De cinema

Na próxima semana, será entregue o troféu de melhor jogador do mundo de 2013 pela Fifa. Há três concorrentes. O…

Na próxima semana, será entregue o troféu de melhor jogador do mundo de 2013 pela Fifa. Há três concorrentes. O português Cristiano Ronaldo, o francês Ribéry e o argentino Messi. É uma cerimônia pomposa da Fifa. Fifa é luxo, óbvio, ainda que os países onde as suas competições sejam disputadas possam ser comparáveis a lixões sociais.

Cristiano Ronaldo é um artilheiro espetacular, inteligente  e letal. É dono da antevisão das jogadas. Recua até o seu campo e prevê o que acontecerá segundos depois, articulando tabelas, deslocando-se com notável agilidade e finalizando sem piedade alguma. É o maior centroavante do planeta.

O francês Ribéry é competente. Veloz, driblador, chutador e bom condutor de bola, é uma estrela. Das principais armas do técnico Pep Guardiola, do Bayern de Munique, campeão europeu e mundial interclubes. É o principal jogador da boa seleção francesa que, não se iludam, é um time perigoso, bem armado, defesa sólida, meio-campo tradicionalmente organizado e ataque de intensa movimentação.

Com troféu ou sem trófeu, onde estiver o cidadão Messi, de prenome Lionel, as atenções do mundo devem estar a ele voltadas, as glórias são sua propriedade porque o talento maior a ele pertence. Há jogadores que se destacam em um campeonato, em uma temporada, em dois torneios, em dois anos, Messi é a consolidação de um gênio moderno, a linha sucessória de uma espécie que estaria extinta sem ele.

Esqueçam Pelé, o extraterrestre. Messi é a continuidade de Garrincha, Maradona, Eusébio, Nilton Santos, Puskas, Cruijff, Romário, Beckenbauer, Zico, Di Stéfano, Best, Didi, Kopa, Zidane, Platini, Rivelino e  Rummenigge. Acima da média.

Messi é a diferença entre o futebol e a enganação patética mundial. Jogou parte do segundo tempo contra o Getafe pela Copa do Rei da Espanha. Voltava de contusão. No aquecimento, via-se em seu rosto a expectativa de menino rebelde aguardando o brinquedo. Era a bola que a ele se entregou, fiel, para dois gols feitos em ritmo de treino.

O primeiro, um toquinho de flauta no gramado de sinuca  de Camp Nou. O segundo,  lance de cinema, como bem definiu seu técnico –  privilegiado – Tata Martino. Messi driblou e entrou na área batendo seco à meia-altura sem a menor chance para o goleiro. Difícil? Banal para ele como uma taça, que será mais uma. O futebol é Messi. Prêmio é detalhe.

 

João Faustino

A morte do ex-deputado e suplente de senador João Faustino contrariou o ritmo de sua vida. Foi fulminante, brusca, abrupta. João Faustino manteve comigo e com Natal inteira uma convivência marcada pela elegância, paciência e pela resignação  que os seus olhos revelavam por mais que a sua fleuma buscasse esconder.

João Faustino sofreu muito desde menino e agora que ele se foi, na esteira de acontecimentos que certamente afetaram sua saúde de um homem já com 71 anos de idade, é melhor guardar seus gestos de conciliador nato. João Faustino foi um cordial por essência e atitude. Sempre soube vencer quando ganhou, sem os arroubos da humilhação do adversário.

Sempre soube perder, tanto quando governador antecipadamente eleito e derrotado por menos de um por cento dos votos, ou exatos 14. 072 numa disputa renhida, emocionante e que dividiu o estado em cores e emoções, na última campanha eleitoral capaz de empolgar massas de ponta a ponta do Estado, das convenções até o último dia das apurações.

Torci contra João Faustino em 1986, menino empolgado com a vibrante oratória e a mensagem de Geraldo Melo, seu catavento e o seu tamborete pelo Rio Grande do Norte desafiando uma força teoricamente indestrutível. João Faustino fez aquilo que os eleitores, brigando nas ruas, criando intrigas, deveriam ter feito: cumprimentou o vencedor e guardou-se em sua solidão pensativa.
João Faustino enfrentou outras disputas, voltou a ser deputado federal em 1990, perdeu em 1994, retornou à Secretaria de Educação, sonhou o sonho desfeito de ser prefeito de Natal montado nas quimeras da Educação, tornou-se suplente de senador, assumiu por um mês.

Até aí, era o jogo político do qual João sobrevivia na arte da calma, da ponderação e da sutileza. Foi para São Paulo ser homem forte e discreto nos governos estaduais do PSDB. Voltou a Natal e sofreu sua maior decepção, incluído numa investigação quase sentencial e de asfixia midiática.

Foi quando a amenidade de João Faustino transformou-se de vez em melancolia. A quem encontrava, iniciava a conversa com alegria bem disposta e, pelo meio, marejava, citando a invasão de sua casa, a devassa de sua vida  e olhando nos olhos do interlocutor discursando revolta.

Quando o encontrei saindo de uma agência bancária, praticamente o obriguei a mudar de assunto. Perguntei pelo passado. Desviei o rumo da prosa. Quando ele lançou seu livro, Eu Perdoo,  biografia nostálgica em desabafo, sorriu para mim um sorriso de cicatrizes, de sofrimento. E morreu de repente, de uma leucemia feroz como a pancada que rasgou  por dentro o João do Coração, sua estampa nas caminhadas de rua.

 

Dilma, o primeiro gol
Confirmada para o dia 22 a inauguração da Arena das Dunas, será da presidenta Dilma Rousseff o primeiro gol do estádio da Copa do Mundo. Deve chutar com um assessor de paletó fazendo as vezes de goleiro. No finado Castelão, bola rolando, o gol inaugural foi do volante William, do ABC, já falecido.

Rodada
Os primeiros jogos permanecem dia 26 com América x Confiança pela Copa do Nordeste e ABC x Alecrim pela Copa RN. Só com aspones daqui, desfilando e rebolando de crachás e coletes. Definitivamente, perdi a paciência.

Régis
América anunciou  a volta de Régis que agora pode ficar no São Paulo. Notícia ruim para a torcida. Jogador igual a ele não se encontra fácil.

Problema
Sem Régis, o técnico Leandro Sena arrisca com o garoto Pedrinho, que pode ser bom, mas vai ao fogo.

Júnior Xuxa
De repente, não mais que de repente, o Soneto da Separação de Vinicius de Moraes vira o Tema da Volta com o meia Júnior Xuxa tornando-se esperança outra vez no ABC.

Rodando
Júnior Xuxa, desde que saiu do Icasa(CE), vem rodando sem dar certo em time algum. Estranho é Roberto Fernandes ter concordado. É aguardar Júnior Xuxa desmentir todo mundo.

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