma família que teve privilégios da ditadura, meu pai não era de direita como meus tios, mas de qualquer forma foi o tempo mais feliz da minha vida”.

4 por 400
A imprensa esportiva mundial mais uma vez babando com Lionel Messi, que ontem completou 400 partidas pelo Barcelona e deu um verdadeiro show de bola em Valência, dando os passes para os 4 gols (3 de Tello) contra o Levante pela Copa do Rei.

 

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